A estreia de Cuca pelo Corinthians passou longe de ser positiva. Além da derrota de virada para o Goiás, neste domingo (23), pelo Campeonato Brasileiro, o técnico também enfrentou protestos de parte da torcida alvinegra que foi à partida em Goiânia, em especial as mulheres.
Fora dos gramados, o time feminino do Corinthians fez publicações sobre o movimento 'Respeita as Minas'. Na saída do estádio da Serrinha, o presidente Duílio Monteiro Alves revelou que teve reunião com a equipe na véspera do duelo e legitimou as publicações.
“A equipe feminina, como falei, o Corinthians é um clube democrático, é o clube do ‘Respeita as minas’, e elas têm todo direito de se posicionar. Estive com elas, conversamos por mais de uma hora e meia ontem, foi tudo conversado, explicado e elas têm todo direito de colocar a posição delas", disse.
"Dá para entender como protesto, mas dá para entender, também, reforçando o que é o Corinthians, que é o clube do ‘Respeita as minas’, que vamos continuar tratando-as e fazendo tudo que for possível para que a gente ajude na campanha das mulheres", continuou.
"Muitos falam que é marketing o ‘respeita as minas’, mas acho que na minha gestão não teve nenhuma campanha de marketing com respeito a isso, e sim um apoio incondicional ao nosso time feminino, à implantação de toda categoria de base do feminino, profissionais trabalhando em todas as áreas, médica, fisioterapeuta, assessora no futebol masculino. Então, o Corinthians segue com todas as campanhas e todo o investimento para desenvolvimento dessa categoria”, finalizou.
Torcedoras do clube seguraram faixas com os dizeres "Fora, Cuca" nas arquibancadas do estádio do Goiás. A manifestação é reflexo de um escândalo na vida pessoal do treinador, que foi condenado à revelia em caso de estupro ocorrido em 1987, quando ele ainda era jogador do Grêmio. Duílio também falou sobre os protestos no estádio.
“Não é questão de se preparar, como falei antes, o Corinthians é um clube da democracia. Tem que saber ouvir protestos de forma pacífica”, afirmou.
Em entrevista coletiva após a partida, Cuca minimizou os protestos das arquibancadas e elogiou o apoio dos torcedores presentes.
"Eu, sinceramente, não vi torcedor pedindo a saída. Eu vi eles apoiando o jogo inteiro, não vi faixa. Faixa não é a torcida, hoje tinha 1000 torcedores cantando o jogo inteiro, nunca vi isso, é de tirar o chapéu'', pontuou.
O treinador disse ainda que comanda o ''clube mais democrático do país'' e que terá que saber lidar com todo e qualquer tipo de manifestação.
''Eu trabalho no clube mais democrático do país, todas as manifestações que ocorrerem, a gente vai ter que saber lidar. Eu sou Corinthians, estou aqui para trabalhar. Ontem trabalhei no Palmeiras, antes no São Paulo, no Santos, no Galo, no Cruzeiro... em todos eles, tive começos ruins, médios, bons, e eu vinguei. Tenho muita esperança em vingar aqui e fazer o Corinthians ganhar jogos e títulos'', afirmou em entrevista coletiva.
Antes mesmo do apito final da partida deste domingo, as atletas do futebol feminino do Corinthians e Arthur Elias, comandante da equipe, usaram suas redes sociais para se manifestar sobre as polêmicas em torno da contratação do técnico Cuca pelo masculino.
"Estar em um clube democrático significa que podemos usar a nossa voz, por vezes de forma pública, por vezes nos bastidores. 'Respeita As Minas' não é uma frase qualquer", diz a manifestação das jogadoras.
"É, acima de tudo, um estado de espírito e um compromisso compartilhado. Ser Corinthians significa viver e lutar por direitos todos os dias".
Na noite da última quinta-feira (20), muros do Parque São Jorge, sede do Corinthians, foram pichados com frases como 'Fora, Cuca' e 'diretoria incompetente'.
Pouco antes do anúncio oficial da nova contratação, alguns torcedores já tinham manifestado o descontentamento com a chegada de Cuca ao clube.
Próximos jogos do Corinthians:
Remo (C) - 26/04, 21h30 - Copa do Brasil
Palmeiras (F) - 29/04, 18h30 - Campeonato Brasileiro
Independiente del Valle - 02/05, 21h - CONMEBOL Libertadores
