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Briga de cartolas, STJD e provocações: por que Flamengo x Atlético-MG ferve e pode ser ruim para Gabigol e Hulk

Estrelas dos dois times, Gabigol e Hulk estão pilhados e sofrendo com muitos cartões na temporada


Flamengo e Atlético-MG formam uma das maiores rivalidades interestadual do país. Nesta quarta-feira (13), às 21h30, os times duelam por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. E um nome está no epicentro das polêmicas: Gabigol.

Nos últimos dias, os dirigentes estão batendo boca publicamente, com provocações e indiretas. Tudo inflamado depois da declaração do camisa 9 do Flamengo logo após o jogo de ida.

Após a vitória por 2 a 1 do Atlético-MG no Mineirão, Gabigol soltou a seguinte declaração. "Quando eles forem para lá vão conhecer o que é pressão e o que é inferno". Desde então, a mensagem desencadeou uma série de polêmicas.

A primeira foi imediata. Quando Hulk deu uma leve ironizada no atacante ao responder, também no campo, de que não havia 'moleque' no time mineiro para sentir pressão.

"Estamos acostumados a jogar em grandes ambientes. Tudo jogador experiente, de seleção, jogador cascudo, então não tem nenhum menino para enfrentar a pressão que for. Mas o importante é fazer o que o professor pede, entrar concentrado e dar o meu melhor. Deixar claro que não tem nada ganho ainda, tá encaminhada uma parte, mas temos a segunda parte para, se Deus quiser garantir a vaga para a próxima fase", completou Hulk.

Em campo, Gabigol e Hulk apresentam pouco controle emocional, seja por um alto número de cartões ou por embates com a arbitragem. Pelo lado rubro-negro, Gabigol está mais uma vez suspenso no Brasileirão. Ao todo, são seis cartões amarelos levados do Brasileirão, sendo 14 na temporada completa. Número no nacional é maior do que o de gols na competição (5).

Hulk também não fica muito atrás. Apesar de ter marcado sete gols, já levou cinco amarelos na competição. Ao todo, são nove cartões na temporada. A maior irritação do jogador tem sido com a arbitragem, em especial Anderson Daronco, com quem vem discutindo desde Flamengo x Atlético-MG do Brasileirão 2021 e que chegou ao ápice na última rodada, quando Hulk disse que foi ameaçado pelo árbitro.

"O que mais me surpreendeu ainda foi o Daronco chegar depois do jogo e falar 'cuidado com o que você vai falar depois do jogo'. Eu perguntei o porquê e ele disse que não era o último jogo meu que ele apitava. Não vou julgar. Mas eu juro pelos meus quatro filhos, que é o mais importante da minha vida. Falei para ele que tenho minha consciência tranquila. O que eu falar eu vou assumir. Ele só se limitou a falar que era para tomar cuidado porque não era o último jogo que apitava meu. Se é uma ameaça ou não pergunta para ele”.

Do campo para o tribunal

Além de causar um alvoroço, a declaração de Gabigol foi parar no tribunal. O Atlético-MG foi ao STJD para pedir que Gabigol fosse punido por supostamente incitar a violência e ter uma atitude contrária à disciplina e ética desportiva, pois a palavra 'inferno', na visão dos atleticanos, poderia acirrar os ânimos dos torcedores.

No entanto, o STJD não prosseguiu com o pedido da diretoria do Galo. Dias depois decidiu arquivar a denúncia feita pelos mineiros. Com isso, Gabigol está confirmado para a partida da volta no Maracanã.

Clima hostil entre dirigentes

Apesar de ter uma reclamação do Atlético-MG sobre acirrar os ânimos, os cartolas seguiram batendo boca publicamente. E as mensagens geraram respostas e aumentaram ainda mais a rivalidade para a partida o Maracanã.

Logo após a derrota por 1 a 0 para o Corinthians, no último domingo (10), o vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, deu uma cutucada nos mineiros. E fez coro a Gabigol pelo 'inferno' que será criado no estádio.

“Eu tenho absoluta certeza que (o time) vai chegar com muita tranquilidade, o time é muito experiente. Alguns jogadores que poderiam ter vindo para cá não vieram por um resguardo maior para o jogo de quarta-feira. E é aquilo, Maracanã vai estar lotado, uma grande festa. E vai ser um inferno. Essa que é a verdade”, disse.

“Mas quando a gente fala isso não é em relação a ter nenhum tipo de problema é em relação ao empenho, ao Flamengo querer ganhar, raça dos jogadores e força da torcida do lado de fora, empurrando mais do que nunca. O futebol está ficando muito chato, qualquer declaração é polêmica. A gente tem que começar a humanizar mais ainda. Isso é bom para os jornalistas. Mas lá vai ser um inferno”, explicou.

Mineiros na bronca

Durante o Linha de Passe do último domingo (10), o presidente do Atlético-MG, Sergio Coelho detonou a postura do Flamengo. Falou que os dirigentes cariocas colocam 'gasolina no fogo' e causam um clima desagradável para a partida.

"É um jogo grande, dois clubes que já protagonizam um dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Incomoda são as ameaças feitas ao nosso torcedor. A gente não aprova. Tudo começou pela entrevista de um jogador que disse que seria um inferno no Maracanã. Isso provocou a torcida a fazer ameaças seríssimas. Procuramos as autoridades e pedimos segurança que o Flamengo tem que oferecer ao Atlético-MG", disse o presidente, para completar.

"Precisamos que eles no deem segurança como demos aqui. Infelizmente, tem um vice-presidente lá do Flamengo que dá declarações que acabam incentivando a torcida a fazer ameaças. Uma irresponsabilidade muito grande, ainda mais por um advogado (Rodrigo Dunshee, vice-jurídico). Joga gasolina no fogo".

Depois de ser citado, Dunshee usou as redes sociais para criticar a postura do Atlético-MG, que reclamou da arbitragem de Anderson Daronco, no último domingo (10), contra o São Paulo e pediu que o árbitro não apitasse mais jogos da equipe mineira.

"Para preservar o Daronco, se fosse presidente, eu evitaria de escalar o Daronco nos próximos jogos do Atlético se o Hulk estiver em campo. É ruim para o Daronco, para o Hulk, para o Atlético, comissão de arbitragem e futebol", disse Sergio Coelho, causando resposta de Dunshee.

"Os dirigentes do Atlético Mineiro estão usando uma estratégia totalmente antiética e vergonhosa para preparar seus jogos e pressionar a arbitragem. Espero que a CBF esteja vendo o que está sendo feito. Esse tipo de conduta destrói o futebol e o leva aos níveis mais rasteiros", disse Dunshee, que ganhou coro de Luiz Eduardo Baptista, o BAP, presidente do Conselho de Administração do Flamengo.

"Parabéns ao VAR e ao árbitro Daronco. Não deram pênaltis inexistentes. Não faz nenhum sentido alguém pedir que este árbitro não apite mais jogos do Atlético MG. Qual seria a mensagem?", escreveu.