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Santos sem camisa 10 em 2024? Entenda como nasceu a mística e o que Pelé tem a ver com isso

Pelé celebra depois de marcar seu gol 1000 no Maracanã Getty

No último sábado (9), logo após ser eleito presidente do Santos, Marcelo Teixeira propôs que a camisa 10 do clube fosse 'aposentada' durante o período em que o clube disputar a Série B.

O motivo é simples, segundo Teixeira: a camisa eternizada por Pelé não poderia ser usada na segunda divisão por sua memória e honra.

"Já antecipo também uma ideia: vamos propor ao Conselho Deliberativo que o Campeonato Paulista vamos atuar normalmente com a camisa número 10. No Campeonato Brasileiro, enquanto o Santos não subir e estar no seu patamar digno, nós não atuaremos com a camisa 10, em memória e honra", disse.

"Já que esse ano tivemos a homenagem ao Rei Pelé, continuaremos nessa missão. Nós voltaremos à primeira divisão e, enquanto não voltarmos, o Santos não vai usar a camisa mais gloriosa de sua história", completou.

Mas, afinal, como a camisa 10 se tornou objeto de desejo de todos os jogadores? Isso a jornada do próprio Pelé pode explicar.

Quando a numeração foi implementanda em 1939, os técnicos eram adeptos do sistema de jogo 1- 2-3-5. As camisas, assim, seguiam a ordem do esquema - 1 para o goleiro, 2-3 para os defensores, 4 a 6 com os meias e de 7 a 11 para os atacantes.

Na década de 1950, o sistema W-M chegou, mas o quinteto ofensivo manteve a sequência de números: 8 e 10 para os pontas-de-lança, 7 e 11 para os pontas, 9 para o centroavante.

Em 1956, Pelé estreava pelo Santos, mas ainda era reserva na equipe de Lula. Em 9 de dezembro daquele ano, porém, uma infelicidade alheia transformou sua vida.

Vasconcelos, dono da 10, fraturou a perna após o zagueiro Mauro Ramos de Oliveira, então no São Paulo, cair sobre ele. Com isso, veio a chance como titular para o jovem vindo de Bauru. E a partir de 1957, a camisa 10 começava a ter um novo significado.

Convocado para a Copa do Mundo de 1958 na Suécia, Pelé não era titular da seleção brasileira de Vicente Feola.

"Como eu não fui um jogador que saiu daqui do Brasil como titular, então eu jogava e, coincidentemente, treinava com a camisa número 8, que era a camisa que eu jogava no Baquinho, em Bauru. Antes de vir para o Santos, eu era o número 8", contou em entrevista ao Esporte Interativo.

Os "deuses do futebol", no entanto, deram aquela ajuda para o reconhecimento eterno: o jovem de 17 anos seria o camisa 10 da equipe canarinho.

O próprio Pelé já deu versões distintas para o nascimento da mística:

- "Na época, numeravam os jogadores acho que pelo registro da federação, devia ser assim".

- "Na Copa do Mundo em 1958, na Suécia, fui o décimo atleta brasileiro a ser inscrito".

- "E aí chegou lá, no sorteio da Fifa, caiu a camisa número 10".

Mario Jorge Lobo Zagallo, o ponta esquerdo de Feola, tem outra recordação: "Não sei direito, mas acho que mandaram a numeração que puseram nas nossas malas, com as quais viajamos. Só pode ser essa a explicação, porque, me lembro muito bem, a minha mala tinha o número sete".

Titular a partir do último jogo da fase de grupos contra a União Soviética, Pelé liderou o Brasil ao primeiro título mundial com seis gols na Copa de 1958 (todos em mata-mata).

A reverência do povo sueco, o espanto dos jornalistas europeus e a pintura rabiscada a cada jogada colocaram o camisa 10 da seleção em um patamar até então nunca visto no futebol.