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Abel Xavier revela bastidores da troca do Everton pelo Liverpool: 'Mudei de casa e andei com seguranças'

Liverpool e Everton se enfrentam neste domingo (24), às 12h30 (de Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+


Abel Xavier conhece como poucos os dois lados da rivalidade entre Liverpool e Everton, que se enfrentam pela Premier League neste domingo, às 12h30 (de Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+. O português foi o último jogador a trocar um clube pelo rival em uma transferência que causou enorme barulho na Inglaterra.

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Contratado pelos Toffees em 1999, o defensor atuou ao lado de nomes conhecidos, como Paul Gascoigne e Jimmy Floyd Hasselbaink, mas que costumava brigar na parte de baixo da tabela do Inglês.

Apesar de estar feliz no Goodison Park, o jogador conta que uma conversa com a direção do clube mudou seu destino no começo de 2002.

"Faltavam seis meses para terminar o meu contrato e sempre recebi muito carinho dos torcedores. O Everton estava com dificuldades econômicas para me dar uma renovação de contrato. Disse ao presidente do clube que, se não conseguisse renovar meu vínculo, eu não gostaria de não sair de graça", disse Abel ao ESPN.com.br.

O que poucos poderiam imaginar é que algum tempo depois o destino do defensor seria justamente o arquirrival Liverpool, que pagou uma taxa de transferência ao Everton.

"Por outro lado, no anonimato, foi feito um contato do técnico Gérard Houllier para que eu fosse para o Liverpool. Foi algo surpreendente, mas foi bem respeitado pelos dois clubes. Não deixamos nenhuma ponta solta, foi tudo correto. Foi uma saída que provocou algum desconforto porque tive que mudar de casa, tive que andar um período com seguranças. Era importante que a minha vida social não ficasse limitada na cidade por causa da minha transferência".

Ao chegar aos Reds, Abel passou a jogar em um dos clubes mais ricos da Inglaterra e que disputava as principais competições da Europa. Além disso, virou colega de time dos antigos rivais.

O português, que nunca tinha balançado as redes pelo time azul, marcou um gol na estreia pelo Liverpool na goleada por 6 a 0 sobre o Ipswich Town.

"Vi uma outra realidade. Era um clube completamente diferente, de uma visão internacional. Saí do Everton, que lutava para não cair, e em 15 dias estava jogando Champions League. Estava com 27 anos, era um jogador internacional e também via a oportunidade em jogar em um clube com objetivos muito altos", afirmou.

Abel diz que ficou surpreso ao não ser hostilizado por torcedores do Everton nos clássicos que disputou.

"Isso não aconteceu comigo porque acredito que a mudança foi feita da forma correta. Jogar o dérbi foi muito especial porque respeitava muito a camisa do Liverpool e tinha um lado afetivo – e ainda tenho – pelo Everton. Eu tenho muito carinho pelos dois times", aponta.

Abel ficou apenas um ano no Liverpool antes de se mudar para o Galatasaray, da Turquia. No entanto, as memórias que guardou do clássico de Merseyside são eternas.

"Pude perceber as diferenças territoriais e culturais em dois clubes que estão distantes um quilômetro na mesma cidade. São duas grandes instituições. Foi estranho para muitos torcedores que não perdoaram, mas sempre que volto à cidade sou muito respeitado pelos dois clubes".

Carreira internacional

Nascido em Moçambique, Abel mudou-se com a família para Portugal, em 1975, em busca de uma vida melhor após a guerra pela independência do país.

“Fomos muito bem integrados em tempos difíceis. Eu cresci no futebol de rua e tive o mesmo início e as dificuldades que os jogadores brasileiros tiveram. O futebol me levou para a disciplina e consegui receber bons valores para fazer uma carreira de dimensão internacional”, contou.

O defensor ficou na base do Sporting até os 17 anos, quando foi dispensado. Em seguida, mudou-se para o Estrela Amadora, que o projetou para as seleções de base de Portugal. Em 1991, foi campeão do Mundial sub-20 ao lado de nomes como Figo e Rui Costa, derrotando o Brasil na final nos pênaltis.

“Nossa geração era muito boa, vencemos tudo na base e crescemos todos juntos. Essa geração que conquistou os mundiais sub-20 de 89 e 91 ficou conhecida como a geração de ouro de Portugal. O Brasil tinha Roberto Carlos e outros jogadores que depois foram para a seleção principal”.

Em 93, o defensor se transfere para o Benfica, onde ficou duas temporadas e faturou o título português e da Taça de Portugal. Depois, passou por Bari e Oviedo, até ser indicado pelo técnico Bobby Robson ao PSV.

Após somente uma temporada na Holanda, Abel foi para a Inglaterra, onde jogou por Everton e Liverpool.

O defensor ainda defendeu Galatasaray, Hannover 96, Roma, Middlesbrough, até pendurar as chuteiras pelo Los Angeles Galaxy, em 2008. Pela seleção portuguesa principal, ele jogou a Eurocopa de 2000 e a Copa do Mundo de 2002.

Desde então, Abel Xavier foi treinador dos clubes portugueses Olhanense, Farense e Aves, além da seleção de Moçambique.