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Ex-Santos virou nova aposta do Ajax após superar dispensas: 'Fui persistente'

Após encantar a Europa nesta temporada, o Ajax deverá perder muito em breve seus grandes destaques para outras equipes, entre eles, o atacante David Neres. Nada que desespere o time holandês, que já prepara outra fornada de promessas para o time principal, incluindo um brasileiro: Danilo Pereira da Silva.

Aos 20 anos, o garoto é o artilheiro da equipe B, que disputa a 2ª Divisão Holandesa, com 18 gols marcados.

Nascido em São Paulo e criado ao lado do estádio do Corinthians, em Itaquera, ele foi bastante persistente até chegar à Holanda. Danilo começou na escolinha do São Caetano e passou cinco anos na base da Portuguesa antes de chegar ao "Timão", em 2010.

Em cinco temporadas no Parque São Jorge, ele atuou ao lado de Pedrinho, Fabrício Oya e Carlos Augusto antes de ser mandado embora.

"Eu ouvia que tinha base técnica e mostrava minha capacidade, mas para eles eu não servia. Diziam que tinham outros jogadores melhores do que eu. Nunca me davam uma razão concreta para as dispensas. Fui muito persistente mesmo (risos). Isso me dava mais força para continuar na batalha", disse, ao ESPN.com.br.

"Muitas pessoas não acreditavam em mim e me perguntavam se eu tinha uma segunda opção ao futebol. Falavam para eu fazer outra coisa, mas eu não tinha um segundo plano. É isso que coloquei como meta na minha cabeça e segui, independentemente das dificuldades".

Logo em seguida, ele foi para a Ponte Preta. Em Campinas, onde viveu mais uma desilusão, mas também teve seu destino mudado.

"Não tinha empresário e nem ajuda para me firmar nos clubes. Só tinha meus pais correndo por mim. Eu estava para ser mandado embora porque não servia mais e ninguém entendeu nada porque eu estava jogando bem. Eu treinava nos profissionais mesmo tendo só 16 anos. Foi nessa época que conheci o Ricardo Villas Boas, que acreditou em mim e virou meu empresário", recordou.

Após ser dispensado pela Ponte, ele ficou alguns meses no Vasco antes de ser mandado embora. A situação só mudou mesmo depois que Danilo foi aprovado pelo técnico Arão Alves no Sub-17 do Santos.

"Eu fiquei treinando uns meses e subi ao sub-20 para jogar o Paulistão. Eu tinha 11 jogos e uns 10 gols quando fiquei sabendo pelo meu empresário que o Ajax me queria. Fiquei muito surpreso na hora", contou.

Até então, Danilo não sabia que o time holandês já o conhecia há anos.

"A gente estava fazendo um coletivo na Ponte e o Ricardo Villas Boas levou um olheiro do Ajax para ver um jogador dele, mas eu me destaquei muito. Esse cara perguntou quem eu era. Depois disso, passou a me monitorar, mas eu nunca fiquei sabendo", afirmou.

"Quando saí da Ponte fiquei triste e achei que a minha carreira já era. O meu empresário só me falava para continuar trabalhando forte que as coisas iriam acontecer no momento certo", recordou.

E o momento ocorreu em setembro de 2017. De acordo com o jogador, o Santos perdeu o atacante por valor baixíssimo devido a um vacilo da diretoria.

"Eu tinha um contrato de formação com o Santos e o meu empresário avisou que tinham clubes interessados em mim para fecharmos um contrato profissional. Mas os caras não acreditaram, e não quiseram assinar. Quando o Ajax veio com oferta oficial eles pagaram uma cláusula de rescisão e fui embora", explicou.

Chegada ao Ajax

Com apenas 18 anos, Danilo desembarcou em Amsterdã sem falar inglês. Para se adaptar melhor ao país, foi mandado pelo Ajax para morar na casa de uma família holandesa, em uma espécie de intercâmbio, ao lado de mais dois jogadores da base.

"Nos primeiros treinos era complicado porque não falava inglês e não conseguia nem me apresentar. Eu só dava risada para dar uma impressão boa para todo mundo (risos). A partir dali, começaram a gostar de mim porque sou brincalhão e tentava me enturmar", relatou.

"Comecei a fazer escola de inglês duas vezes por dia com o David Neres e isso facilitou minha vida. Agora, estou arriscando um pouco de holandês depois de tanto tempo, mas é bem difícil", admitiu.

Em dois anos de Ajax, ele foi comandado por duas lendas do clube: John Heitinga (ex-Atlético de Madrid), no Sub-20, e Michael Reiziger (ex-Barcelona), no Sub-23.

"Como eles jogaram com brasileiros, adoram brincar comigo falando sobre churrasco. Eles até me pedem até para trazer uma picanha do Brasil (risos)", relatou o atacante, que é polivalente em campo.

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"Eu jogo na função de 'falso 9' porque gosto de buscar a bola e posso atuar até como meia, mas estou como ponta porque chegou o Traoré, de Burkina Faso. Deu certo e fiz muitos gols. Gosto de fazer tabelas e fazer gols sempre que posso", explicou.

Após o destaque logo em sua primeira temporada completa na equipe B, ele passou a treinar junto com o time principal do Ajax.

"Aqui é uma ponte para o profissional. Eles não queimam as etapas porque você precisa construir uma trajetória até o profissional. Fiquei muito feliz e aprendi demais, mas preciso continuar evoluindo", reconheceu.

"Meu objetivo é estrear pelo profissional e ter meu nome marcado no clube. Quero fazer história aqui e estourar na Europa. Sonho em um dia jogar na seleção brasileira e na olímpica. Preciso trabalhar bastante e estar preparado", bradou.

Desde que chegou ao time de cima, Danilo é preparado para buscar seu espaço,

"Toda vez que treino com os profissionais os treinadores falam comigo: 'Esteja preparado porque a qualquer momento sua hora pode chegar. Continue trabalhando que você tem um futuro brilhante. Acreditamos muito em você'. Isso me dá uma motivação ainda maior".

"É muito legal treinar com os caras que brilharam na Champions. Eles me trataram muito bem e com o maior respeito".

Entre os astros do Ajax, David Neres virou seu grande amigo e parceiro de boliche.

"Ele me ajuda demais, sempre estamos conversando. Só temos nos de brasileiros e temos que os ajudar. Ele viu as dificuldades que passei e me apoiou muito no começo. Ele vai longe na carreira e eu espero também seguir esses passos", finalizou.