1 - Deveria ser longa a fila para pedir desculpas a Dorival Júnior, mas se sabe como essas coisas funcionam. No momento mais sombrio da temporada passada, com o clube envolvido no noticiário policial e o time sofrendo as consequências, houve quem apontasse o dedo para o técnico. O tempo passou e o Corinthians foi campeão duas vezes.
2 - O plano de Dorival para superar o Flamengo dependia da vigilância aos jogadores mais criativos e perigosos e da distribuição das pressões para incomodar o rival. Os jogadores o aplicaram quase sem falhas.
3 - Os times que jogam futebol como o Flamengo escolhe jogar têm mais dificuldade para serem bem-sucedidos nos estágios iniciais de preparação, quando os mecanismos coletivos com a bola ainda não estão afinados. Quem não considerar esse aspecto ao avaliar as três derrotas consecutivas ou não compreende do que se trata ou quer apenas gritar. Ou ambos.
4 - O cartão vermelho a Carrascal é evidente e tão justo quanto foi temerário seu destempero ao final do primeiro tempo, comprometendo as condições de seu time numa disputa de troféu. A expulsão é indiscutível. A forma como foi conduzida, não.
5 - O árbitro Rafael Klein agiu dentro da regra ao esperar a análise das imagens pelo VAR e expulsar o jogador do Flamengo na volta para o segundo tempo, mas privou Filipe Luís e Dorival Júnior de planejar a sequência do jogo com diferença numérica entre as equipes. Correu o risco, ainda, de o Flamengo tentar substituir Carrascal e lidar com uma confusão no reinício.
6 - Ninguém - exceto quem tem a obrigação de supervisionar essa atividade, claro - vai ao estádio ou liga a televisão para assistir ao desempenho da arbitragem, que deve ser eficiente e discreta em níveis elevados. A decisão por esperar foi imprudente e prejudicial ao jogo. Não pode ser assim.
7 - O mais grave, porém, foi o apagão que impediu o VAR de analisar o que parece ter sido um gol legal do Corinthians, por uma queda de energia no estádio Mané Garrincha, de acordo com a CBF. A nota da entidade informa que "o sistema de contingência (no-break) manteve a operação do VAR por aproximadamente 15 minutos". Não pode ser sério.
8 - Para calcular a possível interferência desse episódio no resultado do jogo, basta imaginar que Lucas Paquetá não perdeu o gol de empate nos acréscimos.
9 - A forma como sua torcida se apoderou do ambiente no Mané Garrincha é uma das explicações - provavelmente a principal - do fato de o Corinthians ser, talvez, o único clube brasileiro capaz de transformar o absoluto caos administrativo em ocasiões como esta Supercopa. Mas não pode ser utilizada para validar a conduta de dirigentes predatórios e/ou a "conclusão" de que não é necessário administrar clubes dessa grandeza com competência e honestidade.
10 - As distâncias entre as perspectivas de presente e futuro entre o time que perdeu a Supercopa e o que ganhou são uma educativa ilustração desse tema. As entrevistas de Memphis Depay também.
