Faz quase 20 anos, mas Muricy Ramalho ainda lembra bem da partida entre Corinthians e Internacional de 20 de novembro de 2005, disputada no Pacaembu, pela antepenúltima rodada do Brasileirão daquele ano. As equipes empataram por 1 a 1, e um lance ficou marcado para os torcedores: a expulsão de Tinga, do Inter, por suposta simulação de pênalti em lance com o goleiro Fábio Costa.
Muricy era treinador do Colorado à época. As duas equipes brigavam pelo título do Campeonato Brasileiro e o duelo já estava empatado com um gol para cada lado aos 28 minutos do segundo tempo. Tinga recebeu na área, tentou cortar Fábio Costa e foi derrubado pelo goleiro. O árbitro Márcio Rezende de Freitas não marcou pênalti e ainda deu amarelo por considerar que Tinga se jogou. O atleta do Inter já estava amarelado e acabou expulso.
"Lembro demais. Depois eu fui trabalhar na Globo e SporTV, e eu queria um dia encontrar o árbitro. Falei: 'Quero encontrar esse cara'. Queria perguntar que loucura ele fez. Ele trabalhava no SporTV de Minas [Gerais], o Márcio Rezende, mas eu nunca consegui falar com ele", revelou Muricy, ao canal de Duda Garbi no YouTube.
"Foi loucura o que ele fez, foi uma loucura, tirou os principais jogadores nossos, não deu pênalti, expulsou, uma coisa maluca. E o trabalho foi muito gigante, muito grande, para chegar naquele momento. Um trabalho muito bem feito que simplesmente o cara vem e te tira assim", seguiu.
"Foi terrível para a gente, mas eu nunca tive a oportunidade de perguntar o que ele pensou naquele momento", completou.
Se tivesse vencido o Corinthians naquela rodada, o Internacional poderia ter encostado na liderança, igualando o número de pontos. Com o empate, o Alvinegro foi para as últimas duas rodadas mantendo uma vantagem de três pontos, até consolidar o título.
"Os árbitros estudam o jogo. O Fábio Costa tinha essa mania de dar voadora, ele deu. E pegou feio. Não machucou o Tinga porque Deus não quis. Isso era dele. Não foi a primeira. O juiz com certeza sabia dessa dificuldade que o jogador tinha", disse Muricy.
O Inter chegou a liderar aquela competição. Após o escândalo da Máfia do Apito, em que 11 partidas apitadas por Edílson Pereira de Carvalho foram anuladas depois de investigações sobre manipulações, o Colorado saiu da primeira posição.
"Fomos fazer jogo com o Fluminense em Porto Alegre, fomos dormir em primeiro lugar e no café da manhã acabamos em terceiro. Mudaram os resultados. Foi terrível. Lutamos tanto para construir um novo Inter e chegar onde chegamos. Depois de muitos anos você não quer nem saber mais dessa história. Até tira aquele brilho do que é o futebol. Até evito ouvir essas coisas", afirmou o ex-treinador.
