O ESPN.com.br conversou com profissionais envolvidos no projeto do uniforme do Brasil para a Copa do Mundo, iniciado ainda antes da pandemia
A CBF e a Nike divulgaram oficialmente, na última semana, o conjunto de camisas a ser utilizado pela seleção brasileira na Copa do Mundo do Qatar. A coleção “Veste a Garra” chamou a atenção pelas estampas inspiradas na onça-pintada e gerou debates – e críticas. E se ainda não está no corpo de jogadores e torcidas, já marca presença na boca do povo e nas redes sociais a pouco mais de três meses da estreia do Brasil no Mundial.
Mas, afinal, por que a Nike escolheu a polêmica inspiração no animal típico do Pantanal brasileiro?
O ESPN.com.br conversou com profissionais envolvidos no projeto iniciado ainda antes da pandemia para contar os bastidores da criação do uniforme que vestirá Neymar e companhia no Qatar.
As primeiras conversas ocorreram na virada de 2019 para 2020 e contaram com as participações da alta cúpula da CBF e de integrantes do departamento de criação da fornecedora de material esportivo em Beaverton (estado de Oregon), nos Estados Unidos.
CBF pede modelagem exclusiva
De um lado, os dirigentes brasileiros pediam uma linha exclusiva para a seleção. O então presidente da CBF, Rogério Caboclo, e o diretor de marketing da confederação à época, Gilberto Ratto, desejavam que a camisa do time de Tite tivesse sua própria estética – e não que apenas se enquadrasse uma modelagem padrão para todas as seleções que têm contrato com a Nike, alterando apenas cores e distintivo. A empresa americana topou e ainda desenvolveu uma fonte (para os números) exclusiva também.
Nike pede onça-pintada
A partir daí, com o projeto em andamento, a Nike também fez o seu pedido. Foi a fornecedora de material esportivo quem deu a ideia de tocar o desenho a partir da inspiração no animal. Na visão dos profissionais americanos, a estampa de onça estava em alta no cenário da moda e ainda casaria com uma característica da fauna brasileira. A CBF topou.
A entidade viu com bons olhos ter uma causa por trás do projeto do uniforme. “Símbolo do espírito e coragem da nação, o design sutil da onça reflete o povo e o estilo de jogo da seleção brasileira em campo – feroz e artístico”, explicou a Nike.
O design citado nem sempre foi tão sutil. Nas conversas que seguiram durante a pandemia, um primeiro esboço do uniforme apontava para uma camisa azul ainda mais ousada. Além das mangas, o uniforme reserva teria a estampa da onça-pintada na barra inferior da camisa, no calção e nos meiões. A confederação não curtiu a ideia e vetou a proposta.
Ainda entre suas respostas sobre o plano inicial, a CBF reforçava o desejo de ter algum detalhe azul na camisa 1 (a tradicional amarela) e tons de verde no uniforme 2. Pedido aceito.
Outra exigência da CBF, especialmente na figura do então presidente, foi a de que o distintivo da confederação tivesse o maior tamanho possível na camisa. A tradicional logo da entidade foi ampliada até o limite permitido pela Fifa em uniformes para jogos oficiais.
Tite também participa de processo
A sequência de conversas antes das aprovações finais contou ainda com a participação do então gerente de marketing da CBF, Fábio Ritter, e do diretor de seleções, Juninho Paulista.
Entre conversas presenciais, conferências onlines e inúmeras trocas de mensagens, a camisa a ser utilizada na Copa do Qatar teve sua versão final aprovada no primeiro trimestre de 2021. Antes do “ok” derradeiro, até o técnico Tite e integrantes de sua comissão foram consultados – e aprovaram – o desenho tornado público na última semana.
