Autor de dois gols na goleada da seleção brasileira em amistoso contra a Coreia do Sul e brilhando como titular com a camisa do Chelsea, o garoto Estêvão começou de forma meteórica sua passagem pelo futebol europeu após deixar o Palmeiras.
Apelidado de “Messinho” desde que ainda era uma criança, Estêvão contou com a ajuda do técnico Rogério Ferreira, no Palmeiras, para corrigir algumas imperfeições e se tornar ainda mais letal com a bola nos pés.
"Ele chegou ao Palmeiras com 14 anos", iniciou Ferreira em entrevista exclusiva à ESPN. "Veio do Cruzeiro [em 2021], o mesmo clube que revelou Ronaldo. Todo mundo no Brasil já sabia quem ele era. Havia vídeos dele jogando desde os 11 anos”.
"Ele passou por uma cirurgia no joelho quando chegou, então ficou uns cinco meses sem jogar. Ele era muito pequeno... minúsculo. Por coincidência, quando ele finalmente veio para o primeiro treino, eu estava apenas aquecendo o time com passes longos e cabeceios simples... e ele não queria cabecear”.
Rogério não pegou leve com Estêvão. Apesar da canhota afiada desde cedo, o garoto tinha sérias deficiências técnicas com o pé direito, algo trabalhado pelo então treinador da base do Palmeiras.
"Fui até ele e disse: 'Olha, Messinho', seu pé direito é terrível, então trabalhe nisso. Ele ganhava muito dinheiro. Muito, aos 14 anos. Mas eu disse: 'Não dou a mínima; cabeceie a bola e use o pé direito, porque senão não joga’”.
"Ele me olhou assim [chocado e perturbado]. Mas ele tinha uma personalidade diferente. No dia seguinte, ele veio até mim e disse: 'Treinador, vou fazer [as instruções] e vou jogar’”.
Para Rogério, essa é a principal diferença de Estêvão em relação aos demais: a consciência de que precisa melhorar independentemente do quanto recebe por mês ou de que patamar alcançou na carreira.
"O futebol era fácil demais para ele, ele vencia todo mundo, decidia os jogos. Os jogadores sempre podem melhorar quando enfrentam dificuldades que os forçam a encontrar soluções, se forem capazes de lidar com elas. Isso é muito importante na formação dos jovens jogadores”.
"Ele fez coisas inacreditáveis, mesmo sendo menor, porque era muito inteligente. Sua capacidade de viver em situações difíceis era inacreditável, simplesmente inacreditável”.
"A mentalidade dele é incrível", diz Ferreira. "Mas ele não só tinha a capacidade de aprender mais, como também estava ansioso para isso. Ele tinha consciência das suas fraquezas. Essa é a diferença”, finalizou.
