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Você conhece o Mário?

A pergunta vem, inevitavelmente sempre em tom de piadinha. Afinal, você aí, conhece o Mário?

O que podemos afirmar é que nem nós, jornalistas, muito menos o público em geral tem noção de quem é o Mário ao qual estamos nos referindo.

Mário Teixeira acabou de completar 72 anos e faz apenas dois que se aposentou da direção de um dos maiores bancos do Brasil e da América Latina. Nos bastidores de um dos maiores bancos do país, onde trabalhou por 50 anos, Mário era conhecido como “Mário Ponte Preta”, tudo por causa de um amor incondicional pela “Macaca”, apelido do time alvinegro da cidade de Campinas, no interior de São Paulo.

Foi por causa da Ponte que Mário resolveu entrar no futebol. Quando o encontrei, há 5 anos, Mário, que nunca deu uma entrevista na vida, me disse nos bastidores, quando perguntado por que comprou o Audax: “Eu sempre torci para a Ponte Preta e nunca consegui comemorar um título do meu time. Com o passar dos anos, quando tive condições financeiras de comprar uma equipe de futebol, vi novamente a possibilidade de realmente poder comemorar.”

Nosso encontro aconteceu quando o então vice-presidente do conselho do banco, o homem forte das grandes transações da instituições, trouxe para São Paulo cerca de 22 índios selecionados por sua equipe no extremo Norte do Brasil para disputar a Copa São Paulo de 2014.

Sem dar entrevista, falando apenas longe das câmeras e longe dos holofotes, sempre em off, confesso que fiquei impressionado com as ideias que o executivo de um banco apresentava sobre o esporte, com forte viés para ações sociais. Nosso encontro aconteceu em um condomínio chiquérrimo dentro de um hotel, onde Mário recebeu todos os índios em sua casa. O detalhe curioso dessa história é que, além de pagar hospedagem, alimentação e passagens de avião para os índios, Mário trouxe os garotos no ônibus do Audax para o litoral para que eles tivessem, pela primeira vez, contato com o mar, pois todos eram de Tabatinga, na tríplice fronteira do Brasil, cidade que fica a sete dias de barco de Manaus.

Ali vimos um dono de clube emocionado com a alegria das dezenas de índios se divertindo com a imensidão do oceano, para eles, até então, desconhecido.

Nesse dia, conheci um dirigente diferente de tudo aquilo que vi nos meus quase 30 anos de jornalismo esportivo.

Aliás, entre uma entrevista com os índios e outra, em um determinado momento, mais uma vez em uma conversa com ele, sem gravar, perguntei se ele era maluco, ou se rasgava dinheiro, pois ele mesmo havia dito que, em pouco mais de um ano, já havia colocado mais de R$ 26 milhões do próprio bolso no futebol. E olhando, meio de rabo de olho, meio que querendo me fuzilar, Mário respondeu: “Eu trabalhei muito duro durante toda a minha vida. Fiquei rico e faço o que quero com o meu dinheiro.”

Mário Teixeira afirmou também que comprar um time e levá-lo para Osasco, na região metropolitana de São Paulo, é uma forma que ele encontrou de retribuir para uma cidade que tanto lhe deu oportunidades.

As histórias do executivo da alta direção do banco são muitas, entre elas, a compra de outra instituição financeira, comandada por ele e uma consultoria que ele fez quando foi consultado para salvar as contas de uma companhia aérea. Durante um período, a empresa de aviação se encontrou prestes a falir.

Homem de grandes negócios, Mário também guarda no currículo o dia em que ele mandou o então presidente da Federação Paulista de Futebol para a “pqp”, tudo por causa da negativa do ex-dirigente à participação dos índios naquela mesma Copinha de 2014.

Mário é um dono de clube sem papas na língua. Elogia mesmo quando o time perde, mas chuta o pau da barraca quando enxerga que os atletas não se entregaram em campo.

Fazia 5 anos que não encontrava o Sr. Mário Teixeira, que tantas vezes tentei, por telefone, marcar uma entrevista. Todas em vão.

É esse Mário, o mesmo apaixonado pela Ponte Preta, que conseguimos ouvir nessa reportagem inédita.

A verdade é que tentamos a ajuda de muitas pessoas que trabalham diretamente com ele, inclusive com a força de seu presidente, Vampeta. De cara, o ex-jogador me disse que seria uma missão impossível.

Sorte grande daqueles que têm amigos, como o nosso grande Osmar Santos. Em uma sexta-feira, dia 15 de fevereiro, ele topou ir com a nossa reportagem até o CT do Audax, a fim de conhecer o tão falado Mário.

Osmar, mais uma vez foi o nosso condutor dessa inédita reportagem que você assistiu lá em cima, no início dessa nossa conversa, meio que um diário de repórter.

Agora que eu e você conhecemos o Mário, que fiquemos ligados nos legados que ele tem deixado para o futebol, como o trabalho transformador do técnico Fernando Diniz e também as suas investidas sociais.