<
>

Ex-parceiro de Jesus no Palmeiras virou ídolo e esperança de seleção na Europa

Cria das categorias de base do Palmeiras, Flamarion Jovino saiu praticamente desconhecido do Brasil antes mesmo de jogar profissionalmente. Depois de passar por vários países, o atacante virou um grande ídolo na Geórgia, país do leste europeu, e vive a expectativa de defender a seleção local.

O atual artilheiro da liga georgiana, com 13 gols em 18 jogos, nunca teve medo de mudanças. Aos 10 anos, ele saiu de casa para tentar a sorte no futebol e passou pelas categorias de base de Grêmio e Internacional, mas não conseguiu deslanchar. Em seguida, defendeu o Cerâmica-RS e o São José-RS.

Conteúdo patrocinado por Betfair, Motorola, Claro, Ford e Corega

Flamarion despertou o interesse do Palmeiras após ser destaque na Copa Votorantim, torneio realizado no interior de São Paulo. Em seguida, mudou-se aos 15 anos para o clube alviverde, no qual ficou por quatro temporadas.

"Joguei ao lado do João Pedro (lateral-direito) e do Carlos Vinícius (atacante do Fulham), que era zagueiro naquela época. Fiquei muito feliz por ele e surpreso porque mudou de posição e está no melhor campeonato do mundo", disse ao ESPN.com.br.

"Minha base toda serviu para me tornar o jogador que sou dentro de campo e fora também. A gente jogava antigamente menos torneios. Agora está melhor para os garotos".

Um dos melhores momentos do atacante foi no torneio sub-19 realizado em Dusseldorf, na Alemanha. Ele fez um gol na vitória alviverde por 2 a 1 sobre o Borussia Dortmund. Além disso, foi semifinalista da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2015 - caiu para o Botafogo-SP - sendo parceiro de ataque de Gabriel Jesus, hoje no Arsenal.

"Fico muito feliz ao ver um companheiro fazer tanto sucesso. Ele estava voando no time sub-17, fez muitos gols e subiu para jogar com a gente no sub-20. Todos já o viam com muito talento, mas ele evoluiu muito rapidamente. Em pouco tempo já estava no profissional", recordou.

Apesar de ter feito vários treinos com o elenco principal, Flamarion ouviu da diretoria do Palmeiras que deixaria o clube. Pouco tempo depois, ele conversou com um empresário que o levou para a Europa.

"Saí pela porta da frente e eles foram muito transparentes comigo. O problema é que ainda não havia jogado profissionalmente e era difícil conseguir um time. Tive que tomar uma decisão difícil".

Ídolo na Geórgia

O jogador assinou contrato com o FK Lovcen, de Montenegro, e treinou no Standard de Liège e no Gent, ambos da Bélgica, por meia temporada.

"Consegui amadurecer muito rápido porque o nível era mais alto. Eu não tinha experiência profissional naquela época", disse.

De volta ao time montenegrino, o brasileiro atuou por alguns meses até ser contratado pelo Dinamo Batumi, da Geórgia. No começo, o atacante sofreu com algumas lesões e não conseguiu ter uma sequência de jogos. A equipe caiu para segunda divisão, mas Flamarion passou a jogar com frequência.

"Mudou tudo no clube e foi feito um trabalho muito certo. Subimos no ano seguinte como campeões e no segundo ano na elite já fomos vice! Depois disso, fomos evoluindo e estamos sempre nas primeiras posições da liga".

Ele teve dificuldades até se acostumar com a neve, o idioma local e a solidão. Com o passar do tempo, se adaptou ao país e até se casou com uma georgiana - tem uma filha nascida no país.

Flamarion, que venceu a liga local duas vezes, já foi artilheiro e melhor jogador da competição.

"A torcida sempre apoiou o clube em todas as situações. O amor foi crescendo e criei um vínculo forte".

Com tanto sucesso, o atacante recebeu o passaporte e foi convidado para defender a seleção georgiana. O único entrave, no entanto, é que o jogador deveria atuar cinco anos seguidos no país. Porém, em 2021, ele foi emprestado por uma temporada ao Rotor Volgograd, da Rússia.

A federação tenta regularizar a situação do brasileiro alegando que ele não havia sido cedido de forma definitiva.

"Só depende da Fifa. A Geórgia é uma segunda casa para mim e poder representar o país seria ótimo".

Mesmo sabendo o risco de perder a chance de jogar pela seleção, o atacante diz que não poderia recusar a chance de jogar em uma liga mais desenvolvida e receber um salário melhor.

"Pude mudar a minha vida e consegui comprar a minha casa. Quando voltei ao clube a minha situação melhorou muito financeiramente porque passei a ter um tratamento diferente. Além disso, agregou muito para a minha carreira".

O jogador, que tem contrato até o final do ano com Dinamo Batumi, deverá alçar voos mais altos em breve.

"Tenho o sonho de jogar em uma grande liga na Europa. Penso em jogar um dia no Brasil, mas não agora. Meu contrato termina no final do ano e entramos em acordo que não vamos renovar porque quero outros desafios. Já conquistei tudo que poderia no clube. Meu trabalho foi concluído. Será bem difícil continuar por aqui", finalizou.