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Brasileiro viu 11 jogos da Copa sem pagar, conheceu todos os estádios do Qatar e ainda comeu em área VIP

Área VIP do estádio Lusail Iconic Stadium, que recebeu Brasil 2 x 0 Sérvia na primeira rodada da Copa do Mundo do Qatar ESPN

Um torcedor conseguiu ver 11 jogos da Copa do Mundo do Qatar sem gastar um tostão sequer. E ele é brasileiro.


A Copa do Mundo é um evento que acontece de quatro em quatro anos, e assistir a uma partida custa caro. O Qatar não foge à regra dos altos valores dos ingressos, com cambistas cobrando no mínimo R$ 1 mil por uma entrada. Um torcedor, porém, conseguiu ver 11 jogos sem gastar um tostão sequer. E ele é brasileiro.

A fase de grupos do Mundial de 2022 chegou ao fim na última sexta-feira (2). Foram 48 partidas realizadas no total, do dia 20 de novembro, data da abertura, a 2 de dezembro, quando Brasil, Camarões, Suíça e Sérvia fizeram as últimas partidas da noite no grupo G.

No meio disso, um brasileiro. Ele, que pediu para não ser identificado, procurou a reportagem após a primeira partida da Copa, entre Qatar e Equador, para contar que havia entrado sem pagar. A ESPN, então, checou tudo, atestou a veracidade da história e a reportou. Depois disso, passou a acompanhar o caso. Ou melhor, a jornada do torcedor.

Além de assistir a 11 jogos do Mundial de graça, ele, de quebra, ainda conheceu os oito estádios do Qatar: Al Bayt, Al Thumama, Lusail, Al Janoub, 974, Internacional Khalifa, Ahmad bin Ali e Cidade da Educação.

A cada invasão, o brasileiro relatava à reportagem como havia feito. E mandava fotos da partida para provar. Uma jornada que durou 12 dias, porque o torcedor precisou voltar para casa ao fim da fase de grupos. Faltou verba - mesmo tendo visto tudo de graça - para ficar até a final.

A ESPN entrou em contato com a organização da Copa do Mundo no Qatar e com a Fifa, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso algum retorno seja dado.

Veja, abaixo, como o "penetra" conseguiu entrar nas partidas:

Qatar 0 x 2 Equador

20/11 | Estádio Al Bayt

Como? Pediu a entrada de um homem que estava saindo do estádio com a desculpa de que queria guardar como recordação. Passou pela primeira barreira do estádio com esse ingresso usado. "Meti o louco e entrei", disse. Foi para a segunda área de scanner, onde foi barrado. Foi orientado a tentar resolver o problema no centro de tickets, onde conseguiu "enrolar" um funcionário. Ganhou um ingresso da categoria replacement (substituição), preenchido à mão. "Implorei tanto que consegui convencer", contou. A nova entrada foi aceita no portão, e o brasileiro conseguiu assistir à abertura de graça.


Senegal 0 x 2 Holanda

21/11 | Estádio Al Thumama

Como? Foi avisado por um amigo que havia comprado ingresso que a segurança só estava olhando o Hayya Card (documento obrigatório para entrada no Qatar) na primeira barreira e que, na segunda parada, sequer estavam conferindo o ticket. "Fui correndo, passei pelo exato portão que me falaram e entrei. Coloquei o celular na orelha como se estivesse falando com alguém e simplesmente acessei sem entrada", contou.


Argentina 1 x 2 Arábia Saudita

22/11 | Estádio Lusail

Como? "(O funcionário) pediu meu ticket, mas dei de louco, acelerando. E entrei", disse. Usou a mesma estratégia de Senegal 0 x 2 Holanda, mostrando apenas o Hayya Card. Mas não conseguiu encontrar um portão mais frouxo, como no jogo anterior. Andou até encontrar um grupo de dez pessoas, todas com um crachá especial que permitia o acesso por uma porta lateral. Se enfiou no meio e passou. "Fui junto. Foram para a direita, e eu, para a esquerda. Peguei uma escada e vi o jogo", explicou.


