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Copa do Rei: Como ex-Miss Brasil foi de reality show na Guatemala a amuleto do Huesca

A brasileira Vanessa Crippa é casada com o atacante camaronês Patrick Soko e documenta a boa fase do marido Getty Images/Reprodução: Acervo Vanessa Crippa

O Huesca, da segunda divisão espanhola, recebe o Betis de Vitor Roque no Estádio El Alcoraz pela Copa do Rei neste sábado (04), às 11h30, com transmissão ao vivo no Disney+. Os mandantes vivem de fase invicta, com 7 jogos sem perder em sequência.

Dentro de campo, Patrick Soko se destaca com 4 tentos nas últimas 4 partidas, mas, nas arquibancadas, a craque do time é sua esposa, a brasileira Vanessa Crippa, e sua chuteira da sorte, com salto alto e tudo.

Vanessa é natural de Curitiba, Paraná, no Brasil, mas sua família, de origem humilde, residia em Pinhais, na região metropolitana da capital do estado. Ainda adolescente, aceitou um emprego como panfleteira para ajudar a viver uma paixão com seu pai: o Athletico-PR.

“Falou de infância já vem o futebol e já vem o meu pai, porque graças a ele que eu conseguia ir no estádio porque a gente vem de uma família simples e, na época, época boa, que o Sócio Furacão do Athletico-PR era R$ 50. Aí eu comecei a trabalhar de panfleteira quando era adolescente ali por 15 anos mais ou menos e aí eu conseguia pagar o meu sócio pra eu ir no jogos com meu pai”, relembra Vanessa.

“Quando você vem de família simples é a única forma ali de entretenimento que a gente tem um pouco mais de acesso. Nossa vida era bem complicada, passamos muita dificuldade, só que no estádio era um momento que a gente esquecia de tudo.”

Hoje, Vanessa, uma brasileira, reside na Espanha e é casada com o atacante Patrick Soko, um camaronês. Ela chamou atenção nas redes sociais ao documentar a boa fase do marido, que tem 6 gols e 1 assistência em 21 jogos na temporada, e a rotina que o casal leva em torno do futebol.

“Meu Deus, parece que eu quem vou jogar, porque eu fico muito nervosa. Dependendo do jogo, eu passo nervoso, não consigo dormir e já acordo agitada. Geralmente, vou pra academia de manhã, mesmo gostando de ir à tarde, mas no dia do jogo eu vou de manhã porque não quero ficar com essa energia também nervosa perto dele. Vou malhar, corro, suo um monte para chegar em casa mais tranquila.”, explica Vanessa sobre sua rotina em um dia de jogo do Patrick.

“Eles, aqui na Espanha, vão fazer alongamentos e ativação no dia do jogo também. Quando o jogo é de noite, então ele acorda e já sai pra treinar. Quando nós voltamos, a gente almoça, e ele faz a siesta, que aqui na Espanha é muito popular, que é aquela sonequinha da tarde. Quando acorda, ele já medita. E eu faço um lanchinho da tarde para ele com com o que a nutricionista passa para dar energia para conseguir correr. Soko faz todo o ritual dele e sai. E agora, como está frio, eu saio depois, porque às vezes a sensação térmica chega a -5º graus. Aí fico em casa esperando pra passar o menos frio possível”, explica Vanessa.

“Mas para mim o dia do jogo parece que sou eu quem vai jogar, porque fico me preparando, meditando e eu gosto muito de fazer os vídeos. Então, já me arrumo bem antes. Se o jogo é 21h, 15h eu já tô começando a me arrumar para poder gravar e soltar tudo ali em tempo real”, finaliza.

Só que é no estádio mesmo que o casal chama a atenção. Dentro de campo, Patrick vive sua fase artilheira, enquanto, nas arquibancadas, Vanessa se torna um verdadeiro talismã, sendo vista como a responsável pela grande fase do marido, tudo por um item que chama muita atenção: as chuteiras de salto alto.

Sobre sua rotina já nos estádios, Vanessa explica: “Em relação aos ingressos, a família tem um cartão para a gente entrar e, quando termina o jogo, agora que o time está bem, eles deixam a gente entrar no campo. A gente entra, só os familiares, e fica esperando eles numa salinha com um aquecimento porque também tá fazendo muito frio, mas é bem normal.”

