O primeiro jogo da final do Campeonato Gaúcho será apitado pelo catarinense Ramon Abatti Abel. Depois de revolta do Grêmio e desabafo do Internacional, a Federação Gaúcha de Futebol optou ter um árbitro de fora do estado no comando do GreNal, que será disputado neste sábado (08), às 17h45 (de Brasília), na Arena do Grêmio.
Mas o que especificamente levou a FGF a não selecionar um juiz da própria entidade, como é de praxe nos campeonatos estaduais? A ESPN mostra as polêmicas que se acumularam no Gauchão.
Vale destacar que as semifinais já contaram com profissionais do VAR que não eram do Rio Grande do Sul. Em entrevista coletiva antes das semis, o presidente da FGF, Luciano Hoscman, disse que o objetivo era "arrefecer esse clima que está tomando conta da competição" depois de seguidas críticas dos clubes em sobre a arbitragem.
"Nos jogos de volta das semifinais e nas finais, a equipe do VAR será formada por profissionais de uma federação coirmã. É dolorido para mim tomar esta decisão, pois tenho confiança nos profissionais da arbitragem gaúcha", comentou Hoscman.
"Nosso quadro tem cinco árbitros com escudo FIFA, que são frequentemente chamados para atuar em competições nacionais e internacionais. Mas há um momento que precisamos pensar de forma responsável e arrefecer esse clima que está tomando conta da competição", completou.
O "clima" citado pelo mandatário cresceu no GreNal da primeira fase do estadual, disputado no último dia 8, quando a diretoria do Internacional reclamou da arbitragem liderada por Rafael Klein. A principal reclamação foi a diferença de critério adotada pelo juiz, que amarelou o zagueiro Vitão aos 10 minutos do primeiro tempo e não advertiu o lateral João Pedro por falta dura em Wesley na sequência.
O lance, inclusive, culminou com a expulsão do auxiliar Roberto Ribas por reclamação e, consequentemente, a saída de Roger Machado do gramado aos 30 minutos da etapa inicial. Auxiliar permanente da comissão técnica colorada, Adailton Bolzan dirigiu o time na sequência do clássico.
Após o confronto, que terminou empatado por 1 a 1, o vice-presidente de futebol do Internacional, José Olavo Bisol, não poupou críticas.
"Reiterar a nossa indignação com a postura da arbitragem. Para ficar muito claro para todo mundo. Na verdade, por ser um contexto de uma arbitragem Fifa, que pudesse ter a capacidade de controlar o jogo e ter critérios claros. Para nós, ficou claro. O cartão amarelo dado aos 10 minutos de jogo não foi o mesmo em outra jogada que caberia amarelo. E pior que isso: culminou ainda em uma situação de expulsão do auxiliar do técnico. E nos prejudicou com a saída dos dois do campo. Isso para nós é um prejuízo enorme. Demonstra a falta de preparo e a organização", disparou o dirigente.
"E demonstra mais que isso também. A gente tem falado isso para parte da imprensa e até mesmo fomos criticados quando não fizemos isso de forma pública. Mas a gente viu que parte da imprensa fez juízo de valor, achincalhou, do meu ponto de vista, a interpretação utilizada pelo VAR, dizendo que aqui no RS o VAR estava sendo aplicado de forma diferente. Dizendo que o VAR que se aplicava na CBF era diferente deste daqui. E as manifestações dão efeito. Ver esse jogo hoje foi truncado, sem critério e que chama atenção para os próximos jogos nossos. Mas agora teremos que travar esse debate junto à federação", continuou.
"O sentimento de hoje é de que poderíamos ter saído com a vitória. Eu quero exaltar a entrega. Hoje aqui a gente mostrou o desempenho e tudo aquilo que a gente já vinha praticando no final do ano passado. Poderíamos ter saído com a vitória. A interpretação do VAR preocupa. Mas tem o cartão amarelo aos 10 minutos. E outro na falta do Wesley, que deveria ter tomado amarelo. Cria-se uma animosidade. E estão colocando de que o VAR é equivocado. E parte da imprensa defende isso, criando uma narrativa para fora. Precisamos valorizar o futebol gaúcho. Isso diminui o futebol gaúcho. A nossa insurgência é com a aplicação de hoje do VAR", completou Bisol.
O Grêmio também se revoltou e subiu o tom contra a arbitragem depois do primeiro jogo da semifinal, disputado contra o Juventude, no último dia 22. Em nota oficial, o clube criticou o VAR do duelo e fez um "pedido de arbitragem de fora do Rio Grande do Sul nas próximas partidas, com o objetivo de extinguir qualquer tipo de possível condicionamento dos árbitros que conduzirão as fases decisivas de um dos campeonatos estaduais mais importantes do Brasil".
"Houve um erro inquestionável: um pênalti claríssimo não foi assinalado e o árbitro sequer foi chamado pela equipe do VAR. Vamos solicitar formalmente acesso aos áudios do VAR nos lances do pênalti não marcado no jogador Monsalve e também no lance do gol anulado marcado pelo Edenilson. Nesta oportunidade, diferente do ocorrido no pênalti não marcado, o VAR agiu e chamou o árbitro para conferência do lance, que foi anulado. O objetivo deste pedido é tentar entender os critérios adotados pelos integrantes do VAR na análise de dois lances semelhantes, mas com decisões completamente diferentes", escreveu o clube.
"Nós, do Grêmio, não aceitaremos qualquer condição que fuja de uma arbitragem justa e um campeonato decidido apenas dentro das quatro linhas", completou.
Diante de tantas polêmicas acumuladas e relatadas pelos rivais, caberá a Ramon Abatti Abel a missão de comandar o duelo ao lado dos auxiliares Rodrigo Figueiredo Henrique Correa, do Rio de Janeiro, e Bruno Boschilia, do Paraná, com o quarto árbitro Jeferson Ferreira de Moraes, de Goiás. A responsável pelo VAR será Daiane Muniz, do Mato Grosso do Sul, filiada à Federação Paulista de Futebol.
