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Palmeiras: Reforço, atacante Breno Lopes superou infância difícil e timidez para brilhar no futebol

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O comentarista acredita que Scarpa atuando na frente de Viña pelo lado esquerdo pode render para o clube paulista (1:16)

Novo reforço do Palmeiras para o setor ofensivo, o atacante Breno Lopes, de 24 anos, vinha se destacando com muitos gols pelo Juventude, equipe pela qual ocupava a vice-artilharia da Série B desta temporada.

Antes de brilhar no futebol, porém, Breno teve que vencer muitos obstáculos na vida, como uma infância muito humilde e também as más influências, que carregaram alguns de seus amigos para o mundo do crime.

Nos últimos dias, a ESPN conversou com pessoas próximas ao atacante, que é conhecido por ser bastante introvertido e de poucas palavras.

Elas traçaram um breve perfil de quem é o novo jogador do Palmeiras e contaram algumas das peculiaridades do ex-Juventude, Athletico-PR, Figueirense e Joinville.

Confira algums curiosidades sobre Breno Lopes:

- Nasceu em Belo Horizonte, mas cresceu em Juiz de Fora, no bairro São Bernardo

- Viveu uma infância muito humilde ao lado do pai, da mãe, três irmãs e um irmão, e viu vários amigos entrarem para o tráfico de drogas - alguns, inclusive, já faleceram

- Sempre adorou jogar futebol desde criança, e entrou cedo na escolinha do Cruzeiro, aos 11 anos, ficando lá até os 16

- Sua posição favorita em campo sempre foi o ataque

- Com medo que Breno se machucasse, seu pai tentava impedir que o filho saísse para jogar bola na rua

- Seu pai foi o grande incentivador de sua carreira, cobrando sempre presença nos treinos da escolinha

- Apesar disso, seu pai tem fama de "durão" e reza a lenda que nunca fez um elogio ao filho, preferindo sempre cobrar melhoras e manter os pés de Breno no chão

- Deixou a escolinha do Cruzeiro aos 16 anos e foi para o time sub-18 do Cerâmica, no Rio Grande do Sul

- Em 2014, chegou ao sub-20 do Joinville e disputou a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Defendeu o clube até 2018

- Logo que chegou à base do Joinville, foi usado como opção de emergência no profissional e ficou no banco de reservas na final do Catarinense de 2014, contra o Figueirense

- Fez sua estreia profissional em 2016, contra o Guarani-SC, pelo Campeonato Catarinense

- Gosta de se adequar às necessidades do clube em que está e atua em posições diferentes se o treinador precisar (já jogou como ponta, meia e até lateral-direito)

- Considera treinos como "momentos sagrados", e prefere estilos de jogo em que a bola chegue mais "redonda" para o atacante, e não "brigada"

- Vê 2019 como o melhor ano de sua carreira, conquistando o acesso da Série C para a B com o Juventude e participando também da "Retomada Alvinegra", que foi a campanha de permanência do Figueirense na Série B

- Tem dois jogos favoritos na carreira: a partida do acesso à Série B, contra o Imperatriz-MA, e a vitória sobre o Botafogo, pela Copa do Brasil de 2019

- Seu grande ídolo no futebol é Ronaldinho Gaúcho, mas também nutre grande admiração por Lionel Messi e Neymar

- É fissurado por ver futebol na TV e, em seu tempo livre, assiste partidas de qualquer categoria, país ou divisão. Gosta de estudar jogadas e variações táticas

- É evangélico e bastante religioso

- Seu prato favorito é frango com quiabo

- Adora filmes antigos de "bangue-bangue" e assistiu a muitos com seu pai, mas não é grande fã de ir ao cinema

- Gosta de videogame, mas não de jogos de futebol, preferindo outros tipos de games

- Adora funk, pagode e música sertaneja, e sonha aprender a tocar cavaquinho

- Adora organizar churrascos com seus amigos

- É muito próximo de sua família, e, no seu tempo livre, sempre passa tempo com a filha

- É considerado como muito tranquilo ao lidar com críticas nas redes sociais e sempre diz que respeita muito as "cornetadas" dos torcedores, pois muitas são feitas no calor da emoção

'ELE SEMPRE FOI A ESPERANÇA DA FAMÍLIA'

Para saber mais sobre Breno Lopes, a ESPN também procurou o técnico Hemerson Maria, que foi o 1º a trabalhar com o atacante quando ele subiu para a equipe profissional do Joinville, em 2015.

