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Bastidores: Palacios pediu médico e foi convencido a não deixar o Brasil antes de 2ª cirurgia no Corinthians

Diego Palacios durante treinamento no CT Dr. Joaquim Grava Rodrigo Coca/Ag.Corinthians

Uma das grandes contratações da gestão Augusto Melo no ambicioso projeto de reformulação do elenco do Corinthians para 2024, Diego Palacios tem sofrido com uma temporada distante dos gramados.

O clube anunciou no último dia 19 que o equatoriano foi submetido à segunda cirurgia desde que chegou ao clube paulista, e mais uma vez para corrigir um problema no menisco do joelho esquerdo.

A previsão, segundo o departamento médico alvinegro, é de que o atleta perca até cinco meses para a recuperação completa, podendo levar Diego Palacios a terminar sua primeira temporada como jogador do Corinthians com apenas 45 minutos em campo.

Mas o que, de fato, aconteceu com o lateral de apenas 24 anos?

A reportagem da ESPN ouviu diferentes fontes desde que o Corinthians anunciou a realização da segunda artroscopia para entender o passo a passo que levou novamente o equatoriano à mesa de cirurgia em apenas seis meses no futebol brasileiro.

Mas desta vez, no entanto, com prazo maior para retornar aos gramados.

Palacios chegou machucado ao Corinthians?

Diversas fontes ouvidas deram à ESPN a mesma resposta diante dessa pergunta: não.

Esse, inclusive, foi um ponto de divergência entre representantes do equatoriano e o clube, principalmente após o comunicado do Corinthians sobre a nova cirurgia.

"O Palacios veio com uma lesão de cartilagem", disse a Dra. Ana Carolina Ramos e Cortê, que chefia o departamento médico do clube durante um vídeo em que explica a cirurgia realizada pelo defensor.

A reportagem apurou que pessoas ligadas ao atleta questionaram a maneira como a lesão foi comunicada, podendo levar ao entendimento de que o lateral não reunia as condições clínicas necessárias para ser contratado pelo Corinthians.

"Atleta que tem 45 jogos no ano com essa minutagem, com média de 85 minutos por jogo, se tivesse problema de cartilagem nunca que iria aguentar. Ainda mais nessa batida em campos de maioria em gramado sintético", disse uma fonte ouvida pela ESPN.

O passo a passo até a 2ª cirurgia

Foi justamente o desempenho de Palacios no futebol dos Estados Unidos que chamou atenção do departamento de scout do Corinthians, que tornou o equatoriano uma das prioridades do início da gestão Augusto Melo, que à época contava apenas com Hugo, acertado ainda durante os últimos meses de mandato de Duilio Monteiro Alves.

A expectativa era de que o lateral assumisse a condição de titular na equipe, o que aconteceu apenas contra o São Bernardo, em 27 de janeiro, pela 3ª rodada do Campeonato Paulista.

O equatoriano, no entanto, deixou o gramado do Estádio 1º de Maio antes mesmo do final da etapa inicial com uma lesão no músculo posterior da coxa direita. Dias depois, novos exames apontaram um problema agudo no menisco do joelho esquerdo conhecido no esporte como "alça de balde".

Palacios foi levado à mesa de cirurgia do Hospital Albert Einstein no dia 3 de fevereiro, ainda com Fabio Luiz Novi à frente do departamento médico do Corinthians.

Relatos ouvidos pela reportagem indicaram a possibilidade de que o procedimento realizado foi "mais agressivo do que o necessário", podendo afetar a estrutura anatômica do joelho e causando lesões secundárias.

O médico Fabio Novi foi procurado pela reportagem para comentar sobre o tema, mas não respondeu aos pedidos de entrevista. Ele deixou o comando do departamento médico do Corinthians em 20 de fevereiro, sendo substituído dias depois por Ana Carolina.

Segundo soube a ESPN, exames de imagem realizados pelo jogador indicaram que a lesão no joelho não evoluía como esperado, justificando o quadro de dores constantes que deixaram o lateral fora de combate na equipe do Corinthians.

"Por mais que um jogador diga que está bem, os médicos do clube têm movimentos para a recuperação que, se ele estiver com dor, vai gritar. Você pode treinar um atleta na academia e em simulações, mas a verdade é que nada se compara à pratica do futebol", apontou uma fonte à reportagem.

Sem conseguir deixar de sentir dor no joelho e longe dos gramados, Palacios procurou em maio o médico equatoriano Daniel Rosales, com quem trabalhou ainda nos tempos de Aucas, clube onde foi revelado. O ortopedista acompanha o lateral desde os 15 anos.

