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Máfia de apostadores planejava abertura de escritório e estudava como lavar dinheiro de apostas: 'Os caras são fechamento'

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Procurador-geral do STJD faz promessa em meio a escândalo de apostas: 'Nada vai passar em vão; vamos sim punir' (1:45)

Ronaldo Piacente participou do ESPN FC nesta quarta-feira (10) (1:45)

A máfia dos apostadores planejava um passo ainda mais ousado para ajudar a ‘profissionalizar’ e evitar o uso de celulares como local de organização e planejamento das apostas. O ESPN.com.br teve acesso aos documentos da Operação ‘Penalidade Máxima II’, que investiga casos de manipulação de resultados no futebol brasileiro.

Em determinado trecho do arquivo, em um grupo de mensagens denominado ‘BC Sports Tips’, Bruno Lopez de Moura encaminha uma gravação de uma sala comercial. A ideia dos integrantes era de montar um escritório no qual pudessem controlar as atividades, até então produzidas por mensagens.

Metemos um piso de society, umas camisas penduradas de jogador. Cabou. Ta top”, escreve Bruno Lopez, que ainda fala que o local seria para receber assessores, jogadores de futebol e que também serviria para realização de ‘pagamentos antecipados’ em caso de apostas combinadas.

Nas explicações de Bruno, a sala comercial custaria R$ 1,7 mil por mês e serviria para que o grupo tratasse tudo de forma pessoal, sem deixar rastros ou provas em mensagem.

O diálogo de Bruno Lopez é com Ícaro Fernando Calixto dos Santos, outro integrante. Na conversa, ambos falam sobre a realização de ‘uma aposta por mês ou a cada dois meses’, possivelmente referindo-se a ações manipuladas. Posteriormente, ambos pensam que o escritório seria o início de um projeto de lavagem de dinheiro.

Vamos ter que fazer essa grana ficar limpa”, diz Ícaro. “Aquela lavadinha. Lá os caras são fechamento meu”, responde Bruno. “Damos uma % pra lavar e eles ganham. Aí já era”, finaliza.

Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A

Quais jogadores estão sendo investigados?

  • Eduardo Bauermann (Santos)

  • Gabriel Tota (Ypiranga-RS)

  • Victor Ramos (Chapecoense)

  • Igor Cariús (Sport)

  • Paulo Miranda (Náutico)

  • Fernando Neto (São Bernardo)

  • Matheus Gomes (Sergipe)

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes (Fluminense)

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (Athletico-PR)

  • Bryan García (Athletico-PR)

Apostadores e membros da organização

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que a "Operação Penalidade Máxima" investiga

A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.