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Craque do Canadá nasceu em campo de refugiados, rejeitou duas seleções e 'venceu' doença por Copa

Alphonso Davies saiu de um campo de refugiados na África e anotou o primeiro gol do Canadá em Copas na história


O Canadá voltou a disputar uma Copa do Mundo depois de 36 anos graças ao talento de Alphonso Davies. E foi justamente o craque do Bayern de Munique que anotou o primeiro gol da seleção em Mundiais na história.

Davies colocou os canadenses na frente diante da Croácia neste domingo (27), às 13h (de Brasília), pela segunda partida do grupo F.

Filho de pais liberianos, o jogador nasceu em Buduburam, um campo de refugiados de Gana. O local foi criado pela ONU em 1990 para receber pessoas que fugiam da Guerra Civil da Libéria – estima-se que 250 mil pessoas morreram nas duas guerras civis do país entre 1989 e 2003.

Ele morou entre os refugiados até os cinco anos de idade, quando mudou-se com a família para o Canadá como parte de um programa de reassentamento.

No novo país, o jovem começou a jogar futebol e passou a se destacar. Aos 15 anos, virou profissional pelo Vancouver Whitecaps.

Apesar de poder defender Libéria e Gana, Davis escolheu representar a seleção do Canadá.

Em 2017, foi eleito para o time ideal da Copa Ouro pelos canadenses. No ano seguinte, foi escolhido para o All Star Game da Major League Soccer e venceu o prêmio de jogador canadense.

Foi vendido ao Bayern no meio de 2018 por 9,84 milhões de libras, mas só se juntou ao clube no começo de 2019, após ter completado 18 anos. Após ter feito poucas partidas nos primeiros seis meses, virou peça-chave da equipe bávara na temporada seguinte.

Desde então, ele venceu Champions League (2020), Mundial de Clubes (no mesmo ano), Bundesliga (quatro) e Copa da Alemanha (duas).

Em 2022, ele foi diagnosticado com uma doença cardíaca inflamatória chamada miocardite depois que contraiu COVID-19 e ficou vários meses afastado dos gramados.

"Isso foi muito assustador, especialmente [porque] os médicos diziam que não sabiam quanto tempo eu deveria ficar fora. Acho que essa foi a parte mais assustadora", disse à ESPN.

"Naquela época eu tinha dúvidas se ainda conseguiria jogar futebol, mas no final deu tudo certo. Estou feliz e grato pelo médico cuidar tão bem de mim", afirmou.

O craque voltou a tempo de ajudar o Canadá na Copa do Mundo. Após ter perdido um pênalti na estreia da competição, contra a Bélgica, ele busca a redenção no torneio pelo sonho de avançar de fase no Qatar.