A polêmica envolvendo a saída de Lucas Veríssimo do Corinthians ganhou mais um capítulo.
Negociado pelo Benfica com Al Duhail, do Qatar, o defensor falou pela primeira vez sobre sua saída turbulenta do clube paulista.
“Levei porrada, muita porrada. Não escondi desde que cheguei no Corinthians que foi um sonho. Defender essa camisa. Realizei meu sonho, estava muito feliz. As coisas correndo bem dentro do possível, porque estávamos brigando contra o rebaixamento. Quando cheguei, ainda tínhamos duas competições, chance de título, Sul-Americana e Copa do Brasil. Graças a Deus conseguimos a permanência. Vivi esses seis meses intensamente”, disse o zagueiro em entrevista ao Canal do Benja, do apresentador Benjamin Back.
“Estávamos muito felizes, eu e minha família. Em dezembro tivemos uma conversa, definimos detalhes de contrato para poder renovar... Corinthians, Benfica e também da minha parte. Chegamos numa conclusão em dezembro, mais ou menos dia 27, 28. Definimos, ok, ficamos só por assinatura. Viramos o ano, nos apresentamos e ficamos no aguardo dessa assinatura, poder oficializar a possível compra, que era o previsto. Eu comprei casa em São Paulo, estava adaptado, não tinha porque não permanecer”.
O Corinthians alegou que foi comunicado no dia 20 de janeiro sobre o acerto com o Al Duhail, do Qatar. O zagueiro, no entanto, foi anunciado no início do ano como "primeiro grande reforço" do clube para 2024, com um acordo para que o Timão comprasse os direitos econômicos do defensor junto ao Benfica por um valor total de 8 milhões de euros (R$ 43 milhões).
“Não sei como funciona o trâmite. O Benfica envia (o contrato) e eles (Corinthians) têm que retornar. Houve uma demora nessa resposta, tinha um prazo para ser assinado e o Corinthians deixou passar. Todos esses dias eu cobrava meu staff. Quando via o Rubão no CT eu cobrei também”.
“Passei por uma lesão muito difícil, sei como é ficar parado, ali vi uma grande oportunidade. Quando me foi oferecido que íamos renovar, acho que era 4 + 1 ou 3 + 1, fiquei muito feliz. Não via a hora de ser concretizado, sabemos como é a vida do atleta, acontece rápido, para o bem e para o mal”.
Segundo Veríssimo, houve mais de uma conversa com o diretor de futebol do Corinthians sobre o caso.
“Peguei o Rubão no CT algumas vezes. Não foi o clube que veio. Eu que fui. Achei estranho. Vi que o Corinthians está fazendo contratações, trouxe ótimos zagueiros, mas e o Veríssimo? Será que desistiram? Comecei a cobrar direto. Os dois zagueiros são top, Gustavo Henrique, joguei com ele, e o Félix pelo que vi também. Cobrei, fui atrás e não tinha esse retorno. Aí apareceu a situação do Qatar”.
“Tivemos três, quatro conversas. Uma, 'vou ver com o jurídico', outra 'vou ver com advogado', sempre tendo uma saída. Teve uma vez que ele falou 'hoje a gente assina'. Passou um, dois, três dias, aí liguei para meu staff. O que está acontecendo? Desistiram? Me fala, não quer, não quer, seguimos a vida. Jogo meus seis meses e volto para o Benfica. Essa era a cabeça. Chegou o 15º dia do mês, por isso não assinei, contrato não foi apresentado”.
Não conversou com presidente?
“Depois do dia 15 apareceu o Qatar, projeto atraiu, achei muito bom. Vou fazer o quê? É isso, me senti desvalorizado, não vou mentir. Até falei para o Rubão. Não sei uma vez para falar com o presidente. Quis para resolver a situação, fiquei esperando, ele não apareceu”, disse o zagueiro, detalhando que foi neste momento que a mudança de rumo aconteceu.
“Como poderíamos ajustar as coisas, já saiu do controle do Corinthians. Chegou a proposta no Benfica, que era melhor que a do Corinthians. Um milhão a mais, forma de pagamento melhor. Tive contato com o pessoal do Benfica, e o Corinthians meio que perdeu o controle”.
O zagueiro, que pertencia ao Benfica e estava emprestado ao clube alvinegro, se despediu após curtíssima passagem.
O Al Duhail pagou 9 milhões de euros (R$ 48,44 milhões) para ficar com o defensor brasileiro.
Ao todo, Lucas fez apenas 18 partidas pelo Corinthians, com 1 gol marcado e 2 assistências.
