O "caso Kauê Furquim" segue agitando os bastidores do Corinthians.
Segundo apurou a ESPN, a saída da promessa para o Bahia, que já até apresentou o jovem reforço, causou enorme mal-estar nos corredores do Parque São Jorge.
De acordo com fontes, a alta cúpula do clube vê como um "erro grave" o ocorrido em abril deste ano, quando Kauê assinou seu primeiro contrato profissional com os alvinegros após completar 16 anos.
Há o entendimento interno de que o jogador não foi valorizado financeiramente como deveria, já que tinha o status de ser uma das principais promessas do "Terrão".
A insatisfação do estafe do atleta acabou levando à abertura das negociações com o Bahia, que comprou o jogador por R$ 14 milhões de euros ao pagar sua multa rescisória.
O "erro grave", aliás, deve causar mudanças na base corintiana nas próximas semanas.
Segundo pessoas ouvidas pela ESPN, casos como o de Kauê Furquim não podem mais acontecer, e a ideia é intensificar a profissionalização das canteras, especialmente na questão das análises contratuais.
O entendimento é que as principais estrelas do "Terrão" têm que ter atenção individualizada, com condições contratuais melhores sendo oferecidas, especialmente em termos financeiros.
Internamente, a alta cúpula admite que isso não aconteceu em abril, quando foi assinado o primeiro vínculo profissional de Kauê, o que acabou levando à saída da joia.
Apesar disso, a diretoria seguirá pressionando a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) por entender que o Corinthians foi prejudicado na situação.
O Timão já entrou com ação na CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), acusando o Bahia de aliciamento e pedindo medidas de caráter "condenatório" e "sancionatório".
Entenda ação do Corinthians contra o Bahia na CNRD
No ofício, o Corinthians listou uma série de motivos que levaram o clube a acionar a CNRD na transferência de Kauê Furquim ao Bahia. O órgão é acionado costumeiramente para solucionar desavenças entre equipes do futebol brasileiro, agindo de acordo com os estatutos da CBF e da Fifa.
O Timão citou, por exemplo, o esvaziamento do direito de preferência do Corinthians, previsto no parágrafo 8 do artigo 29 da Lei Pelé (Lei 9.615/98), e também no parágrafo 8 do artigo 99 da Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/23) por culpa do Bahia.
Veja, abaixo, o que diz o trecho do artigo da Lei Pelé:
Art. 29 - A entidade de prática desportiva formadora do atleta terá o direito de assinar com ele, a partir de 16 (dezesseis) anos de idade, o primeiro contrato especial de trabalho desportivo, cujo prazo não poderá ser superior a 5 (cinco) anos.
§ 8º - Para assegurar seu direito de preferência, a entidade de prática desportiva formadora e detentora do primeiro contrato especial de trabalho desportivo deverá apresentar, até 45 (quarenta e cinco) dias antes do término do contrato em curso, proposta ao atleta, de cujo teor deverá ser cientificada a correspondente entidade regional de administração do desporto, indicando as novas condições contratuais e os salários ofertados, devendo o atleta apresentar resposta à entidade de prática desportiva formadora, de cujo teor deverá ser notificada a referida entidade de administração, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data do recebimento da proposta, sob pena de aceitação tácita".
O clube também explicitou o descumprimento do RNRTAF (Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol) e dos regulamentos da Fifa por parte do Bahia, sobretudo no artigo 25 do RNRTAF e nos parágrafos 4 e 5 do artigo 17 do RSTP (Regulamento do Status e Transferências de Jogadores) da entidade internacional.
O Timão alega um "nítido aliciamento de atleta sob contrato" na movimentação do Tricolor baiano para contratar Kauê. Confira, abaixo, o que diz o RNRTAF:
Art. 25 - O clube que pretenda celebrar contrato de trabalho com atleta profissional ou treinador de futebol deverá informar ao clube atual do mesmo, por escrito, antes de entrar em negociações com o profissional.
Por fim, o Corinthians ainda entende que o Bahia foi utilizado como um "intermediador de negócios" para que o City Football Group, que controla a SAF do Tricolor de Aço e de outros times ao redor do mundo, como o Manchester City, pagasse somente R$ 14 milhões, quantia estipulada para o mercado nacional. O valor da multa para o exterior era de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 315 milhões na cotação atual).
Diante de todo o exposto, o Corinthians pede à Câmara Nacional de Resolução de Disputas que tome algumas medidas contra o Bahia. Uma delas, por exemplo, é o pagamento indenizatório ao Timão de um valor equivalente a 200 vezes o valor do salário mensal da proposta ofertada pelo Tricolor de Aço a Kauê.
A diretoria do clube alvinegro solicitou também que a CNRD aplique sanções ao Bahia previstas no artigo 56 do regulamento do órgão, por "ter aliciado o atleta e mantido com ele negociações enquanto ainda vinculado ao Corinthians", e também ao jogador, por ter atentado "contra a estabilidade contratual e adotado condutas contrárias aos regulamentos vigentes da FIFA e CBF".
O time paulista também cobra que a Câmara profira sentença de "cunho declaratório" e reconheça o direito do clube em exigir do Bahia o pagamento da multa rescisória internacional, caso Kauê seja transferido pelo Tricolor a qualquer equipe que integre o City Football Group depois de completar 18 anos.
O Timão, por fim, ainda requer que Bahia e Kauê Furquim apresentem toda documentação registrada de comunicação entre as partes, ou através de seus representantes legais e/ou contratuais (intermediários), como propostas, mensagens de texto, e-mails e áudios.
Próximos jogos do Corinthians:
Athletico-PR (F) - 27/08, 21h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
Palmeiras (C) - 31/08, 18h30 (de Brasília) - Brasileirão
Athletico-PR (C) - 11/09, 19h30 (de Brasília) - Copa do Brasil
