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Abel responde o que mudou desde 1º ano no Palmeiras e cita até Ayrton Senna para se defender: 'Nem todos entendem'

Abel Ferreira é um dos grandes personagens da decisão da CONMEBOL Libertadores entre Palmeiras e Flamengo, que acontece neste sábado (29), às 18h (de Brasília), em Lima, no Peru.

O português chegou ao Verdão em 2020 e, desde então, empilhou taças, incluindo duas consecutivas do torneio continental. Com permanência encaminhada até dezembro de 2028, confirmada pelo próprio treinador, Abel revelou o que mudou desde sua chegada ao clube.

"Eu não mudei, o que mudou foi a forma como vocês me veem. Não fui eu que mudei. Não mudei absolutamente nada. Costuma-se dizer que a árvore que dá mais frutos é a que leva mais pancadas. Isso eu notei. Falei com grandes treinadores que conseguiram ter sucesso, e eles disseram para eu me preparar, porque ia precisar pagar um preço pelo que conquistei. E eu não mudei. Não mudei por ganhar mais títulos. A minha forma de ser e estar não mudou", revelou o treinador à ESPN, prosseguindo:

"A rivalidade dos dois clubes foi aumentando nos últimos anos pela forma com que o Palmeiras foi se organizando com muito menos recursos financeiros e através da sua organização interna, dos seus processos rigorosos, feitos de forma rigorosa e elaborada. Vocês ouviram várias vezes nossa presidente e o Barros dizerem que iam fazer uma gestão responsável, para aos poucos, continuar a crescer e solidificar a nossa parte desportiva, financeira, e o prestígio internacional que ganhamos nos últimos anos - não só pelas vendas e pelas compras que fizeram. Somos uma equipe que consegue ir para o exterior e negociar com clubes como o Barcelona, Real Madrid, Chelsea".

"Isso é prestígio. O trabalho do treinador não é só preparar a equipe e dar títulos, é ajudar em todos os processos de valorização do clube. Eu sou apenas uma peça. Crescemos muito a ponto de hoje estarmos sempre prontos para bater de frente e brigar por títulos. Com todo respeito, mas acho que os palmeirenses mais velhos, quando olham para a história do Palmeiras, melhor do que eu vão saber descrever melhor do que eu o que estamos passando".

O Palmeiras chega para a decisão sem vencer os últimos cinco jogos de Campeonato Brasileiro. Criticado por parte da torcida e da imprensa em alguns momentos, Abel Ferreira abriu o jogo à ESPN ao falar sobre seu comportamento intenso na beira do campo. O comandante do Alviverde citou Ayrton Senna para se defender e alegou "não ser possível agradar a todos".

"Tenho uma opinião diferente da sua observação (sobre ficar irritado). Estamos falando de 300 ou 400 jogos feitos de forma seguida. E quem tem filho sabe o quanto você não descansa, não dorme. Há momentos em que você está mais irritado do que em outros, e isso tem muito a ver com o descanso, com o sono, com a parte mental e emocional. Não tem nada a ver com o Abel do primeiro ano. Até acho o contrário: no primeiro ano fui muito mais criticado por alguns treinadores e pela imprensa, mas, a partir de determinada altura, vi que estava batendo em ponta de faca.

"As pessoas, muitas vezes, não entendem os meus apontamentos no sentido de melhorar o que deve ser melhorado. O futebol brasileiro tem um potencial imenso, não só pelos jogadores, mas também pelas pessoas, que são apaixonadas pelo futebol, mas ainda deve muito em organização".

"Não vou mudar o meu pensamento. Há jogos em que posso estar mais irritado, mas isso tem a ver com a falta de sono e descanso. Já disse isso várias vezes. E não é só comigo: é também com os jogadores e, porventura, com os árbitros. Assim como os jogadores, os árbitros têm que estar constantemente a tomar decisões. Esta é a minha opinião. Agora estou aqui calmo, e essa é a minha opinião.

"Não posso mudar porque alguns gostam e outros não. Sou extremamente competitivo e odeio perder. E vocês, brasileiros, tiveram um grande exemplo aqui, que foi um ídolo: Ayrton Senna. Vocês viram os últimos documentários dele. Havia o Senna e havia o Ayrton: o da família, humano, carinhoso, que ajudava; e havia o competitivo, que era capaz de ir contra o Prost só para ganhar o campeonato. É isso que às vezes tento explicar, mas nem todos entendem. Mas não estou aqui para agradar ninguém; estou aqui para fazer o meu melhor para que o Palmeiras vença. É isso que eu procuro fazer", concluiu o treinador.

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