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Presidente do Cuiabá diz que 'não aposta as fichas' em receber do Corinthians: 'Continua dando golpe no futebol'

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Presidente do Cuiabá dispara contra Corinthians por dívida: 'Se salvou dando calote' (0:24)

Cristiano Dresch concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br (0:24)

O atraso no pagamento da 1ª parcela do plano coletivo de pagamentos firmado com a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) gerou um novo atrito entre Corinthians e Cuiabá.

O Timão foi acionado pelo Dourado no órgão da CBF pedindo a aplicação do chamado “transfer ban”, quando um clube fica impedido de registrar atletas enquanto permanecer com uma dívida ativa.

Segundo apurou a ESPN, o valor cobrado pelo Dourado gira em torno de R$ 760 mil e faz parte do acordo para a quitação da dívida de R$ 18.090.246,11 referente à aquisição do volante Raniele, em 2024. Ao todo, as parcelas do acordo firmado entre Corinthians e CNRD com vencimento para 17 de julho somavam cerca de R$ 4,5 milhões.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes na última sexta-feira (18), Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, não escondeu a insatisfação com a postura do clube paulista em relação aos novos atrasos.

“Acho que o primeiro ponto é levar a sério os compromissos que são assumidos. Quem pediu a criação desse plano coletivo na CNRD foi o próprio Corinthians. Não foi o Cuiabá quem pediu essa parcela no dia 17 de julho. Foi o Corinthians que entrou na CNRD querendo fazer uma centralização dos débitos. Foi assumido esse compromisso pelo Corinthians. Faz mito tempo que eles sabem que essa conta vence. O Cuiabá não tem culpa se o Corinthians virou um caos político”, disparou Dresch.

“Nós vendemos o Raniele para o Corinthians. Confiamos na marca Corinthians quando nós vendemos o jogador. Era o sonho da vida dele jogar no Corinthians, a gente via que era um jogador que iria se adaptar ao estilo do Corinthians. Nós não temos culpa daquilo que está acontecendo na vida do Corinthians. A gente tem que parar de ficar romantizando o calote. O que a CNRD fez pelo Corinthians, não faria pelo Cuiabá. Fez por que o Corinthians não pode quebrar. Mas o Cuiabá, que é um clube pequeno do Mato Grosso, teve que recorrer ao mercado financeiro esse ano e pegar R$ 10 milhões emprestados, esse pode quebrar, ele pode perder funcionários, pode ser rebaixado para a Série C, para a Série D. O Corinthians, não”.

“O Corinthians tem que ser privilegiado com um plano de pagamento a perder de vista e sem juros. Eles sabiam há muito tempo que vencia (dia 17). Lá no Corinthians deve ter um sistema de contas a pagar. Não adianta vir falar que não tem presidente. A gente precisa receber, eu preciso pagar as minhas contas. Eu espero que até o dia 22 esse dinheiro caia. E caso não caia, eu tenho certeza absoluta que no dia seguinte a CNRD vai emitir o transfer ban do Corinthians. É o que já tinha sido combinado desde a proposição desse plano coletivo que o próprio Corinthians fez”.

Mesmo reconhecendo a pendência, a diretoria alvinegra entende que tem até o próximo dia 22 de julho para que a quitação seja feita, considerando o prazo para envio do comprovante de pagamento.

Questionado sobre confiar que receberá o valor no início da próxima semana, Cristiano Dresch mostrou ceticismo.

“Eu não apostaria as minhas fichas. Ali é uma caixinha de surpresas. Espero receber, preciso do dinheiro. Eu converso com outros credores, poucos têm a coragem de vir colocar a cara a tapa, se expor para tentar melhorar o futebol. Nenhum clube no Brasil tem segurança jurídica para vender um jogador para o Corinthians, para o Santos, para o Atlético-MG, para o Grêmio. Essa iniciativa minha, e às vezes com palavras mais duras, mais fortes, vai trazer um benefício. Eu espero receber. Não aposto minhas fichas nisso, mas espero receber”.

