"O Grêmio não pode competir com o Flamengo". A frase recente de Mano Menezes sobre o abismo financeiro entre os dois clubes, que se enfrentam neste domingo (31), pela 22ª rodada do Brasileirão, no Maracanã, é algo comprovado na tabela – um é líder, enquanto o outro é só o 14º. No entanto, em um passado pouco distante, as coisas eram bem diferentes.
O desempenho recente mostra que o dinheiro, sim, faz diferença. Tanto é que dos últimos 20 jogos entre as equipes, em um período de 2018 a 2025, são 13 vitórias do Flamengo, três empates e apenas quatro triunfos do Grêmio. E tal desempenho "virou" quando o time carioca se equilibrou financeira e passou a investir pesado.
Se em 2018, já com nomes de peso para a época como Vitinho, Everton Ribeiro e Diego Ribas, o Flamengo eliminou o Grêmio na Copa do Brasil, a comprovação da diferença vinha um ano depois, com a 5 a 0 aplicado na semifinal da CONMEBOL Libertadores. Apesar de o Grêmio chegar longe ao principal torneio do continente, a equipe então comandada por Renato Gaúcho vinha em clara queda, com seus principais jogadores longe do auge, enquanto o rival vivia o melhor momento da sua história pós-era Zico.
De lá para cá, as finanças dos clubes comprovam o abismo que hoje se encontra. Enquanto o Flamengo fechou a temporada passada faturando cerca de R$ 1,3 bilhão, o Grêmio arrecadou R$ 491 milhões.
Os recentes patrocínios fechados vão na mesma linha. Os cariocas fizeram história em um acordo para o espaço nobre da sua camisa que pode chegar a R$ 268,5 milhões com a Betano. Por outro lado, o Grêmio, também neste ano, fechou com a Alfa.bet por R$ 50 milhões.
Grêmio castigou o Flamengo no passado
Se nos últimos 20 jogos o Flamengo tem um amplo domínio, nas 20 partidas anteriores à marca citada, a situação inverte. De 2012 a 2017, o Imortal levou a melhor em 10, contra cinco vitórias dos cariocas e cinco empates.
Enquanto o Flamengo iniciava 2013 afundado em dívidas e tentando se reestruturar, o Grêmio arrancaria dali para viver o melhor momento da sua história recente.
Sem caixa, o Flamengo decidiu fazer contratações modestas e arrumar a casa. O Grêmio montava bons elencos e figurava como um dos principais do país àquela altura, além de revelar mais jogadores em uma leva que contou com Luan, Pedro Rocha, Cebolinha e Pepê.
Nesse período, o clube gaúcho ganhou a Copa do Brasil de 2016, Libertadores de 2017 e a CONMEBOL Recopa de 2018, além de ser semifinalista da Libertadores em 2018. Por outro lado, a equipe carioca só ganhou a Copa do Brasil em 2013 e foi vice da Copa do Brasil (16 e 17) e da CONMEBOL Sul-Americana (2017). Além disso, saiu na fase de grupos da Libertadores em três anos (2012, 2014 e 2017).
Ou seja, se os cariocas hoje vivem uma situação de 'outro patamar', nem sempre foi isso. Mas uma coisa é certeza: Flamengo e Grêmio, quando tiveram as casas arrumadas, figuraram entre os principais clubes do país. Resta saber quais serão os próximos capítulos e o que o destino aponta para os times.
