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Cuca responde sobre condenação na Suíça: 'Não vou ficar em casa me escondendo, sou inocente'

Apresentado pelo Corinthians nesta sexta-feira (21), Cuca falou pela primeira vez como treinador do time do Parque São Jorge. E um dos temas abordados foi a sua condenação por estupro após episódio que ocorreu em Berna, na Suíça, em 1987.

Cuca, na época jogador do Grêmio, foi detido ao lado de Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldi, também atletas. Todos foram acusados de terem estuprado uma garota que tinha apenas 13 anos, durante uma excursão do Tricolor Gaúcho na Europa. Questionado sobre o tema, o comandante falou.

"Não vou ficar em casa me escondendo, sou inocente", disse o treinador em parte da entrevista, marcada por um longo desabafo do técnico sobre o assunto.

"É um tema delicado, pessoal meu, mas eu faço questão de falar sobre ele e tentar ser o mais aberto possível quanto a isso. Ocorreu há 37 anos, em 1987, eu era emprestado do Juventude, devia estar no Grêmio uns 15, 20 dias, fiquei 1 semana para tirar passaporte e tenho uma vaga lembrança de tudo que aconteceu, tinha 23 anos na época, nós iríamos jogar uma partida, subiu uma menina para o quarto que eu estava com mais 3 jogadores, essa foi minha participação nesse caso, sou totalmente inocente, não fiz nada".

"As pessoas falam que houve um estupro, houve um ato sexual a um vulnerável e isso foi a pena que foi dada, a gente vê, ouve um monte de coisas, (pessoas) falando inverdades e chegam a ofender. Eu vou fazer 60 anos daqui um mês, tenho 2 filhas, que tem 32 e 34 anos. E é um tema que elas nem existiam, eu era casado e sou até hoje, o único homem que tem na casa sou eu e agora meu neto que tem 3, 4 meses. Eu respeito todas as mulheres, nunca encostei um dedo em nenhuma mulher", disse Cuca, que seguiu falando sobre o tema.

"Estive em diversos clubes e nunca foi me questionado em uma coletiva. As leis eram as mesmas, o meu erro foi não ter me defendido. Eu não tinha dinheiro, nem soube que tinha sido julgado, ficamos lá para averiguação, por 3 vezes a moça ficou lá na frente. Se a vítima fala que eu não estava e eu juro por Nossa Senhora, como que eu posso ser condenado pela internet? Eu sei que o mundo mudou, que hoje a gente está vivendo um mundo melhor, a mulher tem uma autodefesa muito maior e eu quero fazer parte disso, sou pai, avô, marido, filho, quero poder ajudar. Por isso estou aqui num clube que tem 53% da torcida feminina".

"Lógico que é cabido o protesto dentro de tudo que é lido, passado. Por que eu devo uma desculpa para a sociedade se eu não fiz nada? Dois anos e meio depois eu fui jogar ali do lado, nunca teve consequência nenhuma. Nos últimos 2 ou 3 anos, a vida mudou para uma forma muito melhor. E eu quero fazer parte disso. Tudo isso machuca muito, mas do fundo do meu coração, pode ter protesto, não é maior que minha vontade de estar aqui. Se ele (presidente do Corinthians) tivesse me dado o que fosse por mês, eu falei para ele que vinha, era o único grande de São Paulo que não tinha trabalhado".

"Meus erros foram esses, quem sabe o principal foi não ter falado do tema. Eu sei que amanhã vão estar descendo a lenha de volta. Como que eu não falei a verdade? Busque, olhe e veja. O que passa em cima disso é que não é verdade. É um tema difícil de falar com suas filhas, igual eu estava falando em casa, vocês (falando para as filhas) não existiam, mas temos que encarar. Eu fui atrás do assunto e não tem mais nada. Existe em 1987 que aconteceu isso. O erro foi não ter falado em 97, 2007, 2017. Por muitas vezes isso não foi levado a mim, não foi levantado pela imprensa e as coisas hoje mudaram", finalizou.

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