O drama financeiro no Parque São Jorge levou o Corinthians a atrasar o salário de jogadores e funcionários no início do mês, além de pagamentos à empresa contratada para a segurança particular do holandês Memphis Depay. O balanço de 2024 apontou uma dívida de R$ 2,568 bilhões.

Veja abaixo outros pontos da entrevista de Cristiano Dresch à Rádio Bandeirantes:

  • Quanto os clubes brasileiros devem ao Cuiabá?

“Hoje passa de R$ 40 milhões. Para nós é muito dinheiro, provavelmente é mais do que a gente vai arrecadar esse ano. Isso cria um problema enorme para nós, não é fácil administrar. Esperamos que, a partir desse tipo de situação que estamos vivendo hoje, caso surja um transfer ban para o Corinthians, que isso sirva de exemplo e que seja o início da mudança”.

  • Corinthians está dando um golpe no futebol brasileiro?

“O Corinthians continua dando um golpe no futebol brasileiro, não acabou ainda. O Corinthians jogou contra o Ceará em Fortaleza e ganharam o jogo. O Ceará provavelmente vai chegar até o final desse ano lutando para permanecer. Esses pontos que o Corinthians ganhou vão fazer falta para o Ceará no futuro”.

  • Cuiabá deve ao Corinthians pelo goleiro Walter?

“Essa questão do Walter foi um erro no balanço do Corinthians. O Corinthians colocou Walter no balanço, mas na verdade era o Marquinhos. O Marquinhos é um jogador que foi vendido pelo Cuiabá ao APOEL, do Chipre. Ficou combinado que a última parcela da venda seria repassada ao Corinthians. Essa parcela foi recebida e o Corinthians já estava em atraso com o Cuiabá pela segunda parcela do Raniele. O Cuiabá reteve esse valor. Não tem sentido. Se você me deve R$ 18 milhões e eu te devo R$ 300 mil, não tem sentido eu te pagar. Quando o Corinthians entrou com o pedido do plano coletivo na CNRD, um dos itens foi esse encontro de contas e que seria abatido daquilo que eles nos deviam. A CNRD aceitou e o valor que hoje a gente cobra já tem descontado esse valor [da venda do Marquinhos]”.

“São argumentos vazios usados até pelo próprio Corinthians. Dizer que no passado o Cuiabá pegou jogadores emprestados do Corinthians...eram jogadores que não serviam para eles na época. Tanto que vieram para um clube que tinha acabado de subir para a primeira divisão. A gente ajudou o Corinthians a tirar esses jogadores de lá pagando salário. Foi uma mão que valou a outra na época. Mas a venda do Raniele não tem nada a ver. Acabaram nos prejudicando muito na Série A do ano passado. Era um jogador importante, acabamos sendo rebaixados e eles continuam na Série A, continuam prejudicando clubes que não conseguem fazer o que eles fazem”.

  • Recebeu alguma ligação do Corinthians sobre a dívida?

“Eles [Corinthians] nunca me ligaram [sobre a dívida pelo Raniele]. Me ligaram ano passado quando levaram o Antônio Oliveira e queriam prazo para pagar a multa. Foi o Fabinho Soldado na época. Não tem que me ligar. Tem que me mandar o dinheiro”.

  • Corinthians, Santos, Atlético-MG e Grêmio dão golpe no futebol?

“Claro. O Cuiabá, no primeiro turno do ano passado contra o Corinthians, na arena do Corinthians, a gente quase ganhou o jogo. Acabamos levando o empate já no final da partida. Ali o Cuiabá estava na mesma faixa da tabela que o Corinthians. No segundo turno, o time que veio jogar aqui na Arena Pantanal era outro time. Tinha Memphis, os estrangeiros no meio de campo. Ficou muito difícil para ganhar deles. Eles contrataram um monte de jogador, não pagaram ninguém. O gol do Santos contra o Flamengo foi feito pelo Neymar. Eles pagam o Neymar e não pagam o Cuiabá. Os clubes usam jogadores e se aproveitam deles para ganhar pontos de times que não podem fazer isso. É uma frase forte dizer que estão dando um golpe? Mas é um golpe. É uma vantagem indevida. Tem que parar de passar pano e falar a verdade”.