Lewandowski teve desentendimento com um atacante nos tempos de Borussia Dortmund
Grande esperança da Polônia, que enfrenta a França pelas oitavas de final da Copa do Mundo do Qatar neste domingo (4), às 12h (de Brasília), Robert Lewandowski é um dos maiores centroavantes da atualidade. No entanto, há pouco mais de dez anos, ele lutava para ser titular do Borussia Dortmund.
Para deslanchar de vez na carreira, o polonês contou com um pouco de sorte e talvez de “bronca” do seu principal concorrente à época: Lucas Barrios. Contratado do Lech Poznan-POL sem grandes badalações em 2010, Lewa passou a primeira temporada como reserva do ex-atacante do Palmeiras - principal artilheiro aurinegro à época - e chegou a ser escalado como meia pelo técnico Jurgen Klopp.
De acordo com Antônio da Silva, ex-jogador do Dortmund, foi uma solução do treinador alemão para acalmar os ânimos do vestiário, que estavam tensos.
“O clima estava muito ruim, e o Klopp odeia clima ruim dentro do campo e tentou com o Barrios na frente e o Lewa pelo meio, mas não foram muitos jogos. O Lewa é um centroavante de área mesmo e não deu muito certo”, recordou da Silva ao ESPN.com.br.
A situação começou a mudar na segunda temporada, quando Barrios se lesionou pela seleção paraguaia durante a final da Copa América de 2011, vencida pelo Uruguai. O jogador retornou à Alemanha para fazer o tratamento e perdeu alguns jogos, sendo substituído pelo polonês nos primeiros dois meses.
Barrios não queria perder o status de principal artilheiro do Dortmund e estava desesperado para voltar logo aos gramados. Ele só conseguiu jogar no final de setembro, sendo colocado aos poucos nas partidas. O plano era que o centroavante recuperaria o ritmo até voltar como titular.
O clima começou a piorar quando Klopp passou a substituir Lewa por Barrios durante o segundo tempo dos jogos. O polonês não cumprimentava o sul-americano, que ficou furioso com a atitude.
Após uma vitória em casa contra o Bayer Leverkusen, a situação se repetiu e foi a gota d’água para Barrios. Ele mal cumprimentou a "Muralha Amarela", torcida que fica atrás dos gols no Signal Iduna-Park, e foi correndo para os vestiários.
“Eu chamei o (zagueiro Neven) Subotic: ‘Vem comigo que vai dar bosta’. A gente saiu correndo e escutei as chuteiras batendo no chão e o Lucas estava amarrando o cadarço. Eu tentei acalmá-lo”, contou Felipe Santana, ex-zagueiro do Dortmund, à ESPN.
Em seguida, Lewandowski entrou com a camisa no ombro no vestiário e andou para seu armário, que ironicamente ficava ao lado de Barrios.
“O Lucas já veio de encontro e deu um soco que pegou no meio da cara. Começou aquela correria para tentar separar e ficou uma marca vermelha (no rosto do polonês). O Lucas gritando que ia pegar. Entrou o presidente do Dormtund perguntando o que estava acontecendo e depois o Klopp, mas os ânimos já estavam mais calmos”.
Barrios ainda ficou esperando no chuveiro para ter um “segundo round”, que não aconteceu.
Felipe foi para casa e estava se arrumando para sair quando recebeu uma ligação de Klopp quase na madrugada. O alemão pediu para que o brasileiro chegasse mais cedo aos treinos no dia seguinte para explicar o episódio.
“Disse ao Klopp: 'Já faz um tempo que o Lucas vem questionando o fato do Lewandowski não cumprimentá-lo e nem aplaudir. Nós viemos de uma cultura de onde a competitividade está na pele. O Lucas é argentino (naturalizado paraguaio) e cada um tem seu jeito de levar a vida. Ele considerou isso um desaforo. O Klopp perguntou: 'O que você acha que precisa ser feito?' Respondi: 'Eu? Você é o treinador'", disse o defensor.
De acordo com Felipe, Lewa precisou pagar o jantar para todo o time, enquanto Barrios foi multado em cinco mil euros.
“O Klopp ia colocar o Lucas no próximo jogo como titular, mas como punição de campo deixou o Lucas no banco. Aí, o Lewandowski passou a fazer gols”, contou Felipe.
Após o episódio, o polonês começou a fase artilheira que vive até hoje. Enquanto isso, o sul-americano foi perdendo protagonismo até se transferir para o futebol chinês. Depois, passou por Spartak Moscou e Montpellier antes de chegar ao Palmeiras.
Antes de se aposentar, ele ainda passou por Grêmio, Colo até se aposentar pelo Patronato, em 2022.
