Depois de amargar o primeiro rebaixamento em seus 111 anos de existência, o Santos tem neste sábado (9) a última decisão de 2023. Os sócios vão eleger o presidente que substituirá Andrés Rueda nos próximos três anos, de 2024 até 2026.
A votação terá início às 10h (de Brasília) no ginásio do clube, dentro da Vila Belmiro, em Santos, e vai até 17h do próprio sábado. Pouco mais de 16.600 sócios estão aptos a votar, tanto presencialmente como online.
Desta vez, são cinco candidatos. Os empresários Ricardo Agostinho (Chapa 1), Wladimir Mattos (Chapa 2) e Maurício Maruca (Chapa 4), o administrador de empresas Rodrigo Marino (Chapa 3) e o ex-presidente do Santos em duas gestões Marcelo Teixeira (Chapa 5).
A ESPN conversou com eles nesta semana sobre os temas principais relacionados ao futuro do Santos, como uma eventual transformação em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), a nova Vila Belmiro (um contrato com a WTorre para já iniciar as obras no próximo ano) e a gestão do futebol – as entrevistas foram feitas antes do rebaixamento, mas já projetando a possibilidade.
Veja abaixo a íntegra do que cada candidato planeja fazer:
FUTEBOL
Ricardo Agostinho
"Quando a gente começou a lançar a candidatura em agosto, o Santos já estava numa situação ruim. Melhorou muito com o Marcelo (Fernandes), né? Então a gente já tinha um plano B para o caso de rebaixamento, um treinador para a Série B, um diretor de futebol para a Série B. São pessoas inclusive que subiram este ano porque fizeram um trabalho muito bom lá. Pegaram time na zona de rebaixamento e praticamente colocaram na primeira divisão. Porque muda a configuração. Não adianta trazer um técnico de ponta da Série A. Falar: ah vou trazer um argentino, vou trazer não sei quem, porque o cara não vai disputar o Brasileiro. Então a gente tem já uma planificação. Agora aí em vez de transacionar com 20 jogadores do mercado, o Santos vai ter que se desfazer demais porque tem que baixar muito a folha, primeiro. E vai ter que fazer contratações boas no Paulista porque é imperativo estar entre os quatro pela vaga na Copa do Brasil. Aí assim, para mim, eu não abro mão. Mas aí é questão de vida ou morte. Então a gente sabe disso, né? E ter um campeonato de Série B é muito puxado. O Santos tem uma estimativa de perda de R$ 80, 85 milhões só de não estar disputando a Série A. É importante a gente entender que o nível de jogador que você contrata tem que ser mais cascudo, não necessariamente é mais caro. E agora? É importantíssimo, imperativo que esses 8 milhões de torcedores entendam o que eu possa pegar pela frente e estejam conosco. O plano de sócio tem que voar. Consumo dos nossos produtos esportivos, o marketplace que a gente quer colocar no clube para consumo de produtos licenciados, etc. Tem que explodir. O torcedor e o associado têm que vestir a camisa junto com um presidente que está assumindo numa situação que ele não criou e junto com muitos jogadores que vão chegar numa situação que não criaram. Então é imperativo que o clube se una, que exista uma pacificação, que todas as correntes do clube estejam juntas no objetivo maior de colocar o Santos de volta onde ele jamais deveria ter saído, mas principalmente, voltar para voltar num padrão assim como o Grêmio voltou este ano. O Grêmio saiu de uma Série B e está disputando a Libertadores. É o mínimo que a gente espera. Em 2025, o Santos tem que voltar para a Série A para voltar a disputar vaga na Libertadores. A Série B vai atrasar um ano nosso planejamento, mas não dependia da gente."
