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OPINIÃO: Precisamos desfrutar de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola

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O golaço de Rodrygo que fez Santiago Bernabéu 'explodir' em virada relâmpago contra o City (0:44)

No 1º tempo, Rodrygo recebeu de Vinicius Jr. e bateu na saída do goleiro Ortega para fazer 2 a 1 minutos após Camavinga empatar (0:44)

Em 15 minutos, Real Madrid e Manchester City já tinham entregado o que se imaginava de um jogo como esse. Três gols, muita intensidade em campo e uma festa incrível nas arquibancadas do Santiago Bernabéu.

Na véspera, Carlo Ancelotti havia dito que não faria grandes alterações na equipe. Não foi o que aconteceu.

O treinador italiano escalou o Real Madrid no 4-2-3-1, com Vinicius Júnior como atacante central e Rodrygo aberto pela esquerda. Enorme reconhecimento à capacidade decisiva do ex-atacante do Santos atuando nesse setor.

Aurélien Tchouaméni começou como zagueiro, ao lado de Antonio Rüdiger. O meio-campo teve Toni Kroos e Eduardo Camavinga como dupla e, ocupando a intermediária ofensiva e pisando na área, lá estava Jude Bellingham.

Pep Guardiola optou na desfalcada lateral-direita por Manuel Akanji em seu 4-2-3-1, com Phil Foden sendo o meia avançado, acompanhado por Bernardo Silva na direita e Jack Grealish na esquerda. Kevin de Bruyne iniciou no banco.

Depois daquele início eletrizante, o jogo adotou o roteiro que se imaginava. Maior posse de bola e controle do ritmo pelo Manchester City, a partir de ataques construídos com paciência na fase ofensiva. O Real Madrid aguardava e jogava na transição da defesa para o ataque, atacando os espaços e buscando a dupla brasileira - assim foi superior no primeiro tempo.

Depois do intervalo foi a vez de Guardiola tentar algo diferente. Mudou para o 4-3-3, com Rodri-Bernardo Silva-Mateo Kovacic como trio de meio-campo, abrindo Foden na direita e mantendo Grealish do outro lado. Com a bola, seguiu permitindo que John Stones avançasse para ter superioridade numérica no meio.

O Real Madrid permaneceu melhor e perdeu duas grandes oportunidades, primeiro com Bellingham e depois com Vini, para fazer o terceiro gol. Muitas vezes, velhos clichês funcionam mais do que qualquer tática... Como não fez, levou o empate.

Em uma sequência de três bons ataques, sempre com Foden cortando para dentro e buscando a finalização, o gol de empate dos Citizens saiu aos 21 minutos. Assim como acontecera com o Real Madrid no primeiro tempo, desta vez foi o City que marcou duas vezes na sequência.

Impressionou, nos 90 minutos, os mini-jogos que aconteceram, totalmente diferentes uns dos outros. Bem como Guardiola avisara na coletiva de imprensa do dia anterior. O treinador catalão, aliás, fez uma única substituição em todo jogo, já aos 42 minutos da etapa final quando tirou Foden e colocou Julián Álvarez em campo.

Para coroar uma noite espetacular de futebol, o golaço de Valverde definiu o 3 a 3. Para a volta, Tchouaméni desfalcará os madridistas, suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos, o que abre espaço para Éder Militão reaparecer no time titular. Talvez mais uma surpresa de Ancelotti.

Desde a chegada de Bellingham, para melhor acomodar o inglês sem deixar de potencializar Vinicius Júnior, o laureado técnico abandonou o 4-3-3 e mudou inicialmente para o 4-3-1-2 e depois para o 4-4-2. Recentemente voltou a utilizar o 4-3-3 e nesta terça-feira à noite surpreendeu a todos com o 4-2-3-1.

Ainda há muitas pessoas que insistem em rotular Carlo Ancelotti apenas como "ótimo gestor". Definitivamente não assistem futebol.

Apenas nesta temporada, marcada também por lesões (chegou a ter nove desfalques em dezembro), o treinador italiano encontrou soluções dentro do elenco e faz um dos melhores trabalhos de toda sua carreira. Enquanto isso, o Real Madrid acumula somente duas derrotas em toda temporada (ambas para o Atlético de Madrid, no Cívitas Metropolitano).

Em Manchester, será a vez de Guardiola atuar em casa. Talvez não apresente grandes surpresas, apenas o retorno de Kyle Walker, por exemplo, já seria uma excelente novidade.

É curioso, de qualquer modo, como normalizamos o futebol apresentado pelo City como se fosse algo fácil de executar. Quase 700 passes certos e 60% de posse de bola no Bernabéu em noite de Champions.

A eliminatória segue aberta, e a temporada do Manchester City não tem o título inglês garantido, mas joga o melhor futebol do mundo há alguns anos.

Vivemos tempos incríveis do futebol. Precisamos desfrutar de Carlo Ancelotti e Pep Guardiola, dois dos maiores treinadores da história.

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