O Corinthians estreia nesta quarta-feira (28) no Mundial de Clubes feminino, às 15h (de Brasília), no Gtech Community Stadium, na Inglaterra, contra o Gotham FC, dos Estados Unidos.
As Brabas do Timão conquistaram uma vaga na competição inédita da Fifa pelo título da CONMEBOL Libertadores do ano passado. O torneio reúne os times vencedores de cada confederação.
Adversário do Corinthians, o Gotham FC foi campeão da Copa dos Campeões da Concacaf feminina da última temporada. O Arsenal, da Inglaterra, conquistou a última Champions League feminina, e o ASFAR, de Marrocos, ganhou a Champions Africana.
Três comentaristas da ESPN analisam abaixo quais as chances de o Corinthians fazer frente ao Gotham FC na semifinal e, caso avance, contra Arsenal ou ASFAR na grande final do Mundial de Clubes feminino.
Mari Pereira
"A gente está falando de um passo gigante dentro do futebol feminino brasileiro porque agora a gente tem um representante disputando esse Mundial entre as mulheres. E coloca o Corinthians nesse patamar, que ele realmente atingiu, com o melhor projeto do futebol feminino brasileiro, empilhando títulos temporada após temporada. Chega ao Mundial após vencer mais uma vez a Libertadores e agora a gente vai poder medir a parte tática, o campo e bola entre essas campeãs. A gente fala dos Estados Unidos e do Arsenal, que venceu a Champions. Mas eu vejo o Corinthians pronto para competir. A gente vai ter que acompanhar se consegue competir em um alto nível durante os 90 minutos. Eu acho que sim, acho que o Corinthians está nesse patamar das melhores equipes do mundo. Vamos ver se sustenta no mundo toda a supremacia que tem aqui dentro do Brasil e da América.
Principalmente nesse formato, o Corinthians tem sim condições de vencer times dos Estados Unidos e da Inglaterra. É jogo único, a mobilização para esse tipo de partida pode acontecer. Mas isso não torna os confrontos menos difíceis. São pelo menos muito equilibrados."
André Donke
"O Corinthians deve ser encarado como um time de relevância global, não só pelo sucesso esportivo nacional e continental, como também pela espaço que o futebol brasileiro tem ocupado no cenário mundial. Um exemplo disso é como Gabi Portilho ficou na 18ª colocação da Bola de Ouro e eleita para o time do ano do The Best em 2024, enquanto ainda jogava pelo Corinthians e teve papel determinante no vice-campeonato nos Jogos Olímpicos. Aliás, o sucesso da medalha de prata em Paris, com a presença de seis Brabas e o histórico de Arthur Elias no clube alvinegro, tem grande impacto para o maior alcance do Corinthians no futebol feminino.
Apesar disso, a equipe alvinegra não chega na condição de favorita para o Mundial. Gotham FC e Arsenal disputam as duas melhores ligas do mundo e dispõe de condições bem à frente das brasileiras, além de elencos com altíssimo nível e muita experiência. Penso que o Corinthians chega em condições de disputar com o Gotham, embora as norte-americanas sejam favoritas. Não seria uma zebra a classificação, mas um eventual título sobre o Arsenal seria, sim, uma surpresa."
Caê Vasconcelos
"O Corinthians é a maior referência de futebol feminino na América Latina, com muitas sobras. E não é de hoje. Esse caminho começou a ser construído em 2016, quando o projeto nasce ainda em parceria com o Audax. Depois, caminhando sozinho, o projeto se tornou uma realidade.
O Corinthians é, no feminino, referência de investimento, de elenco, de títulos e, principalmente, de identidade com a torcida. Não à toa, os principais recordes do continente são em jogos das Brabas. Arthur Elias e Cris Gambaré, hoje na seleção feminina, estabeleceram um patamar diferente para as Brabas, que, durante anos, venceu títulos com facilidade e construiu essa hegemonia: maior campeão brasileiro, maior campeão paulista, maior campeão da Libertadores.
O mundo já teve alguns ‘spoilers’ da potência do Corinthians, que era a base do Brasil na conquista da prata olímpica e, por dois anos seguidos, teve jogadoras indicadas à seleção do The Best da FIFA. Agora, com a Copa das Campeãs, tem tudo pra se consolidar como uma referência global.
Dá para fazer frente com Gotham e Arsenal no Mundial. Não serão duelos facéis pras Brabas, mas dá para ter muito jogo com o Gotham na semifinal e em uma eventual final com o Arsenal. O Gotham não joga desde novembro e as Brabas jogaram em dezembro, então o ritmo de jogo vai estar bem parecido. O Arsenal, apesar de vir de um título na Champions, não vive a melhor fase na temporada.
Já as Brabas gostam e se dão muito bem em torneios de tiro curto. Mesmo com uma temporada atípica, elas levaram os principais títulos da temporada, se tornando heptacampeão do Brasileirão e hexa da Libertadores. Por isso, não tem como duvidar da capacidade desse elenco, que tem nomes históricos pro futebol feminino como Gabi Zanotti, Vic Albuquerque, Tamires, Erika, Lelê, e reforços de peso como a Ana Vitória.
E, se conquistar o título, não tem nada de zebra. É um trabalho de muitos anos que vai colher todo esforço e empenho que tem plantado na última década."
