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Sandry chegou ao Santos depois de vídeo no YouTube, viagem de 30h com passagem só de ida e sacrifício do pai

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Sandry revela como um vídeo no YouTube mudou sua vida e o fez parar no Santos (0:59)

O volante de 18 anos falou com exclusividade ao ESPN.com.br (0:59)

O volante Sandry vem ganhando cada vez mais espaço com o técnico Cuca. O jogador de 18 anos é uma das principais apostas do Santos, que enfrenta a LDU-EQU nesta terça-feira, pelas oitavas de final da Conmebol Libertadores.

O jogo, que será realizado às 19h15 (de Brasília), terá transmissão ao vivo do FOX Sports e acompanhamento em tempo real, com vídeos de lances e gols, do ESPN.com.br.

Filho de Carlos Góes, um ex-jogador profissional, Sandry ganhou o nome por causa do ex-técnico Lori Sandri, que comandou Atlético-MG, Internacional e Athletico-PR, falecido em 2014.

"Minha mãe e meu pai estavam vendo um jogo na televisão, acharam o nome bonito me batizaram assim", contou o volante, ao ESPN.com.br.

Ele deu os primeiros chutes na bola no futsal em Itabuna-BA. Um vídeo com lances da promessa - então com 10 anos - jogando entre adolescentes de 16 anos chegou para Silton, um amigo que estava São Paulo.

“Precisávamos arrumar um jeito dos empresários me verem jogar. Minha prima tinha um celular melhorzinho e gravava meus jogos. A gente subiu no YouTube e chegou até o Silton, que levou para o Santos. A gente ficou aguardando a data para ser chamado para fazer o teste”, disse.

Como o convite não chegava, o garoto fez uma vaquinha com os amigos e conhecidos, incluindo o prefeito da cidade, para comprar uma passagem só de ida com o pai para Santos. Com o dinheiro curto, o pai de Sandry muitas vezes não comia para deixar que o filho se alimentasse na viagem de 30 horas de ônibus.

“Eu disse para o meu pai: ‘Pode deixar comigo que a gente não vai voltar’. Ele só comeu uma vez nesse tempo todo. Fomos por conta própria e o cara levou um susto quando chegamos (risos). Ficamos dois dias em São Paulo, mas não tinha data certa para fazer o teste. Me perguntaram sobre ir para o Palmeiras ou o São Paulo, mas eu preferi o Santos porque gostava de Neymar, Ganso, Robinho...”

“Depois que fiz a primeira peneira no Santos, o pessoal gostou de mim e queria que voltasse depois de um mês, mas não tinha dinheiro para voltar. O professor Abel Verônico falou para eu ficar mais uma semana treinando e fui aprovado!”, recordou.

O garoto morou por três meses em uma pousada, até alugar uma casa e trazer o resto da família que estava em Itabuna.

“O primeiro ano foi bem complicado porque não é fácil sair do interior da Bahia para Santos. Mudou tudo. Eu não jogava e nem era convocado para os jogos. Mas sabia que tinha qualidade e depois as coisas melhoraram”, afirmou.

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Sandry relembra chegada ao Santos: viagem de 30h, ajuda do prefeito e passagem só de ida

O volante de 18 anos falou com exclusividade ao ESPN.com.br

Xodó de Sampaoli

Companheiro de nomes como Rodrygo, Yuri Alberto, Giovanni Manson e Kaio Jorge, o jovem atuava mais avançado, até ser recuado para primeiro volante.

“Joguei em quase todas as posições na base, menos de zagueiro e de lateral-esquerdo. Foi importante porque aprendi a atuar em várias funções”.

A promoção aos profissionais aconteceu logo que o técnico Jorge Sampaoli foi contratado.

"Depois que joguei a Copa São Paulo de 2019, eu ia entrar de férias, mas me ligaram dizendo que íamos completar treinos por uma semana. Eu pensei: 'Uma semana nada, vou aproveitar essa oportunidade'. Eu botei na cabeça que iria continuar e aconteceu", disse.

Ele estreou no time de cima com apenas 16 anos, na vitória por 4 a 1 sobre o Bragantino, pelo Campeonato Paulista.

"Demorou para cair a ficha (risos). Para jogar no Santos precisa estar preparado para tudo. Os meninos aqui estreiam muito cedo mesmo e era meu sonho", contou.

"O Sampaoli me ajudou muito porque não estava tão acostumado a marcar. Ele disse: 'Você tem muita qualidade, mas, se não marcar, não vai jogar'. Ele me cobrava em todos os treinos”.

Após fazer mais uma partida – vitória sobre o Altos-PI pela Copa do Brasil – e ser elogiado pelo treinador, porém, foi afastado do restante do elenco enquanto não resolvia a renovação de contrato, que ainda era de formação e vencia em novembro. O garoto voltou a jogar pela base, mas logo em seguida foi treinar com os jogadores que não eram utilizados nos profissionais.

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Sandry desabafa sobre período afastado no Santos: 'Foi um dos piores'

O volante de 18 anos falou com exclusividade ao ESPN.com.br

Foram mais de sete meses de uma negociação arrastada, até que foi assinado em agosto um novo contrato com cláusula de rescisão de 100 milhões de euros (cerca de R$ 640 milhões) para times estrangeiros. Por ser o primeiro contrato profissional, o volante tem um vínculo de três anos, com renovação automática por mais dois.

"Foi um dos piores períodos, mas tinha na cabeça que queria ficar no Santos. Deu tudo certo porque já tinha esse pensamento".

Pouco tempo depois, Sandry foi campeão mundial sub-17 com a seleção brasileira. O volante, que costumava entrar no segundo tempo, disputou seis partidas na competição, menos a decisão.

Ao voltar para o Santos, ele ainda foi utilizado por Sampaoli na última rodada do Brasileiro. Ele entrou no final da partida – vencida pelo Santos por 4 a 0 – contra o Flamengo, na vaga de Carlos Sánchez.

"Mal deu tempo de entrar porque acabou o jogo assim que pisei em campo (risos). Pelo menos ganhei o ‘bicho’ [premiação por vitória]", contou.

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Sandry conta como virou xodó de Sampaoli: 'Era para treinar só uma semana nos profissionais, mas fiquei'

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Espaço com Cuca

Em 2020, ele jogou apenas duas vezes com o técnico português Jesualdo Ferreira, mas com a chegada de Cuca sua situação mudou.

"Por ser muito novo, sabia que uma hora a oportunidade iria aparecer e precisava estar preparado. Treinava e não abaixei a cabeça. O Cuca disse que todos teriam chances e sabia que uma hora iria me colocar".

Após dois meses sem atuar, ele participou de nove partidas – todas elas vindas do banco de reservas. No último jogo, contra o Sport, ele entrou no lugar de Jobson no começo do segundo tempo, na vitória por 4 a 2.

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Sandry diz que não desanimou no Santos: 'Sabia que a oportunidade iria aparecer'

O volante de 18 anos falou com exclusividade ao ESPN.com.br

“Como estou subindo da base, é importante pegar esses minutos em campo e ganhar confiança. Estou vivendo um sonho. Jogo no time do meu coração", falou.

O volante vive a expectativa de conquistar o primeiro título como profissional.

"Eu via a Libertadores na televisão e hoje estou jogando. Queremos vencer essa competição pelo Santos".

Sandry concilia a rotina de estudos - ainda está no colegial - com a carreira de futebol. Além disso, não tem carteira de motorista, mas já conseguiu realizar um dos sonhos: dar um carro de presente para a família.

"Meu pai me dá carona para treinos e todo o resto. Ele era volante e fica no meu pé fazendo marcação cerrada (risos)", brincou.