França 4 x 1 Austrália

22/11 | Estádio Al Janoub

Como? Encontrou dificuldade para passar pelo primeiro scanner sem ingresso. Na quinta tentativa, conseguiu usar apenas o documento para turistas para acessar. "Lá dentro, estava f***. Não dava para passar", lembrou. Estava quase desistindo. Mas percebeu alguns franceses conversando com um funcionário que estava na frente de uma porta. "Eles meio que forçaram, quando eles conseguiram, juntou uns 15 torcedores em volta e deu cavalo doido. Fui no meio e entrei", contou.


Brasil 2 x 0 Sérvia

24/11 | Estádio Lusail (Setor de Hospitality, a área VIP)

Como? Talvez a história mais inacreditável. Contou que a segurança passou a olhar melhor os ingressos antes do primeiro bloqueio. A estratégia de usar apenas o Hayya Card não funcionava mais. Mas, dessa vez, alguns amigos do brasileiro tinham ticket para assistir ao jogo na área VIP do estádio. Passou pelo primeiro scanner com ajuda dos colegas: "Fizeram festa com o segurança. Nisso, passei sem que verificassem se eu tinha ingresso". Na hora de entrar, dentro do Hospitality (área VIP), passou junto com o amigo que tinha ticket pela catraca. Ainda assistiu à estreia do Brasil nas cadeiras acolchoadas, bem no centro do campo, pegou brindes luxuosos e conseguiu até jantar de graça depois da vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia: "Comi até sobremesa", brincou.


Brasil 1 x 0 Suíça

28/11 | Estádio 974

Como? Passou a usar uma estratégia que viria a dar certo até o final da jornada. Dois amigos do brasileiro tinham ingresso para a partida. Ele e outro colega, não. Quem estava sem ticket tirava uma foto bem nítida do passe de quem tinha: "Isso passava no scanner da primeira barreira", disse. Na catraca da segunda parte, já para entrar, um colega passou novamente apenas com a foto, ou seja, sem portar o ingresso verdadeiro. O brasileiro, que estava com o original no celular, acabou barrado. Com isso, precisou ir ao centro de resoluções de problema do estádio. Lá, explicou que não conseguiu acessar por alguma falha no sistema e apresentou todos os documentos para provar que o ingresso era real: "Depois de um minuto, me deram um substituto. E com ele já entrei", falou.


Equador 1 x 2 Senegal

29/11 | Estádio Internacional Khalifa

Como? Usou o mesmo esquema de Brasil 1 x 0 Suíça, com a foto nítida do ingresso verdadeiro. Passou direto pela primeira barreira dessa vez sem precisar apresentar nada ao segurança. Na segunda, novamente: "Passei com a foto, e meu amigo, que estava com o original, reclamou e logo entrou também."


Austrália 1 x 0 Dinamarca

30/11 | Estádio Al Janoub

Como? Chegou em cima da hora. Amigo passou portando o celular com o ingresso original e logo entregou o aparelho na mão do brasileiro, que precisou pegar a fila do centro de resoluções de tickets. "Voltei na catraca e pedi para chamar o supervisor, que escutou a minha explicação e me deixou entrar", disse.


Croácia 0 x 0 Bélgica

1º/12 | Estádio Ahmad bin Ali

Como? Desta vez, foi sozinho ao jogo. Mas encontrou um outro brasileiro no estádio e explicou o esquema. Entrou junto com ele na primeira entrada e, na segunda, pegou o ticket físico do novo amigo: "Ele entrou e me deu", contou. "Aí fui resolver com o ingresso dele e o meu Hayya Card e rolou de novo."


Coreia do Sul 2 x 1 Portugal

02/12 | Estádio Cidade da Educação

Como? Novamente com o esquema de Brasil 1 x 0 Suíça. Na primeira barreira, "passou no meio do bolo de pessoas". Na segunda, a última antes do acesso ao estádio, usou a foto do ingresso original. Entrou mais uma vez sem pagar.


Camarões 1 x 0 Brasil

02/12 | Estádio Lusail

Como? E, na última "invasão" antes da volta para casa, repetiu o feito e assistiu à derrota da seleção brasileira para Camarões. No total, foram 11 jogos sem pagar.