Qual é a maior carreira possível que um jogador de futebol pode ter? Valem mais os títulos, o dinheiro ou o vínculo com as pessoas e as raízes que você cria em um clube/cidade? Não há uma resposta certa, é tudo uma questão de perspectiva que cada um tenha.
Marco Reus virou uma lenda no Borussia Dortmund sobretudo pelo terceiro ponto acima mencionado, e essa história chega ao fim nesta temporada. O camisa 11 deixará os aurinegros como o 4º jogador com maior número de partidas pelo clube (424 jogos no momento), assim como o maior artilheiro na era profissional e o segundo no geral, com 168 gols, sendo superado apenas pelos 177 de Adi Preißler.
Porém, inevitavelmente sua história no futebol sempre será lembrada na condicional, sobretudo por quem não torce pelo Borussia Dortmund. E se ele tivesse ido ao Bayern de Munique? E se ele não tivesse machucado tanto?
Desde que o meia-atacante retornou a Dortmund, cidade onde nasceu, o Bayern conquistou 11 títulos da Bundesliga, cinco da Copa da Alemanha, seis da Supercopa da Alemanha, duas edições da Champions League, duas da Supercopa da Uefa e duas do Mundial de Clubes. Buscou no rival Mario Götze, Mats Hummels e Robert Lewandowski e reforçou o quanto estava à frente do seu principal competidor.
Reus, por sua vez, limitou-se a duas conquistas da Copa da Alemanha, duas da Supercopa e um vice da Champions, graças a uma derrota para o próprio Bayern na decisão.
Pela seleção, uma contusão sofrida a poucos dias do início da Copa do Mundo de 2014 o impediu de ser campeão do mundo, em um momento em que era um dos melhores jogadores alemães em atividade. As questões físicas também o impossibilitaram de disputar as duas Euros seguintes.
"O Bayern quis me contratar", contou certa vez em uma entrevista à Sky, da Alemanha. "Eu também falei com Jupp Heynckes (ex-técnico do Bayern). Ele é um técnico experiente, que aquiriu enorme experiência. Eu queria saber dele onde eu posso melhor. Mas ele não me convenceu a me juntar (ao Bayern)".
Questionado se se arrependia de não ter ido Bayern, Reus foi enfático: "Não! Nem por um segundo".
O camisa 11 completará 35 anos no fim do mês com um currículo completamente incompatível com o seu talento, mas com uma das histórias de amor mais bonitas do futebol. Foram mais de duas décadas entre suas duas passagens pelo clube, tendo jogado na base entre 1995 e o começo de 2005, antes de passar por Rot Weiss Ahlen e Borussia Monchengladbach, para então retornar como protagonista do BVB em 2012.
Para uma geração de torcedores do Borussia Dortmund tão machucada por ver atletas promissores saírem constantemente, ele foi o único que ficou ininterruptamente entre os que tiveram o patamar para serem protagonistas no topo do futebol. É algo que significa demais em um clube, cujo lema é “Echte Liebe” (amor verdadeiro, em alemão). Reus nada mais é que a personificação disso.
Próximos jogos do Borussia Dortmund:
Augsburg (C): 04/05, 10h30 (de Brasília) - Bundesliga
PSG (F): 07/05, 16h (de Brasília) - Champions League
Mainz 05 (F): 11/05, 13h30 (de Brasília) - Bundesliga