Já sobre o grande amuleto do casal, Vanessa relembra como o calçado, a tal chuteira de salto, chegou na vida deles:

“A chuteira ela está no seu momento de descanso, porque vieram as férias”, diz a brasileira, relembrando da pausa no futebol da Espanha, “Todo mundo achava feia, todo mundo criticou. Ela tem uma história muito parecida com a nossa inclusive, foi muito criticada, mas depois foi aclamada. A primeira vez que eu ganhei eu chorei, porque eu acho a minha cara, porque é uma mistura de futebol e moda.”, relembra.

“E aí, quando eu fui no primeiro jogo com a chuteira, eu falei assim: vamos ver se dá sorte, porque eu sou supersticiosa também. E aí começou. Fui com a chuteira, gol do Patrick, e vitória do time (Ibiza, onde Patrick estava emprestado pelo Huesca). Aí, não fui (em outro), porque eu tinha dó de usá-la, então eu parei de usar uma época, aí o time começou a perder, ficou dois meses sem ganhar. Falei assim: 'vou colocar a chuteira para ver o que que dá': fim dos dois meses sem ganhar. Pronto foi assim aí na final, eu tinha feito um um look de um vídeo que viralizou e não era com a chuteira. Aí eu falei 'vou com esse look, pois o time perdeu, fomos eliminados dos playoffs da terceira divisão'”, conta Vanessa.

“Vieram as férias e, na volta, quando a gente chegou em Huesca, as minhas amigas daqui, que eu já conhecia do ano que ele já tinha jogado aqui falaram: olha, vamos colocar essa chuteira aí porque esse ano a gente precisa ir bem. Não fui no primeiro jogo. Quando eu decidi ir, foi o primeiro gol dele na no futebol profissional, porque aqui na Espanha eles não consideram profissional a 3ª divisão. Foi aí nesse dia que a chuteira estreou que ele conseguiu fazer o primeiro de vários gols dele em LALIGA 2 e aí se consolidando de vez. E até hoje ela segue invicta e, em todos os jogos que eu usei a chuteira, o Patrick fez gol. Nem sei explicar mas foi assim.”

Apesar do sucesso do amuleto hoje, tanto com os seguidores de Vanessa quanto com os torcedores do Huesca, ele não chegou facilmente aos pés da brasileira, como relembra Patrick: “Quando ela veio me dizer: 'Patrick, eu gostei dessa chuteira'. Eu disse: 'Vanessa, que chuteira mais feia, com tantas chuteiras bonitas que existem, essa é a que você quer? E ela me disse que sim'. Eu disse que não ia dar de presente, mas quando vi que ela gostou de verdade, eu escondi o celular e gravei a reação dela ao ganhar a bota.”

Hoje, o adereço se torna indispensável nos jogos do Huesca, como aponta Patrick, o alvo da sorte emanada pelo calçado: “Agora em todas as partidas as amigas dizem: Vanessa, leva a chuteira”. Vanessa concorda e revela: “Até torcedor me manda no Twitter e fala: pelo amor de Deus, vai com a chuteira, hein? Se não der para ir, leva na bolsa, e eu descobri que também funciona quando eu levo na bolsa, então a contratação do ano não vai ser o Patrick, vai ser a chuteira.”

A chuteira, entretanto, é só um ponto no final de uma longa história entre Patrick e Vanessa, que, na verdade, começou muito longe da Espanha.

Uma história de amor

Assistindo ao conteúdo de Vanessa nas redes sociais, uma pergunta bastante justa pode surgir: como uma brasileira conheceu e começou a se relacionar com um camaronês que só jogou na República Dominicana, no México e na Espanha? Para responder essa pergunta, primeiro é preciso entender a trajetória de vida da curitibana.

Vanessa sempre teve uma conexão muito próxima ao futebol, principalmente graças ao Athletico-PR e ao seu pai. Entretanto, um segundo esporte ocupava o lugar de ‘sonho’ em sua vida: o vôlei. Então, a curitibana, que teve seu primeiro emprego como panfleteira, tentaria a sorte como jogadora, mas essa seria apenas a primeira página de sua história.

“O meu primeiro sonho na minha vida foi jogar vôlei. Eu era jogadora de vôlei desde a infância até a adolescência. E aí quando chegou na época de estudar na faculdade para continuar jogando, porque o que geralmente acontece com as atletas assim que não saíram para fora do país ou conseguiram uma com um time super bom. Quando chegou nesse ponto, estava tudo certo, só que eu machuquei o ombro na época e além do ombro que nem era uma coisa tão grave na época, mas o meu mental estava completamente desestabilizado por causa de situações familiares”, relembra.

