O Tottenham surpreendeu muita gente ao, antes da temporada, anunciar Ange Postecoglou como seu novo técnico. Nascido na Grécia, mas morando na Austrália desde os cinco anos, o treinador multicampeão com o Celtic, da Escócia, não passava de um desconhecido do grande público e enfrentou algum tipo de resistência por isso. Afinal, o perfil é bem diferente de um torcedor acostumado a comandantes de renome, como Mauricio Pochettino, José Mourinho e Antonio Conte, que passaram pelo clube nos últimos anos.
Essa resistência, porém, foi caindo, muito por conta do bom desempenho atrelado aos excelentes resultados obtidos pela equipe no início da Premier League. Agora nas graças da torcida, o técnico de 58 anos concedeu entrevista exclusiva à ESPN em que revelou sua excelente relação com o Brasil e, principalmente, os jogadores do país.
Tudo começou ainda criança, quando, por influência do pai, ele passou a acompanhar futebol. Um dos times mais citados por seu pai foi a seleção brasileira de 1970, de Pelé e companhia, tricampeã mundial com uma campanha que encantou o planeta pela forma de jogar.
Essa relação ficou ainda mais forte a partir de 2000. O treinador, ainda em início de carreira, comandava o South Melbourne, da Austrália, um dos participantes do Mundial de Clubes de 2000, disputado justamente no Brasil. Catorze anos mais tarde, ele voltou ao país como treinador da seleção australiana na Copa do Mundo.
"Tenho muita sorte, obviamente, com a seleção australiana indo para a Copa em 2014 e 2000 foi muito especial também, porque jogamos no Maracanã contra o Manchester United, o Vasco, e foi muito especial só por ser naquele estádio icônico e depois vivenciar a Copa do Mundo no Brasil", declarou Postecoglou, que, em uma entrevista feita em 2014, declarou que o fato de ter enfrestado o Vasco fez com que ele virasse torcedor do clube. "Conheci o Vasco nessa excursão e peguei uma simpatia grande. Desde então comecei a acompanhar para saber os resultados."
Se já existia um carinho com o Brasil, isso aumentou bastante quando passou a se relacionar com jogadores brasileiros.
"Tive a sorte e a bênção de trabalhar com alguns até mesmo na Austrália. E então, no Japão, tive alguns jogadores brasileiros fantásticos. Sempre tive um sentimento real porque adoro a paixão que eles trazem. Eles sempre funcionaram bem em minhas equipes. Sabe, acho que a forma como configuro meu tempo é para me divertir. E todos eles realmente eram adequados para isso e também podem entender e se conectar a isso."
Com toda essa história com brasileiros, Postecoglou foi questionado sobre o melhor atleta nascido no país que ele trabalhou. E a resposta é bastante surpreendente se você espera um grande astro.
"Odeio dizer [quem foi o melhor brasileiro], porque são todos jogadores de futebol fantásticos. Mas foi o pequeno Marcos Junior no Yokohama Marinos. Ele sempre teve um pouco de magia nele", disse, citando o atacante revelado no Fluminense e que foi campeão pelo clube de um Brasileirão (2012), um Carioca (2012) e a Primeira Liga de 2016, em que foi autor do gol do título. Atualmente com 30 anos, o atleta segue no Japão, mas defendendo o Sanfrecce Hiroshima.
"Mas eu acho que todos os meninos brasileiros tenham essa magia. Trabalhei com o Thiago Martins [ex-Palmeiras e hoje no New York City] também. Eles acrescentam não apenas com seu futebol, mas com o que são como pessoas. E eu tenho Richarlison e Emerson Royal também. Então, sim, adoro trabalhar com o futebol brasileiro".
Por falar em Richarlison, o treinador, que apostou no atleta como titular no início da temporada, opinou sobre o momento do atacante, que, depois de uma sequência bastante ruim que o tirou até da última convocação da seleção, optou por fazer uma cirurgia para corrigir um problema crônico no púbis. Apesar disso, Postecoglou não perde a esperança em seu camisa 9.
"É a natureza do futebol, é isso que eu fico dizendo aos jogadores. Eu acho que às vezes, como jogadores de futebol, eles estão fazendo o que amam. Eles são bem pagos para jogar no mais alto nível possível. Mas sempre há desafios. E esse é o maior desafio de Richarlison. Tem sido duro. Ele teve algumas lesões que não lhe permitiram tentar jogar da maneira que queria, e isso é frustrante. Mas ele fez uma espécie de procedimento agora. E, conversando com ele, se sente muito melhor com seu corpo. Cabe a ele continuar com o treinamento e voltar ao nível. Sabemos que ele pode chegar e contribuir para a equipe", encerrou.
Onde assistir a Tottenham x Aston Villa?
Depois de uma longa pausa por conta da Data Fifa, o Tottenham volta a atuar neste domingo, contra o Aston Villa, pela 13ª rodada da Premier League. A partida terá transmissão pela ESPN no Star+ a partir de 11h (de Brasília).
