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Gol 'sem fair play' em Liverpool x Palace foi legal? O que diz a regra e as opiniões de quem viu lance de perto

O Liverpool venceu o Crystal Palace por 3 a 1 neste sábado (25), pela 34ª rodada da Premier League, com brilho do goleiro Freddie Woodman, 3º goleiro que foi titular na partida após as lesões sofridas por Alisson e Mamardashvili.

O duelo, no entanto, ficou marcado pela polêmica envolvendo o gol dos Eagles.

Aos 26 do segundo tempo, Woodman fez mais uma boa defesa e acabou indo ao chão depois de prender a chuteira no gramado, pedindo atendimento. O lance, contudo, não foi paralisado pelo árbitro Andy Madley.

Daniel Muñoz, lateral do Palace, aproveitou e mandou para o fundo das redes por cobertura.

Segundo Renata Ruel, comentarista de arbitragem da ESPN, três pontos precisam ser citados para a análise em relação ao lance:

  • muitas vezes fica difícil saber se a lesão é grave ou não;

  • o Fair Play deve partir dos jogadores e não do árbitro;

  • o goleiro faz um gestual que sentiu algo.

“A regra em si, não impede do árbitro permitir que o jogo continue e valide esse gol”, apontou Ruel. “Entretanto, o livro de regras traz que nem todas as possíveis ocorrências de um jogo estão previstas e nesses momentos deve prevalecer o espírito do jogo. Isto é: o que o futebol deseja ou espera em relação àquele lance?”.

“Partindo deste princípio, normalmente o futebol espera que, caso o goleiro se lesione, o árbitro pare o lance para analisar o que aconteceu ou que os jogadores pratiquem o Fair Play. Desta forma a jogada deveria ter sido paralisada antes de sair o gol”.

O colombiano Daniel Muñoz acabou vaiado a cada toque na bola em Anfield, chegando até a receber uma bolada vinda da arquibancada enquanto se preparava para uma reposição.

Depois da partida, o lateral Robertson, do Liverpool, minimizou o incidente.

“Acho que ele não levantou a cabeça. O Woody caiu, tentou se levantar e caiu de novo. O Muñoz estava olhando para baixo, tentando se concentrar em chutar a bola. Na minha opinião, o árbitro deveria ter parado o jogo, mas os goleiros são protegidos demais pela arbitragem. Felizmente, fomos nós que marcamos o gol depois, e não eles”.

Oliver Glasner, treinador do Crystal Palace, também saiu em defesa de Daniel Muñoz.

“Foi uma situação difícil porque ele [Woodman] fez uma grande defesa, mas a bola sobrou para o Muñoz. Tudo acontece muito rápido. Ele poderia ter continuado o jogo até o final e é por isso que achamos que foi a decisão certa. Acho que foi correto”, disse o treinador.

“Ele faz a defesa, tenta se levantar e levanta o braço, mas o Muñoz já estava finalizando. Se tivesse batido a cabeça, o jogo teria que ser interrompido. Acho que foi a decisão certa”.

“Já joguei contra um time várias vezes e um jogador cai no chão e o árbitro apita. Aconteceu contra o Manchester United quando Mac Allister estava no chão, o jogo continuou e ele precisou de cinco pontos depois. O árbitro deveria ter parado a partida”, disse Arne Slot, técnico do Liverpool.

“Vai virar uma tática fingir lesão para o árbitro parar o jogo. Ele fez isso umas quatro vezes hoje. Sobre o Muñoz, acho que é 50/50, porque alguns jogadores não teriam chutado. Alguns teriam parado e outros teriam marcado. Não o culpo tanto quanto culpo o árbitro”.

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