Wladimir Mattos
"Tanto se ficasse na Série A, como com a queda, o nosso planejamento vai seguir um mesmo caminho. Não existe diferenciação. O mandato do novo presidente começa no dia seguinte da eleição. É óbvio que todos os pré-candidatos, a partir da reunião que nós tivemos com o presidente (Andrés) Rueda, já temos uma boa ideia e uma ideia clara do cenário que nós iremos enfrentar lá pela frente. É preciso pressa para reforçar o elenco, e a nossa estratégia é ter uma postura assertiva e pontual. Reforçar o elenco em posições que estamos totalmente carentes e que definitivamente eles cheguem para resolver. Eu quero te dizer mais, eu tenho certeza absoluta que o atual coordenador técnico, o (Alexandre) Gallo, já tem em mãos mapeados alguns nomes para reforçar a equipe. A situação financeira do Santos é extremamente apertada, extremamente complexa. Nós vamos trabalhar muito para manter em dia os compromissos assumidos pelo presidente Rueda. Não é simplesmente pagar boleto. O Santos tem acordos no regime especial, no regime centralizado especial que não pode ser negligenciado. Nós temos o Profut, nós temos a questão dos impostos. Esses não podem ser negligentes sob hipótese nenhuma, porque o prejuízo seria imenso para o Santos Futebol Clube. Fora as despesas do dia a dia, o Santos tem hoje uma folha de R$ 13 milhões bruta, que com a saída de alguns jogadores, no final do ano, deve cair para a casa dos R$ 11 milhões, R$ 12 milhões. Então, nós precisamos ser muito assertivos e pontuais nas contratações. Mas vamos lembrar de uma coisa. O Campeonato Paulista começa dia 21 de janeiro, e o Santos não pode, mais uma vez, ficar de fora da Copa do Brasil em 2025. Então, é fundamental que essa equipe pelo menos se posicione entre os cinco primeiros do Campeonato Paulista. Caso contrário, nós teremos muitos problemas. Então é alguma coisa que a gente já pensa. Eu não vejo muitos problemas no sentido de perder equipe, o que a gente não pode errar é o tanto que nós erramos nas contratações neste ano, foram mais de 43 contratações. É inadmissível que o Santos tenha brigado para não cair."
Rodrigo Marino
"O Santos precisa voltar a ser futebol. O Santos há três anos abdicou da sua principal causa de existir e da sua razão de existir, que é o futebol. Tivemos a maior, temos a maior história do futebol mundial, tivemos o Rei do Futebol e vamos ter eternamente. Mas o Santos abdicou. Abdicou de jogar futebol. O Santos não tem, não teve nessa última gestão, um planejamento de futebol razoável sequer. O foco do futebol foi olhado de uma maneira muito superficial. Os resultados mostraram isso. Então o Santos precisa voltar a ser futebol e vai voltar a ser futebol. Pensando para o ano que vem é reforçar o time e montar um time campeão e já entrar no Campeonato Paulista para ganhar o Campeonato Paulista. 'Marino, a gente vem de três anos brigando no Paulista para não cair. De três anos brigando no Brasileiro para não cair. Como é que você pode falar que vai montar um time para disputar campeonato? E o dinheiro? Como vai fazer?' Quem é do futebol sabe, quem tem contatos do futebol, sabe. Primeiro que você monta time com dinheiro ou sem dinheiro. A camisa do Santos interessa para qualquer jogador. Qualquer jogador quer jogar no Santos porque, uma vez que faça uma temporada boa no Santos, o seu valor ele multiplica por dez. Então, ainda que o Santos não tenha o cofre cheio, só a camisa do Santos consegue trazer jogadores, jogadores para resolver. Não é jogador para formar elenco, não, é jogador para resolver. Então, eu já venho há seis meses, pelo menos, conversando com o meio do futebol, conversando com o mundo do futebol, conversando com jogadores, conversando com agentes de jogadores, para que no final do ano o Santos consiga assim repor algumas peças com jogadores que cheguem para resolver, para a gente poder disputar o Campeonato Paulista para ganhar. O que a gente precisa reforçar é a parte mais barata do elenco. Nós precisamos de dois zagueiros muito firmes. Precisamos de dois laterais que resolvam. E precisamos de um meia armador. Porque do meio para frente a gente tem Tomás Rincón, tem Jean Lucas, tem Soteldo, tem Marcos Leonardo e teremos o Pituca, que vai voltar. Então nós temos um meio campo, nós temos uma linha de frente que já é uma bela espinha dorsal. Nós precisamos repor no lugar onde o futebol é mais barato: zaga e lateral, e aí buscar um meia de ligação. Então, é muito viável. É muito possível sim montar um elenco para o Campeonato Paulista para disputar para ser campeão. Agora precisa estruturar o departamento de futebol, precisa ser do meio do futebol, precisa conhecer de futebol, precisa ter network no futebol e, mais do que isso, precisa ter vontade de futebol. Precisa ter, como eu costumo dizer, precisa ter tesão de Santos Futebol Clube, querer o Santos campeão. É isso aí. Isso aí eu tenho de sobra."
