A “novela” envolvendo a possível chegada de José Mourinho ao Santiago Bernabéu para assumir o Real Madrid pela segunda vez na carreira vai ganhando contornos cada vez mais complexos, que ajudam a explicar por que o português, mesmo com um acordo estipulado com os espanhóis, ainda não foi anunciado oficialmente.
A ESPN apurou que a convocação de novas eleições no Real Madrid, realizada por Florentino Pérez, atual presidente do clube, fez com que a ida de Mourinho ao Bernabéu fosse adiada. O problema é que com este “atraso”, o clube espanhol pode ter que desembolsar mais do que esperado para contar com o técnico.
A princípio, havia um acordo para que o Real Madrid pagasse 7 milhões de euros ao Benfica para ter Mourinho. A questão é que este valor é válido por um prazo de dez dias, que se encerra neste final de semana. A partir daí o valor estipulado pelos portugueses para liberar o treinador sobe para 15 milhões de euros.
Existe a possibilidade de o valor ser negociado entre as partes. Mas, a tendência é que, mesmo que haja um novo acordo, o número ainda assim será maior do que os 7 milhões de euros, o que fará o Real Madrid gastar mais do que o esperado para ter o “Special One”.
O pleito no Real Madrid está marcado para o dia 7 de junho. Além de Florentino Pérez, histórico presidente do clube, quem também disputará o cargo é Enrique Riquelme.
O jovem candidato disse, em entrevista ao diário ABC, da Espanha, que “nunca foi um mourinhista” e que pensa em um “projeto a longo prazo” ao clube, dando a entender que não vê com bons olhos a contratação de José Mourinho. A ESPN apurou que uma vitória de Riquelme pode fazer com que Mourinho não queira voltar ao clube.
"Se eu for eleito presidente, eu vou avaliar (a possibilidade de retorno de Mourinho). Mas o que quero é criar um projeto a longo prazo", salientou Riquelme. "Trazer o Xabi Alonso foi a decisão correta, e foi um erro mandá-lo embora. Você não consegue criar um projeto em três meses. Ele não teve tempo e nem condições para tomar decisões importantes", argumentou.
Riquelme, porém, não quis cravar o nome de seu favorito para assumir o cargo de treinador. "Eu amo o (Jürgen) Klopp, mas há outros técnicos que eu também gosto. O Madrid não pode ficar experimentando com treinadores. Talvez Arbeloa não era o nome certo (para assumir) naquele momento", ressaltou.
O empresário ainda afirmou que contratará um novo diretor esportivo se for eleito. "Eu já tenho um nome em mente, e vou anunciá-lo nos próximos dias", finalizou.
Segundo a reportagem, o técnico tem apreço por trabalhar “onde se sente querido” e não teria tranquilidade no dia a dia sob um comando que disse publicamente que ele não seria a primeira opção. O português, aliás, só viajará a Madri após a definição na direção do Real Madrid. Por conta de todo este imbróglio, a tendência é que o clube só oficialize seu novo treinador depois das eleições.
E o Benfica?
O Benfica, que ainda tem um ano de contato mais com Mourinho, trabalha internamente pensando na próxima temporada e, ao menos na prática, se organiza sem o “Special One” para 2026/2027. Na última segunda, o clube fez uma reunião geral para organizar o futuro sem a presença do atual (antigo) treinador.
O clube português vive um período de “mãos atadas” neste momento, uma vez que tem, mas ao mesmo tempo não tem mais um treinador e trabalha no mercado em busca de um substituto à altura. A reportagem pôde saber que o mais cotado para assumir o cargo é Marco Silva, hoje no Fulham.
O Benfica iniciará a pré-temporada a partir do dia 25 de junho e quer contar com um novo treinador até lá para não perder tempo visando o futuro.
E se Mourinho não ir para o Real Madrid?
Apesar de ter um acerto com Florentino Pérez para assumir o Real Madrid, Mourinho também pode ficar a ver navios se, por acaso, Riquelme vencer as eleições no time merengue. Este possível fato, somado ao Benfica, que iniciou seu planejamento sem ele, pode fazer com que o técnico fique sem clube para o futuro.
A reportagem pôde saber que o “telefone do Mourinho toca sem parar”, mas ele tem cautela para decidir um próximo passo, dando sempre prioridade à Europa.
O técnico tem recebido diversas procuras do futebol da Arábia Saudita nos últimos tempos. Apesar das propostas milionárias, o “Special One” não pensa em deixar o Velho Continente, onde se sente à vontade para ter uma vida social ativa e desfrutar do dia a dia, algo que, na visão dele, não aconteceria no Oriente Médio.
