Após ter buscado nomes badalados como os de José Mourinho e Antonio Conte recentemente, o Tottenham resolveu apostar em um nome periférico ao definir Ange Postecoglou como seu novo técnico.
O australiano de 57 anos chega credenciado por um bom trabalho no Celtic, sendo essa a sua segunda passagem na Europa – a primeira foi no Panachaiki GE¸ da Grécia, em 2008.
Nas duas temporadas em que dirigiu o clube de Glasgow, Postecoglou ganhou as duas edições do campeonato, da Copa da Liga e uma da Copa da Escócia. Vale lembrar que o Rangers era o atual campeão nacional quando ele chegou.
Chamou atenção o volume ofensivo e de controle de posse de bola de sua equipe, registrando uma média de três gols por jogo e de 73% de posse, a mais alta entre os times que disputam as dez principais ligas nacionais da Europa em 2022/23, de acordo com dados do Opta.
De quebra, levou grande vantagem nos clássicos com o Rangers ao somar seis triunfos e apenas três derrotas nas 11 vezes que disputou o Old Firm – as outras duas acabaram em empate.
Porém, em cenário continental, o desempenho foi discreto. Após ter caído na fase de playoffs da Conference League passada para o Bodø/Glimt, a equipe foi lanterna nesta Champions League em uma chave com Real Madrid, RB Leipzig e Shakhtar Donetsk.
De qualquer forma, foi muito positivo o trabalho na Escócia, um local ao qual ele já tinha certa ligação desde criança. Afinal, um de seus ídolos de infância no futebol é escocês e jogou pelo Celtic, além do Liverpool.
"Eu tive uma verdadeira paixão pelo jogo desde novo, e isso veio do meu pai. Ele amava os jogadores que entretinham. Quando eu estava crescendo, eu tinha pôsteres do Kenny Dalglish em toda minha parede", disse à Celtic TV em junho de 2021.
Se construiu uma história (curta) bem-sucedida no clube em que Dalglish é um ícone na Escócia, agora ele será rival do time em que seu ídolo brilhou na Inglaterra.
Para brigar contra Liverpool e cia. em meio à missão de recolocar o Tottenham nas primeiras posições da Premier League e brigar por um título que não sai desde 2008, Postecoglou tem como argumento também os seus trabalhos anteriores ao Celtic.
Primeiramente, à frente da seleção australiana entre 2013 e 2017, ele fez uma Copa do Mundo de 2014 bem decente para quem pegou um grupo com Espanha, Holanda e Chile e ainda conquistou um inédito - e até o momento único - título da Copa da Ásia em 2015 – a seleção passou a disputar o torneio em 2007.
Na sequência, ficou três anos e meio no Yokohama Marinos, antes de ir para o Celtic no meio de 2021. No período em solo nipônico, o treinador conduziu o time à conquista de sua quarta J1 League, a primeira em 15 anos.
Aos 57 anos, Postecoglou terá a maior oportunidade da carreira e certamente será uma história à parte a ser acompanhada, justamente por se tratar de um nome diferente, inclusive de um país que nunca havia tido um técnico na Premier League até então.
O que faz aumentar a curiosidade a respeito de seu trabalho é o fato de o Tottenham ter se habituado a ser um time mais de transição rápida nos últimos anos, enquanto os trabalhos mais recentes do seu novo comandante terem sido de uma posse de bola bem grande.
Os números já mencionados à frente do Celtic em 2022-23 vão na mesma linha do que aconteceu no Japão. Na primeira edição do J1 League em que Postecoglou comandou o Yokohama Marinos, em 2018, o time registrou 60,9% de posse (a segunda melhor); depois veio a liderança no quesito em 2019 (64,4%) e 2020 (62,3%).
Seja com mais ou menos posse de bola, Postecoglou terá uma missão enorme, considerando a frustração vivida pelos torcedores dos Spurs na última temporada. Sem competições europeias por disputar, ele ao menos terá mais tempo de treinamentos para aplicar suas ideias.