Maurício Maruca
"O projeto desse grupo formado em prol do Santos é transformar o futebol do Santos naquilo que o Santos merece. A gente vai formar uma espinha dorsal neste time com jogadores experientes, que segurem a pressão e deem condição a garotada que vem da base subir no certo. Sem aquela obrigação maldita de salvar a burrada que os outros fizeram. Porque o que está acontecendo hoje é assim. 'Ô menino de 16 anos, você está promovido por profissional, vai lá, se vira e salva o Santos que eu fiz burrada e não sei como consertar'. Isso não é de agora. Já vem há mais tempo que antes. Tinha um pouquinho de diferença na qualidade dos jogadores que eram trazidos de fora. E o Santos é um celeiro de jogadores e tem que ter esse respeito a esse celeiro. Se esses meninos não subirem no momento certo, já com a formação mais madura, nós vamos continuar perdendo os valores que estamos perdendo agora. Aí vai ter que vender o Deivid Washington do jeito que foi vendido. O garoto tem tudo para ser um dos melhores do mundo e nem jogou no Santos praticamente. Marcos Leonardo sacrificado neste time. No fundo, vamos falar a verdade, ele está querendo ir embora porque o futebol dele está indo pelo ralo. Um time que não consegue render e dar a esse menino o poder de mostrar o futebol que ele tem. Está no sacrifício. Então a gente tem que ter um time equilibrado, um time cascudo. Quero cascudo experiente. E dali para frente essa garotada entra com a qualidade e a técnica que eles têm no momento certo. Vocês vão ver o que vai acontecer no Santos daqui para frente. Ele pode estar na A ou na B que nossa chapa, nossos profissionais, nossos diretores, estão empenhados em trazer o Santos de volta para o primeiro mundo do futebol. Nossa visão para o futebol na Série B, não muda nada. Todo mundo está comprometido com isso. O que vai mudar é que vai diminuir o faturamento do clube, e a gente vai ter que adequar alguma coisa em tudo o que está planejado, principalmente no financeiro. Mas, como eu falei, já estava tudo planejado para qualquer cenário Nós entramos nessa eleição já sabendo do risco de queda. Isso não mudaria de jeito nenhum a nossa vontade de brigar pelo Santos. Ao contrário de algumas outras pessoas que esperavam até o último minuto para ver se melhorava a situação do clube para ser candidato porque só é candidato na boa. Mas, está aí, todos nós somos de uma chapa, que a candidatura é de todos não é de uma pessoa, de um candidato queira aparecer. Não existe um candidato que queira ser o rei da cocada. É isso que acabou com o Santos. O personalismo quase acaba com Santos. Aqui não. Aqui é uma equipe. E o planejamento para a Série B já está pronto. Simples assim."
Marcelo Teixeira
"É terrível. É assustador. É um momento delicado da nossa história. Os últimos tempos, os últimos anos. De fato, nós tivemos muitos erros. Hoje nós temos um plantel com 50 jogadores, uma das maiores folhas salariais do país. Então, nós temos muita quantidade e pouca qualidade. Então exigirá do departamento de futebol profissional capacidade, competência para adotar as medidas necessárias. Nós reduzirmos custos. Isso não significa que nós vamos desqualificar o elenco, ao contrário. Nós temos é que trazer qualidade para que haja um equilíbrio nas nossas contas. A receita com a despesa. Então, com isso, nós pretendemos já entrar no Campeonato Paulista com uma equipe diferente, uma equipe que seja competitiva, porque nós pretendemos diminuir este número de quantidade e qualificar o elenco. Será uma missão complicada, difícil, porque o Santos só terá duas competições pela frente, o Campeonato Paulista e o Campeonato Brasileiro da Série B. Isso dificultará muito o orçamento, até porque também a diretoria já antecipou toda a receita do Campeonato Paulista. Então haverá uma dificuldade enorme, mas que exigirá muita competência do departamento de futebol para nós conseguirmos colocar em 21 de janeiro uma equipe diferente para o Campeonato Paulista. Tínhamos um plano A para a permanência na primeira divisão e um plano B no caso da queda por causa do orçamento, que já está impactado, já tem gravíssimos problemas e prejuízos na questão de recebíveis para o ano de 2024/25. Teremos um cenário grave, com a redução drástica de 50% dessa receita por causa da Série B."
NOVA VILA BELMIRO
(O Santos tem uma carta ou memorando de intenções com a WTorre para que a empresa – a mesma responsável pela transformação do Palestra Itália em Allianz Parque – faça uma arena moderna substituindo a Vila Belmiro, estádio particular mais antigo do Brasil. Um primeiro projeto foi apresentado ao Conselho Deliberativo em 2018, mas houve modificações. Ainda não há cronograma de obras. Todos candidatos concordam que o clube alvinegro precisa de uma casa mais moderna, mas diferem sobre a condução das tratativas com a WTorre ou sobre o projeto final.)
Ricardo Agostinho
"O que a gente quer mudar? Voltar ao modelo de 2018, que foi o primeiro apresentado. A gente sabe que o material de construção aumentou muito e aceita negociar um percentual que o Santos tem direito. Não o 100% de ganho de bilheteria. Nisso não vamos mexer. Agora, o Santos ia ganhar de 10% a 20% dos eventos que a WTorre captaria para a arena. Então, por um período de anos, a gente negocia, diminui um pouco o que o Santos ganharia dos eventos e, consequentemente, diminui o impacto na despesa de material de construção. E vamos ter uma arena excelente para receber turista, receber turista que vem via porto, turista que vem de carro de São Paulo, que vem no interior e vai vir até de outro país. A WTorre tem uma multa e não abre mão justamente porque ela quer fazer. Nosso trabalho é no dia 11 ou 12 (de dezembro) marcar uma reunião. É sentar para bater o martelo e tentar ao máximo retroagir ao primeiro projeto. Que vai sair a Arena, vai e logo. A gente vai começar o Campeonato Paulista na Vila, por razões óbvias, mas a gente espera que no terceiro ou quarto mês a gente já comece essa grande reforma e, consequentemente, vamos mandar muitos jogos no Pacaembu e no Morumbi. Quanto mais rápido a arena sair, melhor para todo mundo. Mas mesmo com a Arena, quero deixar isso claro, vamos continuar mandando jogos sempre em São Paulo."
Wladimir Mattos
"A arena é um dos pilares de sustentação de um projeto esportivo forte. Então, assim que nós assumirmos a direção do clube, a intenção é nos reunir com a WTorre para entender primeiro a situação financeira da empresa, principalmente depois daquelas notícias publicadas em relação a uma dívida com a Sociedade Esportiva Palmeiras. Obviamente, precisamos entender o que foi retirado do primeiro projeto e a situação atual, o custo da obra e as cláusulas que estão sendo negociadas. Mas certamente a negociação precisa prosseguir com responsabilidade, com senso de urgência, mas sem perder de vista os interesses do clube e do associado e do torcedor. O que é importante salientar é que o torcedor e o associado não podem cair naquele canto da sereia, achando que um pool de quatro construtoras locais poderia substituir eventualmente uma WTorre na construção de um estádio. Eu quero lembrar ao torcedor que uma expertise na construção de estádio e uma coisa que a WTorre domina e domina há muito tempo. Além disso, o negócio do Santos Futebol Clube é futebol. Não é a administração de uma arena, ou seja, o Santos não tem nada a ver com o espetáculo. Não tem nada a ver com shows, e é a WTorre, através da cidade da sua afiliada, já se provou extremamente competente. Então eu acho de mais uma vez que esse é um projeto fundamental e não cabe em outro lugar nesse momento que não seja a atual Vila Belmiro."
