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Comandante da 2ª melhor defesa do Brasileiro, xerife do Cruzeiro diz: 'Ronaldo é referência para todo mundo'

Luciano Castan em ação pelo Cruzeiro Fernando Moreno/AGIF/ Gazeta Press

Luciano Castan é um dos xerifes da zaga do Cruzeiro, que enfrentará o Goiás neste domingo (23) pelo Brasileirão. O time mineiro, que está há um mês sem sofrer gols, tem a segunda melhor defesa da Série A (11 sofridos), atrás apenas do líder Botafogo, com sete.

Jogar na zaga é praticamente uma tradição de família Castan. Seu pai, Marcelo, foi um defensor com passagens por times do interior de São Paulo e seu irmão, Leandro, foi multicampeão pelo Corinthians e chegou a ser chamado para a seleção brasileira.

Após começar na escolinha que o pai tinha em Jaú, ele foi para a base do Paulistinha-SP, em São Carlos. Lá, o jovem foi treinado por Guilherme Dalla Déa, que em 2019 foi campeão mundial com a seleção sub-17 e está atualmente no Timão.

"Ele foi meu meu primeiro treinador e era um cara diferenciado. Muitas coisas que falava naquela época hoje são comuns no futebol", disse ao ESPN.com.br.

Em seguida, Castan foi para o União São João-SP, no qual disputou a Copa São Paulo e se profissionalizou. Nesta época, ele jogou ao lado de outro jovem que depois faria sucesso no futebol: o atacante Henrique Dourado, seu atual colega na Toca da Raposa.

Destaque no time do interior, ele recebeu a primeira grande chance de carreira, ao ser contratado por empréstimo pelo Santos no começo de 2010. Reserva da dupla Durval e Edu Dracena, que marcou época na Vila Belmiro, ele foi campeão paulista. No entanto, fez apenas uma partida com a camisa alvinegra

"Eram duas referências do futebol. Foi bom ter um tempo por lá porque aprendi bastante", contou.

Além disso, viu um Neymar, com apenas 18 anos, explodir e virar um astro do futebol após conquistar o primeiro título da carreira.

"Era imparável com aquela habilidade. Tinha muita qualidade, era um garoto muito promissor e dava para ver que chegaria à seleção brasileira. Era um cara muito focado também, sabia desde cedo a responsabilidade que iria ter na carreira", recordou.

O defensor gostava do ambiente leve no vestiário da Vila Belmiro, repleto de jovens jogadores de muito talento, que depois ainda conquistariam a Copa do Brasil de 2010 e a CONMEBOL Libertadores do ano seguinte, além do tricampeonato paulista.

"Foi o início de tudo. Aquele time era fantástico. Naquela época eu confesso que nem tinha muita noção de tudo o que estava acontecendo. Foi um privilégio excepcional".

Jogou na França

Após o Estadual, Castan voltou ao União São João e começou a rodar por vários clubes do Brasil: Ponte Preta, Paraná, Bragantino e São Bernardo antes de ir para Brest, da segunda divisão da França, no meio de 2016.

"Jogar na Europa mudou a minha vida. Passei a ser muito mais profissional e aprendi muito. Precisava me cuidar bastante fora de campo e precisava treinar com 100% de dedicação todos os dias. Eu não tinha essa mentalidade antes porque achava que se eu treinasse de qualquer maneira, as coisas iriam acontecer. Na França, o jogo é muito físico. A gente fez uma ótima temporada e quase conseguiu o acesso. Depois disso, a minha carreira começou a subir e a evoluir".

Castan passou depois um ano no Al-Khor, do Catar, antes de voltar ao Brasil para jogar no CSA-AL, em 2019.

"Voltei com outra mentalidade e recebi chances do (técnico) Marcelo Cabo. Joguei Série A e Série B de Brasileiro, pude fazer 101 partidas pelo clube. Eu já estava com 28 anos, mas as coisas começaram a acontecer".

Com o destaque no clube alagoano, o zagueiro foi contratado em 2021 pelo Coritiba, no qual ficou mais duas temporadas. Neste ano, ele jogou o Paulistão pelo Guarani antes de chegar ao Cruzeiro. Aos 33 anos, uma idade na qual muitos jogadores começam a jogar por clubes menores, o zagueiro recebeu a principal chance da carreira.

"Acho que é fruto de muito trabalho, de muito empenho e de regularidade. É uma grande oportunidade que eu tenho. Eu tinha esse sonho de vestir a camisa de um grande clube no Brasil. Estou muito feliz por representar toda a nação celeste".

O principal acionista da SAF do Cruzeiro é Ronaldo Fenômeno, que jogou no Corinthians com o irmão de Luciano.

"O Ronaldo é referência para todo mundo. É gratificante participar de um projeto com ele, que é um cara super do bem e hoje é um gestor muito qualificado. A gente vê o que ele está fazendo aqui no clube".

Comparações com o irmão

Mesmo sendo irmão de um jogador que fez grande sucesso na mesma posição, Luciano garante que as comparações nunca o atrapalharam. A chegada à Toca da Raposa fez Leandro, que jogou no Atlético-MG, torcer pelo antigo rival.

"Foi algo bem tranquilo porque o Leandro era uma referência para mim no futebol e na vida. Ele fez uma carreira linda e sempre busquei meu espaço também".

"Ele veio assistir ao jogo contra o Coritiba pelo Brasileirão, mas é super tranquilo. O Atlético-MG faz parte da carreira dele, que sabe da rivalidade que existe em Belo Horizonte, mas hoje torce por mim".

Próximos jogos do Cruzeiro: