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Corinthians vai contratar um CEO? Augusto revela conversa, mas admite: 'Difícil tirar de onde está'

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'Impeachment? Isso não existe', diz Augusto Melo sobre possibilidade de deixar a presidência do Corinthians (0:42)

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Em meio a um momento turbulento após menos de seis meses na presidência do Corinthians, Augusto Melo indicou que trabalha para encontrar um CEO (Chief Executive Officer, em inglês) no mercado. Como a ESPN detalhou, um relatório inicial da Ernst & Young apontou a chegada deste profissional como sugestão para a recuperação na gestão do clube.

Questionado sobre a contratação de um nome para este cargo, o presidente alvinegro afirmou ser favorável, mas que tem esbarrado no perfil ideal para a função.

“Desde o começo sempre fui favorável a isso. Um CEO do Corinthians tem que ser do tamanho do Corinthians. Não pode ser às pressas. Estão vendo a política forte do Corinthians”, afirmou Augusto Melo, indicando que conversa com um profissional para o cargo.

“Não é qualquer CEO que vem tomar conta de 11 diretorias. Tem que ser alguém capacitado, tem que analisar. Uma das primeiras conversas com a E&Y fomos buscar um perfil, seria o melhor, não iria errar. Sei que é muito difícil tirá-lo de onde está. Não tenho problema com nenhuma diretoria, a que eu tive tiramos outros e colocamos um competente”.

Como a ESPN detalhou no início de maio, detalhes do relatório preparado pela Ernst & Young que chegaram à diretoria do Corinthians indicam uma situação financeira difícil.

Segundo soube a reportagem, o primeiro documento que chegou à mão do corpo diretivo alvinegro apontava um endividamento total de cerca de R$ 2,1 bilhões, sendo R$ 500 milhões a mais em relação ao projetado no último balanço financeiro publicado pela gestão Duílio Monteiro Alves.

De acordo com apresentação do balanço financeiro de 2023 enviada a membros do Conselho Deliberativo, o Corinthians alcançou R$ 1 bilhão em faturamento, considerando as receitas brutas do clube e da Neo Química Arena.

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Isso representa um recorde na história alvinegra.

Por outro lado, a dívida bruta também ficou em patamar elevado, de R$ 1,96 bilhão, sendo R$ 1,26 bilhão do clube e R$ 703 milhões do estádio (financiamento com a Caixa Econômica Federal).

Na apresentação aos conselheiros, o Corinthians também mostra o endividamento com outro cálculo, o mesmo adotado pela gestão anterior. Nesses critérios, o saldo é um pouco menor: R$ 1,58 bilhão.

Entre os caminhos apresentados pela Ernst & Young ao Corinthians está o de uma recuperação judicial, que é uma previsão legal para empresas em situação de crise econômico-financeira. O documento da consultoria, inclusive, trata o quadro do clube como "insolvente".

Isso, segundo apurou a ESPN, foi apontado a dirigentes alvinegros como o "remédio amargo" possível diante da grave crise financeira.

Há ainda, entre outras sugestões apresentadas, a transformação do Corinthians em uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

O modelo tradicional de organização no Brasil é a associação civil sem fins lucrativos, com as eleições de seus presidentes determinadas pelos próprios estatutos.

Quando o formato de empresa passa a ser adotado, isso habilita a possibilidade de haver um investidor para essa SAF, que passa a ser o proprietário (majoritário ou não) das ações. Na prática, o clube passa a ter um dono.

Além disso, a legislação aplicada à SAF ainda prevê alterações quanto à tributação, normas de governança e regras de adequação financeira, além de obrigações mais rígidas quanto ao pagamento de dívidas de natureza civil e trabalhista, que passam a ter um prazo que poderá chegar a dez anos para a quitação, dependendo de regras específicas.

Ainda segundo apurou a reportagem, o Corinthians indicou à Ernst & Young o desejo de que o caminho seguido fosse semelhante ao adotado pelo Flamengo na gestão Eduardo Bandeira de Mello, quando coube à multinacional britânica traçar o planejamento estratégico para recuperação financeira do clube.

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