Rodrigo Marino
"Já existe um documento, uma carta de intenção assinada entre Santos e WTorre. Eu não tenho conhecimento do teor aprofundado desse documento e acredito que ninguém tenha porque não foi divulgado. Talvez tenha alguma cláusula de confidencialidade nesse documento. A gente escuta algumas coisas, algumas questões que possam existir dentro desse documento, como questão de multa de quebra de contrato, questão de ficar dois anos sem poder construir com outra construtora, algumas que o projeto não está tão bem feito. Então, a questão de discutir o projeto em si, ele só vai poder, só vai dar para poder dar uma opinião mais forte, mais específica a partir do momento que tiver sentado na cadeira e tiver ciência do que está escrito ali, o conteúdo do contrato. Agora eu analiso da seguinte maneira são três anos que está se discutindo esse contrato. O Conselho discutiu, o clube discutiu com a WTorre até chegar finalmente ao modelo final. Eu tenho que acreditar que o Conselho Deliberativo e o executivo do Santos fizeram um bom trabalho e esgotaram todas as possibilidades de o Santos estar protegido nessa construção. Com relação a o que fazer com a WTorre, a gente já tem no mercado uma experiência. Eles fizeram lá com o nosso rival há dez anos. O rival cresceu muito de produção depois da arena. Eles exploram tanto a parte esportiva quanto a parte multiuso, e eles têm total expertise no que eles fazem. Eu entendo que o Santos construir a sua arena não é viável. Tem que ser com alguém que é de mercado, alguém que tem expertise, alguém que tenha case de sucesso. O Allianz é um caso de sucesso. A WTorre, além de construir a arena, ela faz a gestão da arena. O Palmeiras não gasta um centavo com a com o Allianz. A WTorre é quem banca todo mês a manutenção do Allianz. Então, a WTorre construiu e faz administração. Por que o Santos teria temor de fazer com a mesma empresa que já consegue fazer isso muito bem? Ah, mas tem a discussão, tem uma briga com o Palmeiras lá de R$ 120 milhões. Eu não sei aprofundar também quem tem razão, mas o fato é que a arena lá existe, foi construída, elevou o clube de patamar e funciona muito bem. Por que a expertise da WTorre pode ser colocada de lado? O Santos, nos últimos três anos, não teve expertise nem sequer para montar um time de futebol. Como acreditar que o Santos vai ter expertise para construir uma arena e administrar essa arena? Então, eu acho que o Santos tem que se preocupar com o seu produto final, que é o futebol, e deixa a Arena na mão de quem conhece de Arena."
