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Tumultos, prisões e 'apelo': o balanço das confusões entre torcedores de Fluminense e Boca antes da final da Libertadores

Enquanto Boca Juniors (ARG) e Fluminense ajustam os últimos detalhes para a grande decisão da CONMEBOL Libertadores, o Estado do Rio de Janeiro se movimenta para conter a tensão e evitar que novos casos de conflito entre torcedores aconteçam.

Na quinta-feira (2), uma briga entre membros das torcidas dos dois finalistas terminou com um detido na praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O episódio aconteceu próximo à área da FanZone, estrutura montada pela CONMEBOL para receber torcedores presentes na Cidade Maravilhosa para a decisão continental, no Posto 2 da praia de Copacabana.

A Polícia Militar deteve um torcedor argentino, que arremessou um objeto no pescoço de um dos policiais. Entretanto, o mesmo foi liberado depois de assinar um termo circunstanciado.

"De imediato, os agentes realizaram um cerco na área, controlaram a situação e dois homens, turistas argentinos e um terceiro homem, brasileiro, foram conduzidos à 12 ª DP", disse a PM, em nota. Segundo apurou a ESPN, o brasileiro foi à delegacia para prestar queixa de racismo, mas não finalizou a ocorrência. O argentino foi, assim, liberado.

Também de acordo com a Polícia Militar do RJ, um novo tumulto aconteceu durante a noite na Avenida Atlântica, na Zona Sul da cidade, com outros quatro torcedores argentinos detidos.

Segundo a assessoria de imprensa da PM, "o policiamento no local está reforçado com policiais do batalhão do 19ºBPM, do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (RECOM), do Batalhão de Polícia de Choque, Polícia Montada e com aeronaves fazendo patrulhamento aéreo".

Para esta sexta até o sábado, dia da decisão, as autoridades têm preocupação, novamente, com a área da praia de Copacaba, mas também com os arredores do Sambódromo, local destinado para receber a maioria dos torcedores argentinos.

CONMEBOL se posiciona sobre brigas

Os acontecimentos geraram uma manifestação formal da CONMEBOL, que foi às redes sociais para uma convocação a xeneizes e tricolores.

"A CONMEBOL faz um chamado aos torcedores do Boca Juniors e do Fluminense FC a compartilharem juntos momentos de alegria e celebração que o nosso futebol nos proporciona. Os valores do esporte que tanto amamos devem inspirar um comportamento pacífico e harmonioso. Portanto, repudiamos quaisquer atos de violência e racismo que possam ocorrer no contexto desta final".

Na véspera da decisião, está prevista reunião do Conselho da entidade. O ato, porém, já estava previsto desde sempre e não tem a segurança entre as pautas - também não houve qualquer encontro de emergência.

A situação, no entanto, é usada pelo Boca, principalmente por pessoas ligadas à "barra" do clube, como pressão nos bastidores. A CONMEBOL, porém, não trabalha com qualquer possibilidade de adiamento, troca de local, estádio fechado ou outra alteração para a decisão.

No entendimento da entidade, ainda que auxilie as autoridades, o entendimento é que a segurança nas ruas do Rio é responsabilidade do poder público. A CONMEBOL cuida da logística do próprio Boca, entre hotel, CT, estádio e seus deslocamentos.

Véspera da final tem fiscalização nas estradas

Além das ações no Rio de Janeiro, a véspera da decisão da CONMEBOL Libertadores contou com a fiscalização nas estradas por parte da Polícia Rodoviária Federal diante da chegada dos ônibus com torcedores do Boca Juniors.

Os coletivos deixaram a Argentina nos últimos dias em direção ao Brasil, muitos deles através da BR290, via a cidade de Uruguaiana. A operação, de acordo com a PRF, acontece no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Durante a fiscalização os Policiais Rodoviários Federais abordaram ônibus argentinos, além de outros veículos de passeio, com torcedores do Boca Juniors que tinham como destino o Rio de Janeiro. Os veículos foram vistoriados e os torcedores foram revistados. Após a fiscalização os veículos e seus passageiros foram liberados”, divulgou a Polícia Rodoviária Federal.

O órgão revelou ainda que prendeu um argentino que dirigia sob efeito de drogas e álcool na BR 290. Segundo comunicado da PFF, o torcedor “estava descontrolado, tendo entrado em luta corporal com os outros quatro torcedores que viajavam junto”, afirmou a assessoria da Polícia Rodoviária Federal, indicando ainda que porções de Skunk foram encontradas dentro do veículo.

“Após receberem denúncia de uma briga que estaria ocorrendo dentro de uma Amarok que deslocava em direção a Porto Alegre, os policiais abordaram o veículo. O motorista, visivelmente alterado, estava machucado e agredindo os outros quatro ocupantes”.

“No carro havia cerca de 10 gramas de Skunk. Os homens disseram aos policiais que vinham da Argentina para o jogo do Boca Juniors, e que o motorista havia consumido cocaína e ingerido bebida alcoólica durante a viagem”.

“Eles foram conduzidos para a delegacia pela posse da droga, que foi apreendida. O motorista foi autuado e preso por dirigir sob influência de álcool e substância entorpecente. O carro foi liberado para um motorista habilitado”.

A Polícia Rodoviária Federal divulgou ainda que outros 42 ônibus foram fiscalizados na fronteira em Foz do Iguaçu (PR). “A estimativa é que até o momento já tenham passado cerca de 2100 passageiros e ainda irão passar mais mil torcedores pela aduana”, divulgou a PRF.

Onde assistir Boca Juniors x Fluminense pela Libertadores?

Boca Juniors e Fluminense se enfrentam no dia 4 de novembro, às 17h, no Estádio do Maracanã, pela decisão da CONMEBOL Libertadores, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.