O Santos vai a campo neste domingo (9) para evitar o capítulo mais triste de sua mais que centenária e gloriosa história: o rebaixamento no Campeonato Paulista.
Para que isso não aconteça, o Peixe, antepenúltimo colocado com dez pontos, "só" precisa não perder para o São Bento, que vem logo atrás na classificação, com nove. A "final" será às 16h (de Brasília), na Vila Belmiro.
Não é comum que os tradicionais times de São Paulo, grupo da qual pertence o Santos, briguem pelo rebaixamento no campeonato estadual. Mas, se essa é a primeira vez do time de Pelé, os rivais já tiveram momentos assim em sua história.
Relembre abaixo um caso de Palmeiras, São Paulo e Corinthians, em ordem cronológica.
Palmeiras - 1968
O ano de 1968 marcou a primeira final do Palmeiras na Conmebol Libertadores, mas isso quase custou o rebaixamento para a segunda divisão do Paulista.
Por conta do calendário do torneio sul-americano, o Verdão viu várias partidas suas serem adiadas em São Paulo, a ponto de ficar como lanterna do campeonato por algumas rodadas.
O título da Libertadores foi perdido para o Estudiantes em 16 de maio, quando o Palmeiras pôde se concentrar apenas no Paulista. E aí começou o drama.
No espaço de poucas semanas, o time palestrino perdeu para Santos, Portuguesa, Ferroviária, XV de Piracicaba, São Bento, Guarani e Portuguesa Santista.
Tamanha sequência negativa deixou o Palmeiras em último lugar até o antepenúltimo jogo, quando a equipe venceu o América, em São José do Rio Preto.
Mas a salvação aconteceu apenas em 29 de maio, de uma forma polêmica. Palmeiras e Guarani empataram por 1 a 1 no antigo Palestra Itália, resultado que levaria a disputa pelo rebaixamento até o confronto com o Comercial, dias depois.
Acontece que houve uma irregularidade na escalação do Guarani, com dois jogadores que não poderiam ter atuado contra o Palmeiras. O time da capital, então, levou, via tribunal, o ponto que evitou o martírio. E que bom, porque, no duelo com o Comercial, perdeu por 3 a 1.
São Paulo - 1990
Pouco mais de duas décadas depois, foi a vez de outro grande do estado ser alvo de polêmica em relação ao rebaixamento.
O São Paulo fez uma campanha ruim no Paulistão de 1990. Terminou a primeira fase em 8º lugar no Grupo 1, e portanto fora da zona de classificação à próxima fase.
Por isso, o Tricolor precisou jogar uma espécie de repescagem, com os dez eliminados, para garantir quem jogaria o chamado "grupo verde", com os principais clubes do estado, no campeonato de 1991.
Só que o São Paulo novamente se deu mal, ao ser segundo colocado do Grupo 1, atrás do Botafogo-SP. Assim, o time do Morumbi foi obrigado a disputar Paulista de 1991 no chamado "grupo amarelo", que reunia os dez eliminados da repescagem e mais quatro clubes promovidos da "Divisão Especial".
Acontece que, pelo regulamento aprovado pela Federação Paulista de Futebol, o campeonato de 1990 não previa rebaixamento. Já fazia parte dos planos do presidente Eduardo José Farah ter dois grupos separados, na edição de 1991, que se cruzariam no mesmo torneio e disputariam o título.
Foi o que fez o São Paulo. Em um grupo teoricamente mais fraco, sem os principais rivais, o time de Telê Santana deslanchou e avançou à fase decisiva com cinco equipes do grupo verde (Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Guarani e Santo André) e mais duas do amarelo (Inter de Limeira e Botafogo-SP). Foi campeão contra o Corinthians, primeiro troféu da era Telê.
Corinthians - 2004
O caso mais recente e até certo ponto famoso do futebol paulista envolve o Corinthians. Maior campeão estadual, com 30 troféus, o Timão esteve a um passo de cair para a segunda divisão em 2004. E só escapou graças ao... São Paulo.
A campanha do time do Parque São Jorge foi terrível. Reforçado por um "pacotão" que mais tarde ficaria famoso em memes, com nomes como Piá, Adrianinho e Régis Pitbull, o clube alvinegro chegou à última rodada em penúltimo lugar no Grupo A.
Com apenas duas vitórias e oito pontos, o Corinthians precisava vencer a Portuguesa Santista no Pacaembu para não ser rebaixado à Série A2. Ou, caso tudo desse errado, torcer para que o Juventus, lanterna com seis pontos, não vencesse o São Paulo, no Anacleto Campanella.
O Corinthians não fez sua parte. Perdeu por 1 a 0 para a Santista e ficou na dependência de um rival para não cair de divisão. E foi o que aconteceu, no jogo que ajudou a marcar a carreira de Grafite.
Hoje comentarista da TV Globo, o ex-atacante fez dois gols na vitória do São Paulo por 2 a 1 sobre o Juventus. O triunfo, sob protestos da torcida, que pedia ao time para "entregar o jogo" e prejudicar o maior rival, empurrou o Juventus para a segunda divisão.