Maurício Maruca
"É líquido e muito claro que o Santos precisa de uma casa nova. A Vila é icônica. A Vila vai deixar saudades. A Vila viu muita coisa, principalmente do Pelé. Mas ela não se adequa mais ao futebol moderno. Não tem como. O Santos precisa de um faturamento que a Vila nunca vai conseguir dar. Então tem que ter uma casa. Bom, isso aí é ponto pacífico. Vamos falar desse acordo que foi assinado porque não é um contrato, é um protocolo de intenções. E eu quero crer que muita gente está enganada quando fala que tem uma multa. Eu não sei, eu não sei porque eu não tive acesso a esse contrato. Mesmo como conselheiro, não tive acesso ao contrato, não. Mas eu quero crer que não seja uma multa, que seja pelo menos no máximo ressarcimento por projetos e planejamento da empresa feito até agora, caso haja uma cisão. Deve ser um valor substancial porque o projeto deste, principalmente moldado tantas vezes a pedido do clube, deve ser um valor que não é pequeno, mas se for uma multa eu acho que vai ficar chato. Quem ganhar a eleição vai ter que questionar essa multa porque um protocolo de intenções não pode prever uma multa por sair. Eu não vi esse projeto, mas o pouco que eu vi ali não é o projeto que eu penso para o Santos, não é o projeto que ninguém que está com a gente nessa campanha sonha em ter pro Santos. Acho que o Santos merece no mínimo aquele primeiro projeto que foi apresentado no Conselho Deliberativo e o CD autorizou o início dos estudos, não autorizou contratação de construção, nada disso. O que está autorizado pelo conselho é o início dos estudos em parceria com uma consultora. Então, se a gente ganhar eleição vai ter que sentar todo mundo, rever tudo isso, saber realmente o que está nesse protocolo de intenções. E já deixo claro aqui vai voltar ao projeto original. Porque é no mínimo, aquilo que o Santos merece. Mas tem que ter, tem que ter uma nova Vila, sim."
Marcelo Teixeira
"O projeto da nova Arena foi alterado. Ele teve início na minha gestão como presidente do Conselho Deliberativo há três anos atrás nessa parceria com a WTorre. Com essa alteração, houve também a assinatura de um memorando de intenções entre o Santos e a WTorre. Já conversei com o CEO da WTorre. Já conversei com o prefeito da cidade de Santos para que nós possamos agilizar ambos os processos. Pretendo imediatamente avaliar o memorando e assinar o documento e o contrato definitivo com direitos e deveres para que a gente comece o mais rápido possível a construção da nova Arena. É imprescindível o Santos contar com a nova Arena e nós pretendemos exatamente dar prosseguimento e continuidade a esse projeto, que está aprovado, inclusive pelo quadro associativo em assembleia junto com a WTorre."
SAF
Ricardo Agostinho
"Eu quero fazer do Santos a SAF que alguns clubes estão fazendo no Brasil. Transformar em SAF, mas não vender a gestão. Deixar o clube no comando, a sociedade civil no comando. E aí você usar ele nesse primeiro momento para capitalizar o clube, porque você tem poucas garantias para dar para qualquer financiamento, qualquer empréstimo que você for fazer para o clube. Você tem o que? Você tem a Vila Belmiro, a chácara Nicolau Moran e o CT Rei Pelé. Isso é muito pouco. Quando você tem uma SAF com uma ciência de atletas, com uma ciência de base, você tem valores muito importantes. Quando você vai buscar dinheiro do mercado, você vai pagar juros melhores e vai ter condições melhores. Você vai dar um pedaço dessa SAF como garantia, vai pagando. Isso vai construir de novo algo que o Santos perdeu, que é a sua credibilidade no mercado. E aí sim eu vislumbro uma SAF no estilo alemão. O modelo do Bayern para mim é o melhor modelo possível, porque ele vendeu em torno de 25% para três grandes parceiros. Injetaram financeiramente valores muito importantes para o clube, e o clube se tornou hegemônico no futebol alemão a grande força e também um dos grandes players do futebol europeu. É isso que a gente vislumbra para o Santos. Agora você não vai chegar e chegar na Adidas ou na Puma ou seja quem for e falar: ‘Olha, eu tenho uma SAF aqui que eu quero vender 8% por 500 milhões de reais’. Não existe isso. O que temos que fazer é restituir a credibilidade do clube. Isso feito, você consegue trazer parceiros com um projeto mais audacioso como esse, em que seja um projeto em que os parceiros também tenham lucro em cima dos dividendos do clube. Mas também tenham uma exposição maravilhosa e que vale muito a pena para todos e para o Santos conquistar títulos naturalmente e ter claro austeridade financeira."