“E ali eu desisti desse sonho”, explica Vanessa, que prossegue: “E nisso eu comecei a trabalhar de panfleteira, porque foi o primeiro trabalho assim que apareceu, que eu ia conseguir fazer. Não consegui dar continuidade ao estudo, porque o meu pai na época não tinha condição de pagar uma faculdade pra mim como eu perdi essa bolsa, então eu comecei a trabalhar, trabalhava de tudo, panfletagem, já me vesti daqueles bichos que ficam no posto de gasolina mandando povo entrar, já fiz evento, já construí estande. E nisso dos eventos eu fui crescendo conhecendo as pessoas”.

E então Vanessa entraria na próxima fase de sua vida: a de miss e modelo. Graças à nova carreira, a brasileira começaria a rodar o mundo e conhecer cada vez mais pessoas, o que, eventualmente, inclusive a faria colecionar histórias.

“As pessoas gostavam do jeito que eu trabalhava, sempre bem humorada, não tinha tempo ruim e foram me chamando para os eventos maiores até que apareceu o negócio de concurso de miss”.

E assim, Vanessa acabaria sendo eleita a Miss Brasil em 2015, tendo inclusive recebido uma viagem para a Tailândia de prêmio. A Brasileira ainda passaria por países como China e Turquia, onde teve ninguém menos que Ronaldinho Gaúcho em seu aniversário, antes de, acidentalmente, ser aceita em um reality show na Guatemala. E foi justamente nessa época em que Vanessa recebeu um convite que mudaria sua vida: o de comemorar o aniversário de uma amiga, a Miss México, em Cancún. E foi lá, em uma festa, onde conheceu Patrick, na época atleta do Atlante.

“Nessa festa, minha amiga começou a tentar me distrair. Aí ela foi e pediu para o DJ tocar ‘Rebeldes’, depois ela comprou uma bebida que piscava. Depois, já não tinha muito que fazer, foi nisso que ela viu o meu futuro marido vindo ela falou assim: Ah, vou falar para esse menino falar com ela, ele é bonito, e ele falou: 'não, obrigado'. Foi no bar, mas ficou lá uma meia hora, e ela não falou com mais ninguém, quando ele volta, ela pega na mão dele de novo. Quando me viu lá dançando, diz ele que me viu em câmera lenta, parecia um anjo, e a gente conversou a noite toda. Aí no outro dia ele falou comigo e depois disso a gente não passou nenhum dia sem se falar.”, relembra.

Já na Espanha, Patrick jogou primeiro no Racing Santander, aproveitando sua oportunidade no velho continente e tendo boas performances. Em seguida foi para o Huesca, seu atual time, jogando um ano pela equipe antes de ser emprestado para o Ibiza, retornando neste ano e, agora, vivendo fase goleadora inspiradíssima.

Sobre seu rendimento de quatro tentos em quatro jogos, o camaronês explica o que foi importante para colocá-lo nessa boa fase: :“Eu, hoje, na verdade me sinto muito bem porque já não é coincidência que eu esteja assim. Eu acredito que venho trabalhando há muitos anos para estar nesse momento, sobretudo eu trabalhei muito a cabeça, acreditando e tendo fé que tudo pode acontecer. E, agora, eu jogo todas as partidas sem esperar nada, só, por exemplo, fiz quatro gols em quatro partidas, eu nem me dei conta disso, o que eu queria era fazer bem as coisas, ajudar a equipe, estando bem, marcando ou não, para mim o mais importante é a equipe e, pensando assim, venho apenas tendo sucesso, porque se a equipe está bem, todos estão bem”.

Hoje, retornando das férias com Vanessa, Patrick já se prepara para enfrentar o Real Betis, de Vitor Roque, como explica: “Todo mundo está de férias, tivemos só dois dias de férias, fomos às montanhas ver a neve e voltamos, e assim que voltamos, fui treinar, porque começamos os treinamentos no dia 30, mas eu já treinei ontem e hoje, para mim, a minha preparação já começou, porque eu penso no futebol quase a todos os momentos”.

Quanto às previsões para a grande partida, ele é sincero: “E contra o Betis eu creio que vai ser um grande jogo, muitos torcedores, porque os ingressos se esgotaram, (o estádio) vai estar cheio, porque o Betis é um grandíssimo time. Espero que eu possa jogar nessa partida, porque na Copa eu ainda não joguei de titular, mas estou preparado para o que vier, se eu fizer gol, ótimo, se eu não marcar e a equipe vencer, estarei feliz”, finaliza.