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OPINIÃO: Ótimo Union Berlin expõe as carências ofensivas do Real Madrid

Joselu e Rodrygo em ação pelo Real Madrid David S. Bustamante/Getty Images

A Champions League faz parte do calendário anual do Real Madrid há 27 temporadas consecutivas. Para o Union Berlin, o jogo desta quarta-feira (20) no Santiago Bernabéu foi o primeiro na maior competição de clubes do mundo. No entanto, as noites no estádio merengue são realmente diferentes...

Quando tudo já se encaminhava para um empate em 0 a 0, que tiraria dos madridistas o aproveitamento de 100% na temporada e daria para os alemães um ponto histórico, o incrível aconteceu de novo. Uma finalização de Federico Valverde, bola rebatida na pequena área e o toque para o fundo das redes de Jude Bellingham nos acréscimos da etapa final.

Vitória por 1 a 0 garantida, mas que não inviabiliza uma crítica mais aprofundada sobre o que aconteceu nos mais de 90 minutos anteriores.

O comportamento defensivo do Union Berlin é algo absurdo. Não à toa e muito menos surpreendente, afinal, o técnico Urs Fischer está no comando da equipe desde a segunda divisão alemã em 2018 e nesta temporada da Bundesliga está no grupo dos times com menor média de posse de bola.

Diferentemente do 'ônibus estacionado' em frente à área de muitas equipes, o Union mantém um sistema híbrido, no qual a leitura de jogo dos atletas em campo é extremamente importante. O bloco defensivo, médio ou baixo, varia entre 5-4-1 e 4-5-1, de acordo com a movimentação dos alas Josip Juranovic e Robin Gosens.

Isso fez com que o Union, no primeiro tempo, ocupasse muito bem os espaços em campo e dificultasse ao máximo a movimentação ofensiva do Real Madrid e o 4-3-1-2 de Carlo Ancelotti. Bellingham tinha sempre dois marcadores em cima na faixa central e as laterais estavam bem protegidas. Duas cabeçadas de Joselu foram as ações mais perigosas.

Com isso, o jogo passava demasiadamente pelos pés dos zagueiros e de Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga, com pouca ou nenhuma profundidade, mesmo com 71% de posse de bola madridista. Tudo isso fez com que o tempo passasse rapidamente e a primeira etapa terminasse sem grandes oportunidades dos dois lados.

Fora o lado mais analítico do confronto, os jogadores do Union Berlin sabiam do dia histórico que estavam vivendo pelo clube. Quatro mil torcedores viajaram de Berlim para Madri e fizeram enorme festa pelas ruas da cidade e, nas arquibancadas do Bernabéu, cantaram do início ao fim.

Na volta do intervalo, como já se imaginava, a postura do Real Madrid foi diferente. Bem mais incisivo, pressionando e vibrando dentro de campo. Inclusive com um pouco mais de individualidades aparecendo, principalmente com Bellingham e Rodrygo. Mesmo assim, o jogo de paciência, resiliência e estratégia do Union Berlin perseverava, apesar do susto com a bola na trave em mais uma cabeçada de Joselu.

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Jude Bellingham salva o Real Madrid em estreia dura na Champions League

Bellingham fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Union Berlin no último lance

Tchouaméni e Camavinga saíram para as entradas de Toni Kroos e Federico Valverde; Bellingham passou a formar a trinca de meio-campistas e o croata ocupou o lugar mais avançado. Pouco depois, Fran García entrou na vaga de Nacho e Alaba virou zagueiro. Ainda houve tempo para Brahim Díaz ir a campo na vaga de Modric.

Alterações que pouco, ou nada, melhoraram o Real Madrid ofensivamente, apesar do grande volume de jogo - algo natural, diante da postura do Union.

Sem Vinicius Júnior, ainda lesionado, e com número limitado de opções para o ataque, a equipe seguiu dependendo de bolas levantadas na área para Joselu, em um final de tarde e início de noite na capital espanhola onde o individual não brilhou e as carências ofensivas madridistas foram bem mais expostas do que em LALIGA.

Bellingham, melhor jogador madridista na temporada, garantiu três pontos, mas o nível de dificuldade na Champions vai subir.