Wladimir Mattos
"O modelo de SAF que nós trabalhamos não tem absolutamente nada a ver com as SAFs atualmente instituídas no Brasil. Por outro lado, eu quero dizer que é uma questão de sobrevivência que o Santos se transforme numa SAF. Por quê? Porque nenhuma entidade associativa conseguirá gerar receita orgânica de forma a não apenas a formar, mas manter uma equipe competitiva nos próximos anos. A menos que o Santos pretenda se transformar num clube intermediário no Brasil, o Santos precisará se tornar uma SAF. E quando será o momento da SAF na nossa opinião? Primeiro de tudo nós precisamos organizar, trazer para dentro do clube a cultura da gestão profissional. Nós precisamos aperfeiçoar o modelo do Comitê de Gestão, implantar a diretoria executiva e, mais uma vez, de forma estatutária. Nós precisamos colocar de pé o plano, o projeto da Arena. Nós precisamos colocar de pé o projeto de expansão da marca Meninos da Vila, e eu estou especificamente me referindo às categorias de base. Eu preciso encorpar o meu quadro associativo. Eu preciso reequilibrar as finanças do clube e, principalmente, recuperar o futebol. O torcedor e o associado precisam perceber que existe uma melhoria acontecendo e, mesmo que de forma imperceptível, o olhar da arquibancada, essas mudanças estruturantes que são necessárias e que contraponha esse modelo que existe, o modelo auto autocrático que existe no Santos Futebol Clube, uma vez superadas, nós estaremos prontos para nos transformar numa SAF. E quem serão os nossos parceiros, nossos sócios na SAF? Alguém que tem uma visão institucional, não aquele que queira constituir uma SAF pensando em lucrar com vendas de jogadores, como acontece em outros clubes do Brasil. Então esse modelo ele prevê que o Santos tem a preferência nos votos, que seja possível manter uma equipe competitiva, que garanta o crescimento constante da marca. Um sistema de travas e gatilhos é isso. Isso é um funil. A gente sabe disso, mas qualquer coisa diferente disso, o Santos vai correr o mesmo risco que corre hoje Vasco, Cruzeiro, Botafogo. Existe um caminho a ser trilhado até o momento em que Santos esteja preparado, fortalecido, e não enfraquecido, para se transformar numa SAF. Essa é a nossa visão. Mas o Santos definitivamente precisa. Porque se nós pretendemos chegar na casa do bilhão de reais de faturamento, isso não vai acontecer no regime e no modelo associativo. Não vai acontecer de forma orgânica, porque o Santos tem hoje um faturamento de para uma previsão orçamentária de R$ 280 milhões contra clubes que já estão porque já estão batendo na casa do bilhão como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, enfim."
Rodrigo Marino
"Até este momento eu não gosto de nenhum modelo no Brasil. Por quê? Porque as SAFs que aconteceram até esse momento não trataram os clubes com o tamanho que eles têm. Por exemplo, o Cruzeiro foi vendido por R$ 400 milhões, o que é muito pouco para a história que o Cruzeiro tem. E se você parar para analisar com mais cuidado, foram R$ 400 milhões em dez anos, ou seja, R$ 40 milhões por ano. Então a SAF do Cruzeiro custou R$ 40 milhões. No primeiro ano, colocou R$ 40 milhões. No segundo ano, quando foi colocar os outros R$ 40 milhões, esse dinheiro já foi com resultado da própria SAF, entendeu? Então já foi com o próprio giro de receitas do clube. Então, na verdade, o Cruzeiro foi comprado por R$ 40 milhões. Isso é um absurdo. Eu gosto sim do modelo de parceria, em que o clube não é vendido. O clube continua sendo do seu verdadeiro dono, que é o torcedor e o associado. Eu estive há um mês na Europa em alguns clubes e o presidente do Braga me falou sobre a parceria que ele acabou de fazer com a QSI [Qatar Sports Investiment]. A QSI é a mesma empresa que o nosso atual presidente vem negociando há dois anos uma parceria. O presidente do Braga me perguntou se me agradava esse modelo. Eu falei que me agrada muito mais até do o modelo de SAF. E aí ele me falou: 'Então em janeiro, você pode voltar aqui que eu te coloco com a QSI. Eu estou muito próximo da QSI, e a QSI já falou para mim que quer um clube no Brasil e esse clube é o Santos'. A QSI colocou 50 milhões de euros por 30% do Braga, e o presidente do Braga falou para mim: 'Ela coloca tranquilamente 200 milhões de euros no Santos’. Então, caso eu seja o presidente eleito, eu vou lá buscar essa parceria. Caso eu não seja o presidente eleito, o presidente eleito vai ter a porta aberta lá, junto com o presidente do Braga, que é o seu Antônio Salvador, e pode ir buscar a parceria lá também."
