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Quase em rival, multa de trânsito e dedo de Rogério Ceni: como ex-São Paulo saiu do Penapolense direto para a Libertadores

Revelado no Corinthians, Silvinho foi um dos maiores destaque da surpreendente campanha do Penapolense no Campeonato Paulista de 2013. Em poucas semanas, o jovem saiu do quase anonimato para ser disputado por grandes clubes do Brasil.

"Meu nome começou a ser mais falado depois que perdemos por 2 a 1 para o Santos, que estava com o time completo, incluindo o Neymar. Disse aos meus empresários que gostaria de atuar no Santos por causa das minhas características de jogo curto e de habilidade. Seria ótimo, mas não recebi proposta deles", contou, ao ESPN.com.br.

A equipe do interior fez uma grande campanha e só caiu nas quartas de final do torneio após uma suada derrota por 1 a 0 para o São Paulo no Morumbi.

"Antes do jogo eu recebi uma oferta do Athletico-PR no hotel. O presidente Petraglia me ligou e estava tudo certo para ir. Depois da partida, achei que iria para Curitiba mesmo, mas o pessoal do São Paulo ligou para os meus empresários", recordou-se.

"No dia seguinte, o Penapolense me disse que precisava ir naquela hora porque o São Paulo queria me inscrever na Conmebol Libertadores. Pedi aos meus empresários para falarem com o Petraglia porque sou um cara de muito caráter. Não tinha dado a minha palavra, mas disse que gostaria de jogar lá. Mas era uma oferta irrecusável", admitiu.

Quando estava tudo certo para Silvinho ir ao Morumbi, outro clube entrou na jogada...

“Poucas horas depois que os meus empresários se acertaram com o São Paulo, o Santos ligou para me contratar. Mas como já tinha dado a palavra ao São Paulo, não fui”, contou.

Silvinho precisou deixar Penápolis às 13h30 para chegar em São Paulo por volta das 18h e assinar contrato para conseguir ser inscrito no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF a tempo.

“Foi uma loucura e até tomei uma multa porque entrei na faixa de ônibus em São Paulo senão ia me atrasar (risos)”, contou.

Assim que chegou ao hotel, onde a equipe tricolor estava hospedada antes de enfrentar o América-MG pela primeira partida das oitavas de final da Libertadores, o atacante encontrou com Rogério Ceni.

“O Rogério queria que eu já me concentrasse para ficar à disposição do time para o jogo, mas a diretoria queria fazer exames no meu joelho antes de me liberarem. Nisso, o Rogério falou: ‘Não entendo. Ele jogou contra a gente essa semana. Vocês querem fazer exame? Ele está bem’. Ele sempre me apoiou muito. Era um cara que sentava ao meu lado no ônibus e conversávamos muito”, contou.

Ele não entrou no jogo de ida, mas estreou no segundo tempo da volta, quando o São Paulo perdeu por 4 a 1 em Belo Horizonte e foi eliminado.

“Tive um começo bom de Brasileiro como titular com o Ney Franco, mas o time começou a perder uns jogos. Eu vinha do Penapolense e tinham jogadores que estavam há mais tempo e com salário maior. Eu e o Roni fomos tirados do time, mas íamos para os jogos. O Ney Franco acabou saindo depois do problema com o Rogério”, contou.

Pouco espaço com Muricy

Depois da saída de Ney, Paulo Autuori teve uma curta passagem pela equipe até que foi contratado Muricy Ramalho. Com a chegada do novo treinador, Silvinho perdeu espaço no elenco.

“Eu respeitava a filosofia do Muricy, mas não concordava. O Muricy gostava de jogadores com mais nome, isso nunca foi segredo para ninguém. Mas aprendi muito com ele”, contou.

“O grupo era muito bom no papel, mas ficamos em oitavo no Brasileiro e caímos na Libertadores”, afirmou.

Em 2014, o atacante resolveu sair do Morumbi.

“Tinha mais um tempo de contrato e me pediram para renovar, mas saí para a Ponte Preta para jogar. Eu não queria ficar apenas por ficar. Sempre gostei de jogar e me sentir feliz. Não estava feliz porque treinava para jogar. O Rogério falava que tinha que jogar, o Maicon, que virou meu grande parceiro, o Ganso e o Osvaldo também falavam que deveria ter mais oportunidades. Se fosse pelo melhor nos treinos, eu merecia. Mas nem sempre isso acontece”.

Apesar disso, ele guarda boas lembranças do São Paulo.

“Jogamos a Audi Cup conta o Bayern e o Milan. Lembro com carinho das brincadeiras no CT com todo mundo e pude atuar com muitos caras vitoriosos”, afirmou.

Campeão da Copinha

Natural de Rondônia, o atacante começou no Nacional-PR antes de chegar ao Corinthians. Parceiro na base de nomes como Lulinha, Dentinho e Éverton Ribeiro, o jogador foi campeão da Copa São Paulo de 2009, mas não foi aproveitado no time principal.

“Na verdade quase ninguém teve chance porque o Corinthians contratou muitos jogadores naquele ano. Só subiram Marcelinho, Boquita e Bertucci. Se fosse hoje em dia, iriam uns sete jogadores porque o clube não tem tanta verba e necessita mais da base”.

Para não ficar parado ou continuar no sub-20, ele foi emprestado ao Monte Azul-SP para jogar a Série A2 do Paulista.

“Sempre tive vontade de jogar e nunca fiquei preso por estar em algum clube. Foi uma grande oportunidade porque conheci o treinador Édson Soh, que gostou muito de mim. Por causa dele fui para o Penapolense, joguei bem e fui ao São Paulo. Tivesse ficado no Corinthians não sei o que teria acontecido”, contou.

Silvinho ainda passou por Bragantino e Comercial antes de ir ao Lask Linz, da Áustria. “Eu cheguei a fazer amistosos, mas não tive muitas chances. Em 2013, minha esposa estava grávida e quis voltar ao Brasil porque não vi o nascimento da minha filha. Eles foram bem corretos porque pedi para sair e eles me liberaram”, afirmou.

O jogador depois defendeu Penapolense, São Paulo, Ponte Preta, Criciúma, Joinville, Chapecoense, Paraná, Albirex Niigata-JAP até acertar com o CSA para a temporada 2021.