O futebol brasileiro foi chacoalhado nas últimas semanas com as investigações de manipulação de resultados no Brasileirão pela Operação Penalidade Máxima II. Tamanho o nível das denúncias, muitas pessoas começaram a se perguntar como outros países reagem a esse tipo de problema.
A ESPN foi atrás dessa pesquisa e destrinchou como três países regulam e reagem ao mercado de apostas: Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.
Alguns destes países possuem mercados fortes, com cifras bilionárias, mas, ao mesmo tempo, são fortemente regulados, com punições severas a envolvidos em qualquer tipo de caso. Veja abaixo:
Como funciona na Espanha
A exemplo do futebol brasileiro, grandes casas de apostas estavam muito presentes na Espanha com suas marcas estampadas nas camisas dos clubes de LaLiga e transmissões das partidas. Isso mudou em 2021, quando um decreto do governo regulou a forma como essa publicidade era feita. A preocupação é sobre a responsabilidade do jogo, com qualquer tipo de propaganda na televisão sendo permitida somente durante a madrugada.
Ainda existem marcas que conseguem patrocinar clubes e jogadores na Espanha, com o Atlético de Madrid de exemplo, mas qualquer tipo de publicidade só pode ser feita fora da Espanha. Ainda com essas proibições, o faturamento do mercado de jogo online triplicou desde 2015. Em 2022, a Espanha lucrou cerca de 1 bilhão de euros no mercado de apostas.
No país, em torno de 77 marcas de sites de apostas possuem sede. Para atuar por lá, existe a necessidade de que uma licença seja tirada, com um órgão fiscalizando a atividade, com 20% do faturamento sendo enviado para o Ministério da Fazenda.
Além disso, LaLiga possui uma fiscalização para qualquer atividade suspeita, com os casos sendo levados para as autoridades locais. Em 2018, uma partida da segunda divisão recebeu um valor 14 vezes maior do que o normal apostado, com 30 casas bloqueando qualquer tipo de palpite no jogo. Alguns dos envolvidos no caso são investigados até hoje, como Raúl Bravo, ex-jogador do Real Madrid. A primeira condenação aconteceu em 2020 no chamado "caso Osasuna".
Como funciona nos Estados Unidos
Desde maio de 2018, as apostas em eventos esportivos foram permitidas pela Suprema Corte nos Estados Unidos, desde que regulamentadas nos estados, algo que era antes exclusividade de Las Vegas. Atualmente, 33 dos 50 estados do país permitem a atividade. Outros três estão próximos de legalizar, seduzidos pelos valores que movimentam o mercado.
Em 2018, um levantamento da associação de esportes americanos em Nevada, então único estado que tinha apostas como atividade legal, mostrou que os valores movimentados giravam em torno de 5 bilhões de dólares. Em 2022, as cifras se multiplicaram para 220 bilhões.
A nova prática fez até mesmo a forma de se consumir esporte nos Estados Unidos se modificar. Pesquisa recente da CRG Global mostra que 67% das pessoas assistem à NFL com mais frequência por conta das apostas feitas, com a NBA ficando em segundo no ranking, com 57% das pessoas usando esse motivo.
Em vídeo recente, Kyrie Irving, armador do Dallas Mavericks, desabafou sobre as reações exageradas que alguns fãs começaram a ter, ofendendo os jogadores por conta de suas apostas. Draymond Green, do Golden State Warriors, foi outro a vir a público criticar os "corneteiros de estatísticas".
Outros sete jogadores da NFL foram suspensos por terem violado a política de conduta da liga, com o caso mais emblemático sendo de Calvin Ridley, wide receiver que ficou fora da temporada 2022/23 por ter colocado dinheiro em uma aposta na vitória do seu time, o Atlanta Falcons. O alerta foi ligado na Major League Soccer depois do nome de Max Alves, brasileiro do Colorado Rapids ser citado na Operação Penalidade Máxima II, com os clubes reforçando as regras da liga.
Como funciona na Inglaterra
O mercado de apostas é muito mais forte e tradicional na Inglaterra, com casas de apostas tendo sedes até mesmo nas portas de alguns estádios da Premier League e marcas sendo principais patrocinadoras de muitos clubes na elite, como Everton, Newcastle e West Ham.
Setorista do site The Athletic, Jay Harris, em entrevista à ESPN, alertou que um dos principais problemas apontados pelos analistas do país é a quantidade de marcas de apostas que estão presentes nos clubes ingleses. “Em abril, os clubes da Premier League se reuniram e se voluntariaram a banir casas de apostas como patrocinadores principais nas camisas a partir da temporada 2026/27”, disse Harris.
Mas a prática de apostar é uma forte tradição na Inglaterra, envolvendo até mesmo a monarquia, presente em corridas de cavalos desde o século XVI. Com o passar dos anos, as regulamentações foram se desenvolvendo. Casas de aposta foram legalizadas em 1960. Em 2005, a Comissão de Apostas foi fundada para regular a prática no Reino Unido.
Apesar disso, pessoas envolvidas em algum esporte estão estritamente proibidas de apostarem, sejam jogadores, técnicos ou dirigentes. Recentemente, Daniel Sturridge e Kieran Trippier foram punidos por terem passado para amigos informações sobre suas transferências. Ambos foram multados e suspensos por mais de dois meses. O caso mais recente envolve Ivan Toney, atacante do Brentford que praticou mais de 200 apostas entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2021 e foi banido de jogar por oito meses. Nenhum desses, porém, foi acusado de manipulação de resultados.