Maurício Maruca
"Eu particularmente sou 100% favorável ao clube se tornar uma coisa que eu não gosto de chamar de SAF porque SAF é um termo que está desgastado mesmo. Os times que foram obrigados a fazer SAF até agora a situação era falimentar. Eles tinham que aceitar o que aparecesse para poder salvar o clube. Então, não é esse modelo que a gente pensa para o Santos. Nosso grupo é favorável a formação do que a gente chama de clube-empresa, que nada mais é do que o Santos ser sócio de um investidor numa nova empresa formada. Com isso você não precisa vender o clube como muitos falam. Você não precisa dar o controle de seu clube, do seu patrimônio, para nenhum investidor, para nenhum setor. E o Santos continua tomando conta dos destinos do futebol dele mesmo. Essa empresa vai ser formada como? O capital dessa empresa vai ser o Santos entrando com seu futebol e sua marca, que eu entendo e, aliás, eu não entendo. Eu tenho certeza. É a marca do futebol mais rica do Brasil e uma das mais ricas do mundo. Hoje seria mais rica se não tivesse sido negligenciada todos esses anos das últimas gestões. Você imagina qual é o tamanho do investimento que vai ter que ser feito para ser sócio dos Santos e da sua empresa? Então é isso que a gente quer."
Marcelo Teixeira
"Eu acredito que seja interessante para que o clube saia do sem fins lucrativos, mas acho que o mais agora fundamental para o Santos Futebol Clube é uma gestão e uma gestão profissional, com uma visão empresarial. Nós precisamos disso para o Santos. O Santos tem que terminar essa fase romântica amadora para que a gente consiga de uma maneira prática introduzir um trabalho com metas, objetivos e prazos a serem cumpridos. Acho que isso que é fundamental para hoje o Santos ter para os próximos três anos. A SAF ou clube-empresa, se você for analisar, eu não quero entrar no mérito de outros clubes, mas o que está sendo ventilado, negociado, hoje os números de valores correspondentes àqueles que já fizeram essa opção, no meu entendimento, são valores irrisórios, são valores insignificantes perto de um trabalho. Você veja se o Santos fizer de novo um trabalho nas divisões de base de revelação com excelência nos seus talentos, muitas vezes uma negociação de um jogador para o mercado internacional é o valor hoje que a maioria dos clubes brasileiros estão optando para a negociação da SAF. Eu hoje me proponho a fazer uma gestão para que o Santos se valorize, valorize a sua marca, tenha prestígio, o Santos tenha condições de atrair investimentos e dentre esses investimentos, os projetos, sejam projetos que coloquem o Santos de novo como um clube vencedor. Eu acho que isso é o mais importante neste momento. E no futuro, aí sim, com o Santos na prateleira, valorizado, adequado a uma nova realidade a modernização do esporte, especialmente do futebol brasileiro, aí sim o quadro associativo, não serei eu ou ninguém que fará essa decisão, o quadro associativo que é soberano, que é o verdadeiro dono do Santos Futebol Clube, aí sim ele decidirá da melhor forma possível se manterá o clube sem fins lucrativos, que existem clubes hoje no Brasil que inclusive lideram o Campeonato Brasileiro, lideram, tem conquistado competições internacionais como a Libertadores, com gestão e alcançando títulos e sem fins lucrativos."
