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Como exemplo do pai em time com Zidane virou 'alerta' para António Oliveira em crise no Corinthians

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'Dérbi muito quente': Ubiratan Leal diz o que esperar do clássico entre Palmeiras x Corinthians (1:39)

Palmeiras x Corinthians se enfrentam nesta segunda-feira (01), às 20h (de Brasília), no Allianz Parque, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro (1:39)

António Oliveira comanda o Corinthians contra o Palmeiras, nesta segunda-feira (1), às 20h (de Brasília), sob pressão. Com apenas uma vitória em 12 jogos no Campeonato Brasileiro, o técnico corre risco de demissão e tenta se salvar dias antes de algo que ele vê como crucial para a reação alvinegra na temporada: a abertura da janela de transferências.

O português deixou claro, em entrevistas recentes, que não vê o elenco do Corinthians com tamanho suficiente para brigar no Brasileirão, Copa do Brasil e CONMEBOL Sul-Americana, três torneios que a equipe ainda tem pela frente até o final de 2024.

É curioso que esse havia sido um alerta dado ainda durante o Campeonato Paulista pelo pai do treinador, Toni Oliveira, que fez história como jogador e também técnico no Benfica, principalmente. Em entrevista à ESPN ainda em fevereiro, após um triunfo do Corinthians sobre a Portuguesa, o hoje comentarista de 77 anos falou sobre a falta de opções do elenco paulista.

"É importante porque, se perguntarmos a qualquer presidente, todos dizem que querem ser campeão. Agora, é preciso criar os meios, dar os meios e condições, materiais e físicas, para que se possa projetar para esses patamares", iniciou Toni.

Na ocasião, o português ressaltou a confiança no trabalho do filho, mas relembrou trabalhos recentes, com Sylvinho e Mano Menezes, por exemplo, bons treinadores segundo ele, que acabaram não conseguindo ter sucesso com o time do Corinthians. E citou algo que lhe aconteceu no Bordeaux, da França, que se assemelha com o discurso atual de António.

"Quando eu era treinador do Bordeaux, tinha Zidane de 21 anos, Dugarry, Lizarazu... E eu estava lá, mas só tinha 18 jogadores, não podia inscrever mais...", citou Toni, que comandou o clube francês entre 1994 e 95, sem repetir os títulos dos tempos de Benfica.

"Eu nem sabia o nome daqueles jogadores que estavam no centro de formação. E diziam assim: de burros não se fazem cavalos de corrida? E aquilo nunca mais me saiu da cabeça. Quando tive gente de qualidade, cheguei sempre lá. Com menos gente, tenho sempre menos hipóteses. Com António, se forem dadas as condições, acredito no seu trabalho."

A declaração acabou sendo uma espécie de “premonição”, já que é justamente nesse ponto que António tem tocado ao rebater as críticas atual – isso em contexto no qual, desde a declaração do pai, o Corinthians perdeu Cássio, Carlos Miguel, Matías Rojas, Raul Gustavo e Fausto Vera, negociados); Fagner e Maycon, lesionados; além de Félix Torre e Romero, na Copa América; todos disponíveis na ocasião.

"Treinadores portugueses e brasileiros hoje estão todos de acordo: há uma densidade competitiva tão grande, você só pode jogar, recuperar, jogar... Portanto, você não tem ganho físico, você apenas joga, recupera, joga e viaja. E ainda por cima, o Brasil não é Portugal, no Brasil, as viagens são de quatro, três horas...", pontuou.

A principal preocupação de Toni na época era em relação à expectativa dos "adeptos", como os portugueses chamam os torcedores, e também direção em oposição à realidade do elenco. Outro ponto especificamente citado por António na última semana, após empate do Corinthians, em casa, com o Cuiabá, por 1 a 1...

"Essa é uma situação que as pessoas têm que ajustar as expectativas àquilo que eventualmente vai chegar. Não vai chegar aqui o Neymar, o Marquinhos, o Paquetá. Portanto, se calhar, não vamos ter aquilo que me prometeram (quatro reforços titulares). A janela vai ser uma situação bem diferente. Vamos ver as oportunidades que o mercado nos dá para podermos treinar uma equipe competitiva e mais forte", afirmou o treinador alvinegro.

Ainda que prevendo dificuldades, Toni, naquela época, deixou um recado de confiança para o filho – em algo que talvez ele precise mais do que nunca nesta segunda no Allianz Parque.

"O recado que eu tenho é muito simples, e ele sabe: nunca desista dos teus sonhos. Isso é a palavra-chave, porque vai haver momentos no qual as coisas não correm tão bem como preparamos, mas o futebol tem esse sortilégio. Por isso, nunca desista", aconselhou.

É outra semelhança com o discurso atual de António, que ressaltou a confiança em reverter a situação corintiana, começando pelo clássico contra o Palmeiras – nas entrelinhas, porém, mais uma vez ele ressaltou o incômodo com a profundidade de seu elenco em relação às expectativas.

"Estou muito seguro daquilo que faço, sei como cheguei aqui, agora realmente tem sido um trabalho árduo, apaixonante, mas não esperava fazer tanta coisa que fosse além da minha competência técnica. Agora, nós que temos que conseguir moldar as expectativas de um clube dessa dimensão para aquilo que o clube hoje pode nos oferecer”, disse. “É apaixonante pelo projeto e o clube, com uma crença enorme vou em frente, continuo acreditando nos meus jogadores, no dia a dia fantástico deles."