Quando Thomas Ravelli defendeu o pênalti cobrado por Miodrag Belodedici e classificou a Suécia, o sonho romeno de alcançar as semifinais da Copa do Mundo de 1994 chegava ao fim.
Comandada por Gheorghe Hagi, a Romênia foi a grande sensação do Mundial nos Estados Unidos, em uma campanha que transformou o meio-campista em um dos destaques da competição. A partida seguinte seria contra o Brasil, que eliminara na véspera, de maneira dramática, a Holanda.
O jogo que jamais aconteceu permanece no imaginário romeno. Não apenas dos torcedores, mas da família Hagi.
Gheorghe se tornou o maior nome na história do futebol do país. Após a Copa assinou com o Barcelona e dois anos depois se transferiu para o Galatasaray, onde foi fundamental no maior título do gigante turco, a Copa da UEFA de 2000.
Foi nesse período em que se tornou pai de um menino. Ianis nasceu em 1998, na capital Istambul. Cresceu ouvindo as histórias do pai e alimentando o sonho de seguir sua trajetória.
Na academia de futebol criada por Gheorghe Hagi na Romênia, Ianis deu os primeiros chutes e provou que tinha talento. Virou jogador profissional no país, passou por Genk (Bélgica), Rangers (Escócia) e atualmente defende o Alavés, na Espanha. Até hoje se lembra das conversas com o pai sobre 1994.
"Era um dos assuntos sobre os quais mais conversávamos na minha infância. Assisti a todos os jogos. São grandes lembranças não apenas para minha família, mas para todo país", relembra em entrevista exclusiva à ESPN. "Infelizmente, eles não conseguiram alcançar as semifinais para jogar contra o Brasil. Provavelmente teria sido um dos melhores jogos na história das Copas do Mundo".
A Romênia garantiu vaga na próxima Eurocopa, mas não disputa um Mundial desde 1998, justamente o último de Gheorghe. Ianis sonha com o jogo que jamais aconteceu.
"Tomara que estejamos na próxima Copa do Mundo, e por que não enfrentar o Brasil? Conseguir aquele jogo que, provavelmente, toda Romênia esperava em 1994 e não aconteceu. Espero que um dia possamos jogar contra o Brasil".
Legado do pai
Carregar o sobrenome do maior ídolo romeno e uma lenda do futebol não é fácil, mas o jovem atacante, de 25 anos, lida bem com a situação.
"Claro que as comparações sempre existem, mesmo olhando para o futuro sei que elas sempre acontecerão. Tento tirar o melhor disso, usar como vantagem. Como uma pressão positiva, de maneira motivacional, me tornar melhor. Meu pai me mostrou que tudo na vida é possível. Ele triunfou no mais alto nível, é um exemplo para mim. Então, por que eu deveria me esconder disso, fugir disso, quando tenho o melhor exemplo possível dentro de casa?", garante.
Emprestado pelo Rangers, Ianis ainda está se adaptando ao estilo de jogo do Alavés, apesar de se sentir muito mais à vontade no futebol espanhol.
"Se eu comparar as duas ligas, aproveito muito mais LALIGA, acho que se adapta melhor a mim. LaLiga extrai minhas melhores qualidades", diz o atacante, que até aqui soma dois gols e uma assistência em 14 jogos pela equipe basca.
Nesta quinta-feira (21) o Alavés recebe o Real Madrid no estádio Mendizorrotza, em Vitoria-Gasteiz, no norte da Espanha, para a despedida de 2023.
"Mostramos nesta temporada que podemos competir contra os times grandes de LaLiga. Estivemos muitos próximos de conseguir bons resultados contra Barcelona e Atlético de Madrid", falou o romeno, referindo-se às derrotas por 2 a 1.
Com a mesma mentalidade que fala sobre a responsabilidade que carrega pelo legado do pai, se mostra preparado para o desafio contra o Real Madrid. "É um time completo. Obviamente muito técnico, mas ao mesmo tempo com jogadores muito físicos também. Temos que respeitá-los, mas também temos uma casa para defender".
Onde assistir a Alavés x Real Madrid?
Alavés x Real Madrid, por LALIGA, terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ nesta quinta-feira, às 17h30.
