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Agente contesta planilhas do Corinthians na Justiça e pode receber até R$ 80 milhões em dívidas

O empresário Carlos Leite, por meio da empresa RC Consultoria e Assessoria Esportiva, apresentou à Justiça de São Paulo um incidente de impugnação de crédito contra o Corinthians, questionando os valores da dívida apresentada pelo clube no RCE (Regime de Centralização de Execuções). No total, ele pode receber até R$ 80 milhões, entre juros, correções e honorários.

A petição, vinculada ao RCE, destacou que tem um documento que lhe garante receber R$ 25.461.461,74 do clube por meio da RC Consultoria, e não R$ 11.768.632,66 como informado pelo Corinthians nas planilhas enviadas ao tribunal. Como o valor passaria por novos juros desde a última atualização, em agosto de 2024, superaria os R$ 30 milhões.

A essa quantia, também deve ser acrescentados honorários de 10% ao advogado Gustavo Pinheiro - ou R$ 2,5 milhões.

Ele também entrou com pedido de impugnação para receber seu pagamento no RCE. Portanto, Leite cobra, apenas com a RC Consultoria e seu representante jurídico, no total, cerca de R$ 28 milhões do clube. Como essa quantia está atualizada apenas até agosto de 2024, o valor final superará os R$ 30 milhões.

Nessas cobranças, estão intermediações de renovações e contratações antigas envolvendo atletas como Cássio, Fágner, Ramon Motta, Elias, Renato Augusto, Gil, Mateus Vital, Fellipe Bastos e Matheus Matias.

Assim, a defesa da RC Consultoria constatou que existe uma diferença de R$ 15 milhões entre o que o Corinthians propôs pagar no âmbito do RCE do que realmente lhe é devido. Essa diferença, em termos percentual, é aproximadamente 120% maior.

"Conclui-se, pois, existir equívoco no valor constante da relação de credores apresentada pela Administradora Judicial, relativamente à impugnante. A correta quantificação do crédito é pressuposto essencial para a legalidade do regime", disse Carlos Leite à Justiça.

O Corinthians ainda não foi notificado da impugnação aberta pelo empresário nos tribunais paulistas. Os valores cobrados por Carlos Leite estão anexados entre centenas de outros entregues no âmbito do RCE.

O empresário ainda tem outro processo, por meio da empresa B & C Consultoria, onde ele pode receber cerca de R$ 35 milhões do clube, que ainda poderiam passar por novos juros e honorários. Essa ação também está listada no RCE.

Na última quarta-feira, a empresa SC & PB Consultoria Assessoria Esportiva, do advogado Gustavo Pinheiro, vinculado a Carlos Leite, e outros agentes, também entrou com uma cobrança de aproximadamente R$ 10 milhões, que não constam na lista de débitos do RCE, mas entrarão quando passar para a fase de execução e cumprimento de sentença.

Assim, no total, as empresas de Carlos Leite ou ligadas a ele podem receber até R$ 80 milhões do clube apenas no âmbito do Regime de Centralização de Execuções.

O Corinthians apontou à Justiça de São Paulo um contingente de mais de R$ 700 milhões em "perdas prováveis" nas ações que correm nos tribunais paulistas contra o clube.

A informação consta em planilhas anexadas pelo time do Parque São Jorge junto ao seu RCE (Regime de Centralização de Execuções), que corre na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

A ESPN teve acesso ao documento. O clube confirmou a informação e apontou que "esses números não representam dívidas líquidas, certas e exigíveis, mas sim prognósticos processuais que podem, ou não, vir a se confirmar no futuro". Abaixo, veja a explicação completa do Corinthians.

Entre as dívidas que podem gerar perdas prováveis, estão débitos com empresários, ex-jogadores e outros valores diversos. Só com agentes, o montante fica em cerca de R$ 300 milhões.

O clube deve começar a pagar as dívidas do RCE ainda neste mês de março, já que o plano oferecido foi aceito pelo tribunal.

Na proposta, o Corinthians fala em pagamentos progressivos e priorizando o que chama de "credores parceiros". No primeiro ano da homologação do acordo, o clube destinaria 4% de suas receitas aos credores. O percentual aumentaria para 5% no segundo ano e 6% no terceiro ano. A expectativa é que pague em até 10 anos.