Hemerson lembrou o início da carreira do atleta, a enorme timidez de seu ex-comandado e também elogiou sua polivalência em campo.

"Quando eu cheguei ao Joinville, ele tinha acabado de subir para o profissional. É um jogador muito versátil, que chegou a jogar como centroavante, atacante pelos lados, meia e até lateral. No início, chegou até a demorar um pouco para definir a posição, mas, comigo, ele jogou apenas como atacante de ponta invertido, como atua hoje", lembrou.

"Na época, ele não foi titular absoluto comigo, até porque era muito jovem, mas fazia parte do grupo e atuava com frequência. O que sempre observei é que ele treina muito forte, não é um jogador preguiçoso. Além disso, tem muita qualidade vindo de trás e nos lances de um-contra-um", salientou.

"O Breno é um atacante de mobilidade, que não fica preso apenas na esquerda. Nunca foi um atleta de uma jogada só, aquela de cortar para dentro e finalizar. Ele sabe trabalhar como meia também, vindo mais de trás, e joga também pelo lado direito. Eu destaco também a ótima finalização", observou.

Na opinião de Hemerson Maria, Breno se encaixará bem no Palmeiras em um modelo de jogo que use sua velocidade nos contra-ataques.

"O Breno sempre foi um jogador que cumpria todas as funções táticas que eu pedia, e participava bem dos momentos defensivos. Ele defende bem, e houve momentos em que atuou como lateral-direito. O um-contra-um defensivo dele é bom, e ele sabe marcar", explicou.

"Além disso, ele é muito veloz na transição ofensiva. Uma boa arma é usá-lo no contra-ataque. Com o 'Cebola' [Andrey Lopes, treinador interino], o Palmeiras estava jogando em transição rápida, e ele se adapta muito bem a esse estilo de jogo", comentou.

Para o ex-comandante de Breno Lopes, o reforço palestrino será uma boa alternativa para a vaga de Wesley, que lesionou o joelho e só volta aos gramados em 2021.

"Ele funciona melhor aberto pela esquerda e cortando para dentro. Vai ser uma boa reposição para o Wesley. O Breno tem um pouco menos de força que o Wesley, mas é mais técnico, e a finalização dele é um pouco melhor. É um atleta talentoso e que sabe fazer gols", definiu.

Hemerson também recordou a marcante timidez de Breno, e relatou como o trabalho psicológico foi importante na formação do atleta.

"No dia-a-dia, ele era sempre caladão e na dele. Não se expressava muito verbalmente, mas, dentro de campo, se soltava. Acho que ele não terá dificuldades para se adaptar ao Palmeiras, apesar do tamanho do clube. Tenho certeza que ele irá ajudar bastante", opinou.

"Eu conversava bastante com ele na época, e ele sempre prestava muita atenção. Mas, na verdade, não tinha diálogo com ele... Era mais um monólogo (risos). Eu falava com ele, ele ficava me olhando e prestando muita atenção, mas não dava retorno. Na época, era muito introvertido", rememorou.

"Na época, conversando com a psicóloga do Joinville, ela me contou que ele tinha uma história de vida muito sofrida na infância. Até por isso ele não se expressava muito bem, porque, infelizmente, não teve a chance de conseguir um bom grau de instrução e ficava com medo de falar errado", contou.

"A família dele é muito grande, e ele sempre foi a grande esperança de todos para mudar as coisas. Desde sempre o Breno usou o salário dele para ajudar a família, é um menino muito bom. E, por isso, eu fiquei muito feliz de ver que ele alcançou o nível em que está hoje e que lhe permitir ir a um gigante como o Palmeiras", finalizou.