Os relatos sobre dores e insegurança em relação à evolução do quadro foram acompanhados à distância pelo ortopedista durante os últimos meses, justamente quando Diego conseguiu evoluir no tratamento até voltar a ficar à disposição do Corinthians, sendo relacionado então para a partida contra o Atlético-GO, no início de junho.

Novamente diante das dores, Palacios viu a situação ficar ainda pior quando sofreu um novo trauma no joelho durante treinamento da equipe, agravando a lesão que voltava a evoluir no menisco esquerdo.

O baque pela iminência de uma nova cirurgia levou o lateral a recorrer ao Dr. Rosales, que viajou ao Brasil para acompanhar o caso a pedido do atleta.

Segundo apurou a ESPN, Palacios levou o médico particular ao consultório do Dr. Joaquim Grava, referência da medicina esportiva. Diante dos exames de imagem, a decisão foi mesmo por uma nova artroscopia.

O desejo do jogador era que a segunda artroscopia e a recuperação fossem realizadas longe do Brasil. A vontade de Palacios era retornar ao Equador.

O lateral, no entanto, foi demovido da ideia diante da urgência do procedimento, que precisou ser realizado no último dia 19. A cirurgia foi conduzida pelos médicos Joaquim Grava e Daniel Rosales.

Ainda segundo apurou a reportagem, houve uma reunião na quinta-feira, dia seguinte à nova artroscopia feita por Palacios, que contou com os empresários do lateral, o Dr. Daniel Rosales, Fabinho Soldado, executivo de futebol do Corinthians, e membros de departamento médico, entre eles a Dra. Ana Carolina. A ideia era "aparar arestas" em relação à recuperação do jogador e à maneira como a questão tem sido comunicada.

Fontes ouvidas não esconderam o incômodo com o termo "lesão crônica de cartilagem", utilizado pelo Corinthians para se referir ao quadro de Palacios, podendo levar torcedores ao entendimento de que o problema seja irreversível.

Uma fonte relatou à ESPN que a comunicação entre os membros envolvidas na recuperação de Palacios tem sido intensa desde então.

Problemas na recuperação

Segundo apuração, não é possível classificar o quadro de Palacios como um erro médico.

A caso do lateral, no entanto, pode ser visto como um erro de protocolo.

Relatos ouvidos pela reportagem indicam problemas na condução da recuperação do atleta após a 1ª artroscopia no joelho esquerdo. Entre eles de que o lateral passou a realizar treinos de corrida em esteira apenas oito dias após a intervenção cirúrgica.

Uma fonte ligada ao jogador relatou à ESPN que um dos possíveis equívocos no protocolo de tratamento do equatoriano aconteceu justamente na antecipação do retorno de Palacios para as atividades com carga sobre o joelho.

Isso, contudo, não quer dizer que membros do departamento médico do Corinthians tenham agido com má-fé. Há relatos de que o próprio atleta chegou a questionar a capacidade de se comunicar de maneira clara com a equipe de saúde por problemas com a língua portuguesa.

O jogador sentia que não conseguia explicar com exatidão sua dor aos médicos do clube. Ou que não era entendido da maneira como queria.

A reportagem soube que uma das demandas dos representantes de Palacios era a contratação de um fisioterapeuta com espanhol avançado para que pudesse acompanhar o lateral depois da segunda cirurgia, o que foi atendido pelo Corinthians.

Palacios vai voltar a jogar futebol? E quando?

Essa foi outra pergunta com resposta unânime entre as fontes ouvidas: sim, Diego Palacios voltará a jogador futebol.

A ressalva, no entanto, foi feita pela urgência de que a recuperação da nova artroscopia seja conduzida com cautela redobrada.

O equatoriano já não sente dores na região cirurgia. Ainda assim, o lateral precisará completar quatro semanas sem poder apoiar o pé esquerdo no chão, dada a preocupação com novas reações negativas.

No melhor cenário, Palacios poderá volta a ter contato com os treinamentos de maior impacto depois de três meses da artroscopia, em meados de setembro.

A expectativa é de que a recuperação completa possa levar de quatro a cinco meses, abrindo a possibilidade de que o lateral só retorne integralmente ao elenco do Corinthians em janeiro de 2025, na preparação para a próxima temporada.

"A prioridade é que Diego volte a jogar, mesmo que isso só aconteça em janeiro", disse uma fonte à ESPN.

Segundo comunicado, Diego Palacios tem contrato com o Corinthians até 31 de dezembro de 2027, com multa rescisória de R$ 300 milhões para o Brasil e 100 milhões de euros (cerca de R$ 580 milhões) para o mercado internacional.

Próximos jogos do Corinthians: