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Marcelo Paz conta bastidores de terror no Chile e cobra vitória: 'Que a Conmebol decida que o Fortaleza é o vencedor'

O Fortaleza espera ser declarado vencedor da partida contra o Colo Colo, cancelada depois que torcedores do clube chileno invadiram o gramado do Estádio Monumental David Arellano.

Na noite desta quinta-feira (10), Colo-Colo e Fortaleza empatavam sem gols pela 2ª rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores quando torcedores dos donos da casa quebraram o alambrado e invadiram o gramado. A ira foi causada pela morte de dois torcedores no entorno do estádio antes de a bola rolar.

As cenas lamentáveis aconteceram aos 25 minutos do 2º tempo. Os dois times desceram para o vestiário, e o estádio foi esvaziado. A partida ficou paralisada por mais de 1 hora até a Conmebol oficializar que o jogo seria, de fato, cancelado.

Em entrevista à ESPN, o CEO do Fortaleza, Marcelo Paz, disse que está no regulamento da CONMEBOL que a responsabilidade quando acontece "quebra de segurança do jogo" é do mandante.

"Hoje eu vi muitas coisas que não se via no futebol há bastante tempo. A gente cresceu tendo uma imagem de Copa Libertadores há 20, 30 anos, com objetos atirados no gramado, pancadaria. A competição evoluiu, mas hoje vimos tudo de novo. Quebrar o vidro foi o estopim, sinalizadores foram acesos durante o jogo e o árbitro não parou, garrafa de whisky, torcedores passando de um lado para o outro no arame farpado, atiraram pedras contra nossos torcedores. Coisas que fogem da questão esportiva. Culminou com o que aconteceu, é algo que nem sei o que falar. O jogo rolando e eles quebrando o vidro, entraram no gramado com pau, pedra, jogadores correndo porque não sabiam se eles eram os alvos", lembrou Paz.

"Isso não pode ser tolerado, a punição tem que ser pedagógica, porque se não outros clubes, outras torcidas, podem fazer o mesmo e não vai acontecer nada. Não dá para tolerar uma competição de alto nível, com grandes premiações, patrocinadores, deixar isso passar impune. Dentro de campo não houve nada, mas fora ficamos sabendo de duas mortes. Então fica esse apelo para que tenha uma punição exemplar", destacou.

"Nosso contato foi só com a CONMEBOL, não tivemos contato com os dirigentes do Colo Colo. O pedido inicial da CONMEBOL foi "Fortaleza não deixe o estádio, fique aqui, vamos avaliar se vai ter jogo". Eles deram a entender que poderia ter jogo, só pediram pra gente não sair do estádio, até por questão de segurança. Houve diálogo, ligações, até que se chegou ao bom senso que não tinha condição nenhuma de ter jogo", continuou.

"Espero que o Comitê Disciplinar da CONMEBOL decida que o Fortaleza é o vencedor da partida. Houve claro flagrante quebra de segurança do jogo. O regulamento da CONMEBOL diz que quando isso acontece a responsabilidade é do mandante. Tem que seguir o que está na regra até para não acontecer o mesmo em outras oportunidades", finalizou.

O que aconteceu

A partida entre Colo-Colo e Fortaleza, desta quinta-feira, pela 2ª rodada do grupo E da CONMEBOL Libertadores, foi oficialmente cancelada pela Conmebol após cenas lamentáveis aos 25 minutos da segunda etapa.

O jogo estava 0 a 0, quando torcedores chilenos quebraram o alambrado e invadiram o campo do estádio Monumental David Arellano, em Santiago.

Os torcedores do Colo-Colo quebraram o vidro que separa o campo da arquibancada e entraram em campo com objetos nas mãos. Alguns, inclusive, tiraram fotos com atletas do Colo-Colo.

Com a invasão, os jogadores do Fortaleza imediatamente correram para o túnel de acesso ao vestiário, e a partida foi paralisada por mais de 1 hora. Ninguém foi atingido e todos passam bem, assim como funcionários do clube cearense, que estavam no camarote do estádio.

A ESPN apurou com fontes na Conmebol que o duelo vai para a unidade disciplinar, sem ser possível que seja completado os 20 minutos restantes. E qualquer decisão sobre resultado, punições ou algo do tipo serão tomadas de acordo com base na documentação do regulamento da competição. Momentos depois, a entidade que controla o futebol no continente se manifestou explicando os próximos capítulos sobre o caso.

O que diz a Conmebol

''Informamos que, em virtude da ausência de garantias de segurança por parte parte do clube local e das autoridades de segurança locais para garantir a Continuação da partida entre Colo Colo (CHI) e Fortaleza (BRA) pela Fase de Grupos da CONMEBOL Libertadores 2025, a referida partida está cancelada. Considerando que todos os processos estabelecidos no Manual dos Clubes foram seguido, o caso será remetido aos Órgãos Judiciais da CONMEBOL para futuras determinações. Todas as informações sobre os eventos que ocorreram dentro e fora do estádio será encaminhado ao Comitê Disciplinar da Confederação Sul-Americana de Futebol''.

Clima hostil antes de a bola rolar

O clima do jogo já era hostil antes mesmo de a bola rolar. Dois torcedores do Colo-Colo morreram atropelados por um veículo policial nos arredores do estádio. Tal episódio teria motivado a ira dos chilenos dentro do estádio ao longo da partida.

Principal organizada do clube chileno, a 'La Garra Blanca', utilizou as redes sociais para se manifestar sobre o corrido. E trataram a invasão como 'vingança' após dois torcedores terem morrido atropelados pela polícia no entorno do estádio.

Segundo a organizada, 'duas vidas valem mais do que três pontos' e 'a polícia faltou cumprir protocolos'.

''O futebol nunca estará acima da vida das pessoas. Antes da partida de hoje contra o Fortaleza, dois torcedores (de 18 e 14 anos) foram atropelados por uma viatura da polícia com gás lacrimogêneo'', diz a nota oficial.

''Não permitiremos que o show esconda a gravidade deste incidente: DOIS MENORES ASSASSINADOS por esses policiais uniformizados. Eles ignoraram completamente os protocolos, se é que os têm'', diz outro trecho do informativo.