Hoje destaque do New York City, Gabriel Pereira falou sobre a decisão de trocar o Corinthians pela MLS
Em março de 2022, Gabriel Pereira trocou o Corinthians pelo Grupo City - dono do Manchester City - para defender o New York City-EUA. Até outubro do ano passado, o jogador viveu um impasse até a renovação de contrato com o clube alvinegro. Mesmo podendo assinar um pré-contrato e sair de graça poucos meses depois, ele preferiu renovar o vínculo com o Timão antes de ser negociado.
"Quando estava em fim de contrato com o Corinthians tive bastante ofertas de times da Europa e até do New York City, mas sempre optei em renovar. Em momento nenhum quis deixar o clube. Depois de alguns meses que renovei, teve uma oferta do Grupo City e vi como uma oportunidade de crescer na carreira", disse ao ESPN.com.br.
Gabriel é símbolo de uma nova política da MLS. Antes conhecida por trazer medalhões da Europa em fim de carreira, a competição tem atraído ns últimos anos várias promessas da América do Sul.
"Aqui é uma outra realidade de país. É uma liga que está se desenvolvendo e atraindo olhares. Vim para cá para poder jogar bem e aprender o inglês, algo que faz muita diferença. Dei um passo aqui para poder dar três para frente. Me destacando tenho o sonho de ir para a Europa porque sou muito novo".
"Estou mais próximo do Manchester City. Se estiver me destacando e chamar atenção, por que não posso ir para lá? Acho que pode me dar uma bagagem para o futuro".
Até o momento, o meia tem correspondido: em 27 jogos, fez gols e deu três assistências.
"O estilo de jogo é bem diferente, não é tão pensado quanto no Brasil. Aqui você corre o tempo todo e tem mais fora física. Somos os atuais campeões da Major League Soccer e vencemos a Campeones Cup, que melhorou o nosso ânimo. Foi meu primeiro título como profissional e bastante especial".
O jovem conta que foi muito ajudado pelos outros quatro brasileiros do elenco no processo de adaptação à Nova York, uma das maiores cidades do mundo.
"É muita loucura! Pessoal anda tranquilo na rua sem perigo. É outra vida, né? Não tem as mesmas preocupações e a cultura é bem diferente. No começo sofri um pouco com a alimentação. Depois, me adaptei bem porque consegui achar os mercados brasileiros".
Fã de basquete, Gabriel espera em breve ver no ginásio algum jogo do seu principal ídolo: Stephen Curry, astro do Golden State Warriors, atual campeão da NBA.
Da escolinha para o Timão
O garoto começou na escolinha Chute Inicial, do Corinthians e passou pela Portuguesa antes de tentar a sorte no Guarani.
“No primeiro teste eu fui muito mal e não passei. O professor Luis, que sempre me ajudou, disse para minha mãe que fui muito mal, e ela teve uma conversa comigo. Depois daquilo passei a levar mais a sério. Depois, fiz outro jogo contra o Guarani e acabei aprovado depois de uma semana de avaliação”.
No time de Campinas ele jogou com Elias (ex-Grêmio e hoje no NY Red Bulls) e Gabriel Menino, atualmente no Palmeiras. Após jogar o Paulista sub-15, ele ficou mais dois anos no time alviverde.
“Saí do Guarani nem passava pela minha cabeça ir para o Corinthians porque tinham outros times interessados. Quase fechei com o Inter, mas meu empresário falou do Corinthians. Foi um sonho porque sempre fui corintiano desde pequeno e gostava dos jogadores”.
Gabriel conta que estava mal nas primeiras semanas no time sub-17 alvinegro.
“O professor Marcos Soares me ajudou bastante, acreditou em mim e deu confiança. Era outro estilo de jogo. Ele poderia muito bem falar: 'Ele não é tudo isso'. Mas ele esperou eu me adaptar, teve paciência e quando virei titular não saí mais”.
O meia subiu para o time sub-20, mas demorou alguns meses até se firmar na nova categoria e virar destaque na Copa São Paulo de futebol júnior de 2020.
"Foi ali que vi que o meu sonho poderia se tornar realidade. Torcida me pedindo no time profissional e minhas redes sociais cresceram muito, recebia muitas mensagens".
Depois da competição, ele machucou a panturrilha e começou a se tratar. Com a paralisação do futebol por causa da pandemia, o jovem só estreou no time profissional contra o Atlético-MG, em Belo Horizonte.
"Tive mais tempo para me adaptar com time de cima e conhecer todo mundo no dia a dia. Fui muito bem acolhido pelo pessoal mais velho como Cássio, Gil, Fábio Santos e o Fagner. Eles conversavam muito comigo e me davam conselhos".
"Assim que subi não consegui jogar em estádios lotados por causa da pandemia. Nosso time não estava bem, mas conseguimos subir depois. A torcida me apoiou bastante, não esperava por isso. Foi um choque. Não tive muitas partidas porque sofri algumas lesões".
Destaque com Sylvinho
Em 2021, ele fez 32 jogos e começou a deslanchar com a chegada do técnico Sylvinho.
"Me ajudou bastante e deu muita confiança para os garotos. Eu e o Du Queiróz fomos bem recebidos. Ainda mais em um time que tinha Willian, Róger Guedes, Giuliano e Renato Augusto".
Gabriel ouvia dos mais velhos para que não se deslumbrasse com a fama recém-conquistada com a torcida e se iludisse com a situação.
"Quem sobe da base para o profissional está muito bem acolhido porque o Corinthians é uma família. Não querem saber se você é menino e querem ajudar".
O jovem não esquece o primeiro gol marcado com a camisa alvinegra contra o Atlético-GO pelo Brasileirão.
"Não era para jogar, mas teve um problema com a documentação do Willian. Depois, fiz um gol no Fluminense e teve a volta da torcida na Neo Química Arena contra o Bahia e foi especial demais. Quando você toma um gol eles cantam ainda mais!".
Mesmo nos EUA, Gabriel promete torcer pelo Corinthians na final da Copa do Brasil contra o Flamengo.
"Sou corintiano e todos os jogos que posso e torço. Ainda tenho muitos amigos porque joguei com quase todo mundo. Sei o quanto eles trabalham e quero que sejam campeões".
