Goleiro passou grande parte da carreira como reserva e hoje é um dos grandes nomes da seleção que disputa a final neste domingo (18)
A Argentina disputará a final da Copa do Mundo e pode encerrar um jejum de 36 anos. Muito da histórica campanha se deve a Lionel Messi, que em seu último Mundial vem tendo um desempenho impecável. Mas também ao goleiro Emiliano Martínez. O camisa 23, de 30 anos, que até pouco tempo atrás era totalmente desconhecido, brilhou contra a Holanda nos pênaltis e passa muita segurança, estando a apenas um jogo de escrever de vez seu nome na história de seu país.
Nascido em Mar del Plata, Dibu, como é conhecido, tem uma trajetória bastante incomum. Ele se transferiu do Independiente para o Arsenal ainda nas categorias de base e, desde então, está na Europa. Apesar de pertencer ao clube londrino até 2020, o goleiro foi emprestado algumas vezes a times menores, como Oxford United, Sheffield Wednesday e Rotterham United.
Só teve oportunidades no Arsenal em 2020, após uma ótima passagem pelo Reading. No período, "foi beneficiado" com a lesão de Bernd Leno, então titular. Nos jogos que atuou, foi muito bem, mas com o retorno do alemão aos campos, para não voltar a ser reserva, preferiu ser negociado com o Aston Villa, onde está até hoje.
Apesar de pouco ter entrado em campo pelo Arsenal, Martínez foi companheiro de grandes nomes do futebol mundial. E também fez bons amigos, como André Santos. O antigo lateral-esquerdo, com passagens por Corinthians, Flamengo e seleção brasileira, atuou no clube inglês entre 2011 e 2013 e lembra com carinho da relação com o goleiro.
"Ele estava subindo para o profissional. Era um cara muito jovem e, como era o quarto goleiro, mas não ia para jogos. Só jogava na Copa, com o time reserva. Ele estava sendo formado e fez uma base muito boa. Trabalhou muito tempo com o Szczesny e o Fabianski e aprendeu com grandes jogadores, como Henry, Van Persie, Giroud, e outros. Ele procurava falar com os experientes e sempre estava bem antenado nas coisas dentro e fora de campo. Nunca teve problemas fora de campo e sempre se entregava, independente de jogar poucos minutos. Tinha aquele espírito de querer chegar longe."
E se hoje em dia Dibu é um dos maiores pegadores de pênalti do mundo, com direito a brilho na Copa e também na Premier League, ele trabalhou muito para isso. Diversas vezes, era ele o responsável por ser o goleiro das cobranças de Henry. Muitas vezes sofria gols, mas também fazia suas defesas nas cobranças do astro.
"Geralmente após os treinos quem fica treinando pênalti são os goleiros mais jovens. Ele gostava de estar dentro de campo e pegar faltas e pênaltis dos principais jogadores. Já tinha essa qualidade. Tinha espírito guerreiro e sabia onde queria chegar", disse André, que vibrou com o momento do amigo. "Tudo o que vem conquistando é tudo que sonhou e trabalhou."
Mesmo vivendo desde muito novo na Europa, Martínez nunca esqueceu suas raízes. Na Copa de 2018, ele estava nas arquibancadas dos estádios da Rússia acompanhando os jogos da Argentina, eliminada nas oitavas de final pela França, justamente a rival na final deste domingo. E prometeu ao seu irmão que no próximo Mundial seria titular da seleção. "Ele sempre foi um cara apaixonado pelo país dele. Deixava claro a força de ser argentino, entrava em campo com espírito de decisão", contou André.
O goleiro cumpriu a promessa. E pensar que a sua história na seleção poderia começar bem antes, já que mais de 10 anos atrás ele foi convocado pela primeira vez, antes mesmo de se tornar jogador profissional, substituindo o machucado Oscar Ustari. Não jogou. Só voltou a ser chamado oito anos depois, em 2019, mas apenas estreou pela equipe em junho de 2021, pouco antes da Copa América, onde teve atuações brilhantes, principalmente na semifinal, contra a Colômbia, em que pegou três pênaltis. Na final, defendeu um chute crucial de Gabigol, que garantiu a 15ª conquista da seleção argentina, sendo premiado como o melhor goleiro da competição.
Sem rivalidade com o Brasil
Sua ligação com a Argentina é tão forte, que nos últimos jogos Martínez desenhou uma bandeira do país em seu cabelo, fruto de uma aposta com companheiros de seleção. Mas não quer dizer que ele não admire também o Brasil. André Santos revelou que ele é grande fã de alguns craques brasileiros e queria até mesmo aprender português.
"A gente sempre saia juntos e ele curtia tomar o chimarrão dele. E por sermos sul-americanos, falamos muito de Argentina e Brasil. Ele queria aprender a falar português e falava muito de Neymar, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Admirava muito o futebol brasileiro", encerrou.
