Alessandro Oliveira, CEO da Soccer Grass, empresa responsável pelo gramado sintético do Allianz Parque, concedeu entrevista exclusiva à ESPN e atualizou a respeito do processo da troca do piso sintético da casa do Palmeiras.
O empresário detalhou sobre a parte técnica da substituição e confia que o estádio possa estar à disposição para uma eventual segunda partida da final do Campeonato Paulista, marcada para o dia 8 de março. A informação da possibilidade de o Palmeiras atuar no local caso venha a ser mandante em uma hipotética decisão foi trazida pela ESPN.
“Durante este período de janela de shows, a Soccer Grass reparou o piso com relação a base e regularização. Com o fim do show do Bad Bunny, instalamos 95% da grama em dois dias. Estamos fazendo uma força-tarefa grande, temos mais de 18 instaladores simultâneos”, iniciou Alessandro, que apontou as chuvas em São Paulo podem comprometer o processo e adiar a volta do Palmeiras ao Allianz.
“O prazo mínimo de instalação normal seria de 15 dias. Tivemos um bom resultado. Só que ontem choveu e hoje segue chovendo. Se não fosse por isso, nós estaríamos entrando com a areia e com a cortiça. E, com toda certeza, no início da semana que vem estaria pronto para uso caso venha a ter uma final no Allianz”.
“Mas, a grama está molhada, não tem muito o que fazer. Tem uma previsão de chuva para hoje e amanhã e estamos esperando uma janela. O material está lá, estamos por uma trégua da chuva. Nossa meta é entregar o campo para uma possível final do Palmeiras no Allianz”.
Empresa responsável pelo gramado do estádio é a Soccer Grass
“A única ressalva é se a chuva não parar, aí fica difícil. Equipe e maquinários estão por lá só esperando...”, disse Alessandro. O CEO da Soccer Grass explicou detalhadamente por que a chuva impede o avanço nas obras e voltou a dizer que, caso o tempo melhore nos próximos dias, o estádio deve ficar pronto até o dia 8.
“A gente usa uma areia fina, especial, não tem ponta e ela é seca. Ela vem bem seca e ela fica com os grãos soltos. Se ela molha, ela gruda uma na outra e empelota. A mesma coisa ocorre com a cortiça. Como é um campo que a gente segue rigorosamente os padrões da Fifa, vai passar pela qualificação quality pro, a gente tem uma quantidade e altura certa para colocar. Com água, eu não atinjo essas camadas de forma objetiva. Nossa equipe aguarda secar tudo para fazer esse processo. Quando secar, dá para acelerar o processo. Mas, precisa estar seco”.
“Hoje é dia 26, vamos imaginar que a gente consiga colocar a areia e a cortiça no dia 28...daria tempo (de ter a final no dia 8). Daria tempo por conta da equipe, equipamento. Em trâmites normais, levaria uns 25 dias. Mas conseguimos acelerar isso em dois por conta do número de técnicos e máquinas muito grande. A parte de colar a grama é a mais difícil e está pronto. A parte de colocar a cortiça é 100% mecanizada, então a chance de a gente conseguir é bem grande”.
À ESPN, Alessandro explicou ainda que a grama nova do Allianz Parque é de última geração, atende aos requisitos mais atualizados da Fifa e pode vir a ter uma duração superior a seis anos, período no qual o antigo gramado foi utilizado no local após ser instalado em meados de 2020.
“Essa última tecnologia de 7ª geração tem diferença em um dos fios. Ela era composta com três tipos de fios com almas (formas) diferentes. Cada fio tem um tipo de formato. Tudo para melhorar a performance e chegar à igualdade do campo de grama natural. Foi feito um ajuste fino em um dos fios”.
“O Allianz tem uma grande quantidade de shows, então o campo precisa ter uma memória, a grama voltar para posição original. Estamos com uma tecnologia mais avançada, seguindo toda certificação do novo manual, de 2024, da Fifa. Será o primeiro campo seguindo o novo manual de 2024 no Brasil”.
“Nós instalamos a grama em 2020 e estamos colocando a nova versão agora. E a grama que tiramos de lá tinha altura de 50mm e segue igual. Sem desgaste algum”.
“O fio perdeu um pouco a memória e por conta disso, a Wtorre, com o Palmeiras, optou por um novo campo. Ele duraria mais, mas eles fizeram a coisa certa, colocando um novo gramado você garante ainda mais todos os resultados e acredito que essa nova versão dura tranquilamente seis anos e para mais. Mas fica a critério dos clientes”, finalizou o CEO.
Polêmicas sobre lesões no sintético
Alessandro Oliveira negou também que o gramado sintético do Allianz Parque gere mais lesões em atletas. Nos últimos meses, o piso artificial chegou a ser alvo de uma campanha de grandes nomes do futebol brasileiro, além de ter sido mote de discussões públicas entre Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Luiz Eduardo Baptista, do Flamengo, que tem se mostrado publicamente contrário ao uso do sintético.
“A gente tem acompanhado com o departamento científico do Palmeiras que não teve nenhuma lesão causada pelo gramado. Quando alguns presidentes falam sobre isso é meio leviano. Todos os gramados com certificação, os testes de lesão são muito rigorosos. A chance de ter uma lesão no sintético com quality pro é praticamente zero. A Fifa vem e aplica os testes. Um dos testes é uma chuteira com um torquímetro que faz tração e rotação, vê se o cravo trava a chuteira, tem teste de absorção de impacto, são muito rigorosos”.
“Se o Palmeiras tivesse sofrido com lesões não estaria trocando o campo por um sintético. Ele migraria para a grama natural ou para um outro sistema. Seria leviano colocar grama sintética quando traz lesão aos jogadores. Isso caiu por terra há muito tempo, não tem o menor sentido falar em lesão”.
Próximos jogos do Palmeiras:
São Paulo (C) - 01/03, 20h30 (de Brasília) - Campeonato Paulista
Vasco (F) - 12/03, 19h30 (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
Mirassol (C) - 15/03, 18h30 (de Brasília) - Campeonato Brasileiro
