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Há 10 anos Ronaldinho chegava ao Atlético-MG e surpreendia colegas: 'Ele se apresentou pra mim; quem tinha que se apresentar era eu!'

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Tardelli revela como Ronaldinho Gaúcho uniu elenco campeão da Libertadores com pôquer: 'A gente ficava até duas, três, quatro da manhã' (1:47)

Jogador também relembra resenhas com o craque (1:47)

Serginho contou bastidores da chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Atlético-MG há 10 anos


O dia 4 de junho de 2012 tinha tudo para ser apenas mais um na rotina de Serginho. No entanto, ao chegar junto com seu pai no CT do Atlético-MG, o volante reparou uma movimentação nada comum: havia um helicóptero sobrevoando o espaço aéreo e muitos jornalistas faziam plantão na porta da Cidade do Galo.

“Eu pensei: ‘O que aconteceu aqui?’ Nisso, uma repórter me perguntou: ‘Serginho, é verdade que o Ronaldinho está ai?’ Eu não sabia de nada! O segurança do clube me disse que o Ronaldinho estava na sala da presidência falando com o Alexandre Kalil. A chegada dele foi uma surpresa para todo o elenco do Atlético-MG de 2012. Acho que nenhum jogador sabia que ele iria vir (risos). Eu jogava com o cara no videogame!”, contou o jogador, ao ESPN.com.br.

Apesar de toda confusão, Serginho foi para uma sala próxima ao vestiário para tomar café da manhã junto com o restante do elenco antes dos treinos.

“Nisso, o Ronaldinho Gaúcho entra na sala e se apresenta: ‘Prazer, Ronaldo!’ Imagina a situação (risos). A gente estava em outro mundo e pegava na mão dele: ‘Como assim ele fala o nome dele? Eu que tinha que falar o meu!’ Ele foi se apresentando para a gente e falou o nome de todos, acredita?”, relatou.

“Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei em atuar ao lado de um grande ídolo para mim. Eu imaginava mil coisas de um cara desse tamanho e ele me desarmou de um jeito natural pela humildade!”, recordou.

Ronaldinho havia acabado de deixar o Flamengo de forma polêmica após ficar meses sem receber salários. O casamento com o clube da Gávea terminou bastante desgastado, com o craque sendo contestado pela torcida e pela imprensa.

“Ele foi muito questionado no Atlético-MG e o Kalil foi chamado de louco em contratar o Ronaldinho. Mas ele não tinha desaprendido a jogar futebol", contou Serginho.

Em pouco tempo, o meia caiu nas graça dos torcedores. Em 2012, ele ajudou a equipe a terminar na segunda posição do Brasileirão e garantir uma vaga na Conmebol Libertadores.

“O Ronaldinho perdeu o padrasto e a mãe dele, a dona Miguelina, estava com câncer. Ele até cogitou parar de jogar futebol em 2012. Daí, quando ele chegou no jogo do Atlético tinha aquela faixa da torcida com rosto da mãe dele. Ali ele se decretou torcedor apaixonado pelo Atlético-MG”.

Em 2013, ele foi um dos protagonistas da conquista da Libertadores. Um dos lances mais lembrados daquela competição aconteceu na vitória por 2 a 1 contra o São Paulo, no Independência, na fase de grupos. Ronaldinho foi tomar a água na garrafa do goleiro Rogério Ceni e ficou parado para receber o lateral de Marcos Rocha. Ele aproveitou o cochilo da zaga tricolor e fez a jogada para o gol de Jô.

“Ele mesmo fala que não foi combinado. Ele falava que não foi tomar água com aquela intenção. Ficou muito marcante pela importância do jogo e do lance de gol. Foi um dos melhores jogos do Ronaldinho no Galo", disse Serginho.

Ronaldinho ainda venceu o Mineiro e a Recopa Sul-Americana antes de se despedir do Atlético-MG no meio de 2014 como um dos maiores ídolos da história do clube mineiro. No total, foram 88 partidas e 28 gols.

“Ronaldinho falou que se sentia muito feliz e dizia que nunca tinha trabalhado com um grupo igual a esse. Era muito feliz e alegre, sempre sorrindo. Tudo estava bom. No almoço você muita gente reclamar de algumas coisas. Ele nunca reclamou de um pão ou uma carne, ele entrava na cozinha e cumprimentava todo mundo. Era só risada e barulho por lá. Ele não reclamava de horário de treino. Tudo para ele estava bom”.

“Não sou a unha do Ronaldinho e me pegava antes reclamando das coisas. Eu me questionava: 'Estou certo ou indo na contramão?' (risos). Hoje os meus filhos entendem que joguei com ele. A ficha só foi cair para mim depois de anos”.