O apelido de “El Tren” não é à toa. Desde cedo, Kevin Viveros aprendeu a seguir adiante sem parar, independentemente do obstáculo que a vida pudesse colocar em seu caminho. Seja um defensor adversário, o desemprego ou a violência.
Natural de Buenaventura, mesma cidade do craque Freddy Rincón, o atacante cresceu em um dos lugares mais perigosos da Colômbia. A região localizada na zona portuária sofria com a insegurança causada pelas gangues e o narcotráfico.
Para realizar o sonho de ser um jogador profissional, Viveros foi aos 14 anos para a base do América de Cali. Morando pela primeira vez fora de casa, sofreu com a saudade da família e chegou a ir embora do clube. Porém, foi convencido pela mãe, que era empregada doméstica, a retornar ao futebol.
Destaque nos Diablos Rojos, defendeu a seleção de base da Colômbia antes de subir aos profissionais, aos 18 anos.
“Ele chegou com uma boa imagem porque era promissor e tinha boas condições. Era muito quieto nos treinos e tímido, mas gostava de brincar. Um cara muito forte fisicamente e que tinha vantagem sobre os meninos da mesma idade”, disse Neto Volpi, ex-goleiro do América de Cali-COL, ao ESPN.com.br.
Na equipe principal, porém, Viveros não conseguiu brilhar. “O clube vivia um momento de muita instabilidade. Chegou um treinador da velha guarda que gostava de jogadores mais experientes”, afirmou o arqueiro.
Sem espaço, o atacante foi emprestado para o Atlético Cali, da segunda divisão colombiana, e ao Itagui Leones. Aos 21 anos, ele viveu a fase mais difícil da carreira. Depois do final do contrato com o América, ficou sem clube durante o auge da pandemia por COVID-19.
Enquanto isso, treinou por conta própria em Cali apenas para manter a forma física. Nesta época, conheceu a atual esposa. A situação só mudou depois de um convite inesperado. Após um ano desempregado, foi contratado em 2022 pelo Carabobo-VEN.
“Já monitorava o Viveros desde a base e resolvemos apostar nele. Lembro que a negociação durou cinco minutos (risos). Ele estava muito emocionado, porque achou que a carreira estava praticamente acabada. Chegou ao time com muita vontade de vencer”, contou Salvatore Simeone, ex-diretor de futebol do clube venezuelano, à reportagem.
O atacante foi artilheiro do Venezuelano, com 21 gols. “Demorou um pouco para balançar as redes, mas depois de um hat-trick contra o Táchira não parou mais. Conseguimos nos classificar para a Libertadores”.
Viveros voltou à Colômbia para defender o Deportivo Cali antes de ser vendido ao FK Sarajevo, na Bósnia. No leste europeu, porém, não se destacou.
“Foi a primeira experiência dele fora da América do Sul e teve grandes problemas com a adaptação, principalmente com o idioma, o frio e a cultura. Ele só falava espanhol e não conseguia se comunicar”, disse o atacante Renan Oliveira, ex-colega do colombiano no time bósnio, ao ESPN.com.br.
Vizinho de Viveros em Sarajevo, o brasileiro conta que o atual jogador do Furacão tem um lado pouco conhecido do público. “O Kevin é uma pessoa maravilhosa e tem um jeito às vezes explosivo. Ele é bem calmo, mas quando explode, deixa bem claro quando não gosta de alguma coisa”, disse Renan.
Emprestado ao La Equidad-COL, Viveros conseguiu se destacar e chamar atenção dos maiores clubes do país. Foi contratado em 2024 pelo Atlético Nacional, no qual venceu três títulos.
Artilheiro do Brasileirão
Durante a temporada passada chegou a ser o vice-artilheiro da Libertadores, com quatro gols marcados. Em junho, foi para o Athletico-PR, que disputava a Série B do Brasileiro por 5 milhões de dólares, cerca de R$29 milhões.
Contratação mais cara da história do clube, o colombiano foi peça fundamental na arrancada do time ao acesso para a elite. Viveros anotou 9 gols na competição.
Liberado para viajar para a Colômbia para resolver problemas pessoais no começo de 2026, o jogador sofreu com alguns questionamentos da torcida. Na Série A do Brasileiro, porém, retomou a ótima fase. Fez gols no clássico contra o Coritiba e provocou o arquirrival na comemoração, simulando estar comendo uma coxa.
Nas últimas rodadas desandou a balançar as redes e virou o artilheiro do torneio, com 8 gols marcados. Dois deles foram anotados contra o Vitória, no domingo (26.04). Antes do duelo, porém, Viveros passou um susto: o filho dele foi hospitalizado após ter convulsões.
Em alta, o colombiano teve o nome especulado em clubes como Corinthians e Flamengo.
“O Kevin tinha algumas coisas para melhorar, mas não me surpreende essa fase. Desde o primeiro contato dava para enxergar as qualidades. Sempre teve potência, força e técnica”, disse Renan.
